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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

PSICÓLOGO PODE ATENDER NA SUA RESIDÊNCIA?

Recentemente recebi uma pergunta aqui no blog e achei interessante não apenas responder a pessoa mas desenvolver um pouco mais de fazer um post sobre isso. Então vamos lá.

A pergunta em questão foi essa:

"Uma psicóloga que mora em um condomínio pode atender pacientes em seu apartamento? 
Moradores se incomodam com entra e sai de pessoas desconhecidas e ficam nervosas quanto a alguém sofrer uma crise e fazer maus para suas crianças que ali estão nas áreas comuns."


terça-feira, 6 de setembro de 2016

QUAL A DIFERENÇA DE CONVERSAR COM UM PSICÓLOGO E COM UM AMIGO?

Muitas pessoas se perguntam como um psicólogo pode ajudá-las apenas "conversando", e isto é, inclusive, um questionamento que alguns pacientes me fizeram na primeira consulta. Então resolvi escrever um pouco acerca disso para clarear mais esse tema.



Conversar com um amigo é muito bom e saudável, ajuda a manter relações sociais, faz você sentir que pode confiar em alguém, auxilia a dividir o fardo dos problemas que você carrega. Mas estou falando de um amigo verdadeiro, aquele que aceita você, que fala sobre o que não concorda em suas atitudes, que te dá o ombro quando você precisa. Mas o amigo vai te dar a opinião dele, o amigo nem sempre vai concordar com você, o amigo pode (e geralmente vai) te julgar moralmente, por mais que seja uma amizade longa e estabelecida. Não que tais atos sejam ruins, tente pensar além dessa dualidade de bem e mau, mas é uma questão de atitudes humanas.


QUAL O DIFERENCIAL DO DIÁLOGO COM UM PSICÓLOGO?

Como eu disse anteriormente muitos acreditam que o psicólogo é um profissional que apenas "joga conversa fora" com o paciente. Isso é uma percepção completamente equivocada a respeito do trabalho do psicólogo. Primeiro porque o curso de Psicologia não é fácil, são pelo menos cinco anos para se formar, fora os cursos de aperfeiçoamento e extensão. O psicólogo estuda antropologia, filosofia, sociologia para entender as relações humanas, estuda desenvolvimento, psicologia infantil para entender os processos de aprendizagem, estuda neuroanatomia e neurofisiologia para entender como o cérebro funciona e como controla os processos fisiológicos, estuda diversas teorias psicológicas e psicopatologias para entender os desvios comportamentais e tratá-los. 

Além de todo esse estudo, o psicólogo, assim como todo profissional de saúde, tem que estar estudando constantemente para acompanhar os avanços da ciência e ampliar seu conhecimento. Geralmente os psicólogos fazem cursos de formação onde se aprofundam numa teoria específica, fora a pós-graduação que agrega novos conhecimentos e mestrados e doutorados. O bom psicólogo é um eterno estudante. 

Durante o atendimento o psicólogo aprende a fazer as perguntas certas, de modo a explorar o problema do paciente da melhor forma possível, de modo que ao mesmo tempo que está fazendo perguntas está pensando nas estratégias para tratar a situação, e está elaborando novas perguntas, tudo ao mesmo tempo! O psicólogo tem que pensar rápido e várias coisas ao mesmo tempo. Não existe uma receita de bolo, então as estratégias geralmente são criadas a partir do problema e da individualidade de cada paciente, apesar de existirem algumas que sejam comuns mas devem ser sempre adaptadas a cada situação. Logo o bom psicólogo é criativo e um excelente estrategista.

Ouvir relatos dos pacientes, a famosa "conversa" que os leigos chamam, não é uma tarefa simples. imagine você passar o dia inteiro escutando horas de diálogo, de sofrimento e dor, estórias pesadas, tristes, cheias de angústia. Ouvir isso durante o dia todo faz com que ao final do dia nosso corpo e nossa mente estejam fadigados. O psicólogo se treina para suportar esses conteúdos negativos, ele mesmo deve fazer terapia para não misturar seus problemas com os do paciente e aprender a lidar com esses conteúdos negativos. Logo, o psicólogo se torna o depósito de todo conteúdo negativo do paciente e deve saber lidar com isso para não carregar isso para casa e deixar que isso afete sua vida. 

Então meus amigos, podemos ver que não é fácil ser psicólogo. É, em nosso país uma profissão ainda cheia de estigmas, pois ainda existe no senso comum a ideia de que só quem vai para o psicólogo é "doido", quando na verdade o psicólogo pode atender pessoas com e sem transtornos mentais. A Psicologia tem uma importância enorme, porque ninguém está a salvo de passar por uma situação difícil, de desenvolver um problema psicológico ou um transtorno sério. Nem o próprio psicólogo. E ainda assim é uma profissão pouco valorizada. Entretanto o maior valor, pelo menos para mim é o bem estar dos meus pacientes, quando eles melhoram ou resolvem a situação que os levaram para o consultório e dizem o quanto fui importante para eles, para ajudá-los e compreendê-los. 







sexta-feira, 18 de março de 2016

COMO SABER SE O PSICÓLOGO QUE ESCOLHI É UM BOM PROFISSIONAL?

Recentemente uma paciente de outro estado me procurou porque leu meu blog que falava sobre seu atual problema e num simples contato por e-mail ela achou que eu tinha mais conhecimento/ competência do que o profissional psicólogo que ao qual ela se consultava. Segundo ela "ele só fazia perguntas sexuais, era psicanalista". Eu expliquei a ela o problema dela, como era o tratamento caso realmente fosse o diagnóstico e dei os devidos encaminhamentos. Ela sentiu mais confiança numa pessoa que não conheceu pessoalmente do que no profissional ao qual fazia acompanhamento e isso me fez ter a ideia desse texto. Como saber se o psicólogo que eu escolhi para me ajudar é um bom profissional?


É preciso ter em mente que em qualquer profissão podemos nos deparar com profissionais mal formados, despreparados ou mesmo muito inteligentes, mas com pouca (ou nenhuma) competência para seguir aquela carreira. Como trabalho na saúde, escuto muitos relatos de pacientes queixando-se do tratamento que recebem dos médicos. Nesses relatos há queixa de falta de humanidade no atendimento, "o médico nem me olhou, nem me examinou, fez umas perguntas e foi passando uma receita", do descaso e até da rispidez "Doutor, eu continuo sentindo dor" e o médico responder "Não posso fazer nada". Fico inclusive curioso para entender como esses médicos são formados, o que é passado sobre como atender um paciente. A pessoa não é uma doença e muito menos um prontuário ou pedaço de carne. Um paciente doente é uma pessoa em sofrimento com toda uma história de vida e deve ser acolhida e respeitada. Infelizmente isso não ocorre na prática.

Em psicologia não e muito diferente. Já soube de muitos absurdos e essas pessoas continuam por aí promovendo não um tratamento sério, mas um embuste ao paciente leigo que muitas vezes não faz ideia de que está sendo enganado. Assim como na Medicina, a Psicologia também lida com vidas, uma psicoterapia mal executada, a falta de preparo do psicólogo e o fato do mesmo nunca ter feito terapia para lidar com seus próprios conflitos pode sim causar danos irreparáveis a um paciente que esteja fragilizado, ou que tenha propensão ao suicídio. 


Outro exemplo comum, não menos repugnante, são os psicólogos que se aproveitam da fragilidade do paciente para seduzi-los e ter aventuras sexuais. Psicologia é uma ciência que estuda o comportamento humano, as patologias mentais, as dificuldades das relações interpessoais. Então se o seu psicólogo sugere uma "massagem" para você relaxar alguma coisa está errada. Esse tipo de atitude além de ser antiética, é imoral e mancha toda uma categoria. Existem alguns tipos de terapia que podem envolver o toque, mas isso é explicado e existe um contexto clínico. 

O bom terapeuta percebe quando a terapia está muito erotizada e caso não consiga reverter a situação ele deve encaminhar o paciente para outro profissional. Você pode estar se perguntando "mas e se eu me apaixonar pelo terapeuta e ele por mim?" Nesses casos, se ambos decidirem manter um relacionamento sério, o tratamento com esse profissional chega ao fim e, deve ser continuadonão deve se relacionar afetivamente com seus pacientes, não deve se envolver sentimentalmente com eles, uma vez que isso compromete todo trabalho terapêutico e pode ter consequências catastróficas. vou dar um exemplo disso. 
caso haja necessidade, por outro psicólogo. O que quero deixar bem claro aqui é que o psicólogo profissional


Imagine que a moça vai ao psicólogo para trabalhar seus sentimentos de baixa autoestima porque foi rejeitada pelo namorado e tem um histórico de rejeição na família. Eis que nesse momento onde ela se encontra fragilizada ela se sente atraída pelo psicólogo e este, pela sua incompetência ou qualquer que seja o motivo (injustificável), se envolve com ela, eles se beijam, fazem sexo, trocam mensagens. É então que esse psicólogo, que via isso como uma aventura, decide "terminar" com a paciente.  A paciente com histórico de rejeição, sentimentos de baixa estima e deprimida não suporta e comete suicídio. É plenamente possível. A seguir, deixo algumas dicas para ajudar o paciente leigo a reconhecer um bom terapeuta.


  • Pergunte acerca da formação desse profissional, que tipo de casos ele atende, onde ele se formou, que tipo de trabalho desenvolve, qual sua experiência. Isto lhe ajuda a conhecer um pouco do lado profissional e técnico do profissional.
  • Se possível, busque informações sobre o terapeuta com outros pacientes atendidos por ele ou em instituições onde ele trabalha. 
  • Sempre pergunte sobre o seu tratamento, diagnóstico ou qualquer dúvida que surja durante a terapia. Muitas pessoas tem vergonha, medo ou acham que isso é desnecessário. Não é. Quanto mais você souber sobre isso, melhor.
  • Desconfie de qualquer situação estranha na terapia, questione os objetivos do que o terapeuta propõe e peça para que ele informe como aquele procedimento pode ser útil com você.
  • O tratamento psicológico é baseado na conversação, e na aplicação das orientações fornecidas pelo profissional. Qualquer coisa que vá além disso questione. 
  • Qualquer tentativa de contato físico, troca de fotos ou mensagens é estranho. Desconfie. 
  • Mesmo que o terapeuta siga o código de ética isto não faz dele um bom profissional. Falta de conhecimento técnico pode tornar a terapia um processo sem resultados. Caso não sinta melhora no seu problema, depois de algum tempo em terapia, converse com seu terapeuta sobre isso. 
  • É preciso ter confiança e empatia com o profissional que você escolheu para lhe tratar. Sem isso, a terapia pode ficar estagnada. Caso não se sinta à vontade com o psicólogo que escolheu ou não se sinta confiante nada te impede de procurar outro profissional. Não insista em algo que não está te dando retorno.
  • Por fim, existem muitas abordagens psicológicas, assim como a medicina tem suas ramificações, e determinados problemas às vezes necessitam de uma abordagem específica. Como saber que tipo de abordagem pode tratar seu problema? Pergunte ao seu terapeuta ou ao Conselho de Psicologia da sua região.

Uma última observação. O tratamento psicológico geralmente é uma jornada demorada e difícil, muitas vezes requer tempo e investimento do paciente na sua melhora, logo a responsabilidade também é do paciente em seguir as orientações do profissional. A melhora dos sintomas, do problema que o paciente está vivenciando nem sempre vem rapidamente, porque a conscientização do comportamento e a mudança de atitude são processo lentos, na maioria das vezes. 

Caso você sinta que algo está errado ou que o paciente está indo além da terapia realizando práticas inadequadas denuncie. Além de te prejudicar ele provavelmente já prejudicou outro e irá prejudicar muitos. Busque o conselho de psicologia que contemple sua região, é fácil achar na internet, e se informe sobre o que está acontecendo e faça a denúncia. Só assim poderemos extirpar os profissionais antiéticos do meio e permitir que as pessoas tenham atendimento de qualidade. 

Espero que essas dicas tenham ajudado, me ponho a disposição para qualquer dúvida, crítica ou sugestão.  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

MEDO DE DIRIGIR: QUANDO IR AO PSICÓLOGO?

Nos dias de hoje, dirigir é importante e faz parte do nosso cotidiano. Quando não dirigimos, na maioria das vezes estamos sob a responsabilidade de alguém que dirige e que nos transporta para nossos compromissos. Entretanto, existem aquelas pessoas que tem alguma dificuldade em pegar o voltante. Vamos falar um pouco sobre isso nesse artigo.

Dirigir parece ser algo simples e tal comum que não percebemos que muitas pessoas passam por um tormento para executar essa tarefa. Pesquisas mostram que as mulheres são as que mais sofrem com esse problema: ao mesmo tempo que são, em sua maioria, mais cuidadosas ao dirigir muitas delas passam por problemas relacionados a condução de veículos. Numa dessas pesquisas foi constatado que 45,2% dos entrevistados tinha habilitação mas não dispunha do veículo para praticar. Depois de um tempo, essas pessoas acabam se tornando dependentes de outros condutores e presenciam diversas situações no trânsito que podem minar sua confiança, causando assim um bloqueio para o ato de dirigir. 

Muitos acreditam que o medo de dirigir vem de experiências traumáticas, tais como acidentes, por exemplo, onde é comum o Transtorno de Estresse Pós Traumático (clique para ler o artigo sobre esse tema), todavia isso é uma percepção errônea, baseada no senso comum. Estudos mostram que uma apenas uma pequena porcentagem (em torno de 18%, mas a amostragem era de 93 pessoas) dessas pessoas sofreram algum tipo de acidente relacionado ao trânsito. Segundo esse estudo:

"Mais fatores relevantes para as pessoas não dirigirem foram o comodismo (15,1%), a falta de incentivo (12,9%), recebimento de críticas constantes no período da autoescola (8,6%), conduta adotada pelos instrutores (6,4%), intolerância aos próprios erros (8,6%) e outros motivos, como adoecimento e mudanças para outros locais de moradia com o trânsito diferente do de onde aprenderam a dirigir (8,6%)"¹


E além disso: 

"...a maioria das pessoas se queixou de: não ter boa noção de espaço (91,4%), ter dificuldade para estacionar (90,3%), não saber sair com o carro em uma subida (90,3%), ter dificuldade em dirigir em tráfego intenso (89,2%), não conseguir dirigir sozinhas (89,2%) e não dominar o trajeto de casa para o trabalho (83,9%). Além disso, queixas como de não saber estacionar na própria garagem (82,8%), não dirigir em rodovias (82,8%), não dominar todas as marchas (81,7%) e não conseguir fazer curvas rápidas (78,5%)"


Fica claro que existem dois fatores a serem considerados. O primeiro é o fator interpessoal, o
segundo é questão do treinamento das autoescolas. Vamos falar primeiro do curso de direção fornecido pelas autoescolas. Já ouvi pessoas comparando o treinamento de condutor ao cursinho de pré-vestibular- ele te ensina a passar na prova, no caso da autoescola, a passar pela prova do Detran. Mesmo treinando nas ruas, o condutor não sai preparado para as situações reais do cotidiano do trânsito. lembro quando tirei minha habilitação anos atrás que o instrutor me ensinou muito bem como fazer todas as manobras necessárias para obter êxito na prova prática, mas eu fui aprender como dirigir pra valer no cotidiano, nas ruas, enfrentando o movimento frenético de pedestres, ciclistas, motociclistas, coletivos, etc. Não sei se todas as autoescolas funcionam assim, mas um curso voltado não só para passar no exame do Detran mas também para ensinar de fato como dirigir poderia ajudar muito essas pessoas. Isso implicaria numa reformulação dos cursos de formação de condutores.

O fator interpessoal é outro aspecto fundamental no que diz respeito ao ato de conduzir um veículo. Primeiro a pessoa deve ter o treinamento adequado, saber o básico do funcionamento, como se executam suas manobras etc. Segundo a pessoa deve ter confiança em si. Quando essa confiança da lugar ao medo criam-se barreiras que atrapalham a pessoa a dirigir.


O MEDO DE DIRIGIR

"O medo é um mecanismo de proteção. Quando nos defrontamos com o perigo, seja ele de qualquer natureza, o corpo se arma para enfrentar "o inimigo". A partir de uma reação de luta ou fuga, o organismo ativa o sistema nervoso simpático, liberando as substâncias adrenalina e noradrenalina. Estas promovem alterações fisiológicas que viabilizam a defesa do indivíduo, como o aumento da frequência cardíaca, a constrição dos vasos da pele, a redução da atividade gastrintestinal, o aumento da taxa respiratória, o aumento da sudorese e a dilatação da pupila"²

Essa sensação de medo vai persistindo conforme a pessoa cria em seu imaginário situações catastróficas ligadas ao ato de dirigir, ou seja, imagina acidentes e afins, e para se proteger desenvolve esse comportamento de fuga/ esquiva do ato de conduzir o veículo. Algumas pessoa acreditam que o medo vai passar com esse ato de evitação, mas estão profundamente enganadas. Isso apenas vai trazer um alívio momentâneo da situação ao mesmo tempo em que mina a confiança do sujeito que se torna totalmente inseguro para tentar outras vezes. Daí pode variar de um simples medo ao pânico/ fobia total de dirigir. No estudo citado nesse artigo, veja o que as pessoas pensam/sentem sobre isso:

"...medo de errar (75,3%), medo de causar um acidente (72%) e medo de perder o controle da situação (61,3%). Além disso, 59,1% dos sujeitos disseram sentir aflição, 23,7% relataram sentir vergonha das outras pessoas e 23,7% apontaram ter vontade de desistir. A impaciência foi apontada por 20,4% das pessoas, enquanto 19,4% relataram sentir vontade de chorar, 17,2% disseram ter dificuldade de concentração e 3,2% frisaram sentir vontade de brigar.¹"

Logo, se percebe uma gama se sentimentos e pensamentos negativos relacionados ao medo de dirigir. E embora as pessoas não sejam obrigadas a serem motoristas, muitas precisam dirigir por necessidade, para se deslocar melhor dentro das cidade, visto que o transporte público em nosso país é bastante deficitário. A pessoa com fobia de dirigir pode procurar um psicólogo para lhe auxiliar a lidar com esse comportamento e aqui faço uma ressalva. Há uns anos atrás existia em minha cidade um instrutor de direção que se dizia especialista em fobia para dirigir e na sua propaganda ele dizia que iria ajudar a pessoa a superar seus medos. Esse indivíduo não possuía nenhuma formação em Psicologia ou Psiquiatria, sendo habilitado apenas como instrutor de direção. A questão é, como poderia ele ajudar uma pessoa sem entender nada do comportamento humano? Talvez ele trabalhasse apenas a questão prática da direção, estimulando a pessoa positivamente, mas dependendo da pessoa e do que ela está sentindo isso não é o suficiente. Apenas um profissional com formação em saúde mental teria conhecimento científico e técnico para diagnósticar que tipo de transtorno está relacionado e ajudar a pessoa a entender esse sintomas através de uma terapia. Então fica o alerta para esse tipo de prática, procure sempre um profissional capacitado.   

Dirigir é algo que como tudo na vida requer prática e atenção. E assim como muitas coisas, nem todos fazem excelentemente. É como tocar violão. Posso aprender a tocar violão e saber o básico e nunca ir além disso, mas existirão pessoas que podem aprender com muita facilidade e se tornarem mestres da música, ao passo que outras nunca vão tocar direito os acordes. Quanto mais treino, vontade e dedicação melhor. E para vencer os medos e as dificuldades pode ser necessária a ajuda de um profissional psicólogo. Dirija com cuidado e até o próximo artigo.


REFERÊNCIAS:
1-http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852013000200005&lang=pt
2-http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082011000100007&lang=pt
3-http://comportese.com/2014/03/o-medo-de-dirigir-uma-visao-analitico-comportamental/

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

DIA DO PSICÓLOGO- 27/08

Hoje é uma data de muitas conquistas para nossa categoria. São 53 anos de muita luta e ascensão nas mais diversas áreas do conhecimento. Como promotor da saúde e do bem estar de seus pacientes, o psicólogo não está envolvido apenas na clínica, mas também no esporte, no trânsito, nas organizações, nos hospitais, no judiciário, na saúde mental, na saúde coletiva,

na prevenção em saúde, no social, no combate a violência contra crianças, adolescentes e idosos e em instituições e outros locais que não consigo lembrar agora de cabeça. O psicólogo é responsável por promover o bem estar e a (re)adaptação das pessoas no seu processo vital de desenvolvimento. Desta forma nos comprometemos em auxiliar as pessoas a recuperar sua autoestima, a escolher melhor caminhos que vão levar o crescimento pessoal. O psicólogo é aquele guia que acompanha o paciente por uma jornada dolorosa, sempre ao lado dele, mas apenas como guia, pois quem trilha verdadeiramente o caminho é o próprio paciente.

Não somos uma profissão reconhecida, ainda existem muitos estimas e preconceitos, ainda não temos piso salarial e falta a nossa categoria uma organização melhor por direitos trabalhistas, visto que trabalhamos com sofrimento psíquico, o que é muito desgastante por um lado, porque doamos nossa energia para compreender a subjetividade maculada do paciente. Além disso, não somos, de forma alguma, uma categoria unida, infelizmente. Os Psicólogos tendem a ser separatistas por conta das linhas teóricas que seguem, quase como um fanatismo religioso, sendo que estamos tentando construir aqui um saber científico sólido e bem embasado, e como todo saber ele pode estar equivocado, sofrer atualizações e modificações. Outra tristeza são os psicólogos que praticam atividades fora da psicologia colocando-as como práticas cientificas, enganando o paciente e faltando com a ética. 

Apesar de tudo isso eu amo minha profissão. Não tenho reconhecimento, não tenho boas condições de trabalho, tenho o estigma daquele que cuida "dos loucos", mas mesmo assim tudo isso se desfaz como lágrimas na chuva quando um paciente me olha e diz "Eu não sei o que seria da minha vida sem o senhor" ou "Se não fosse por essa terapia eu teria me matado" ou ainda "Eu só consegui ter uma boa relação com minha filha graças as suas orientações". É isso que me move. É isso que me dá combustível para caminhar através das dificuldades como alguém que caminha num museu: admirando diferentes eras, diferentes problemas que acontecem e que não depende apenas de mim resolvê-los. É com muito amor que eu dedico esse dia a todos os pacientes que eu atendi e, se falhei com algum deles em algum momento, peço perdão, porque antes de psicólogo, acima de tudo, sou humano.


Leonardo Viana de Vasconcelos Martins
Psicólogo Clínico- Especialista em Psicodiagnóstico
CRP 11/05089

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Garra Rufa (Doctor Fish)- O Trabalho do Psicólogo

Olá a todos que acompanham o blog, hoje vou deixar a disposição de vocês uma animação curtinha de menos de cinco minutos que mostra de forma didática e surreal o que é o trabalho de um psicólogo, como é esse processo da escuta, da mudança, etc. Essa animação foi produzida por artistas da Faculdade de Sheridan. Espero que gostem!




PERGUNTE AO PSI #1

Olá a todos que acompanham meu trabalho, estou aqui para informar que estou inaugurando uma nova seção por aqui onde as pessoas podem enviar suas dúvidas, perguntas, solicitando algum tipo de orientação ou dicas. Mandem as mensagens para o e-mail leonardobozzano@hotmail.com ou deixem nos comentários (as perguntas deixadas nos comentários serão apagadas e replicadas na postagem do blog). Incluam pelo menos um nome (ou pseudônimo) para eu saber a quem me dirigir e escrevam a pergunta/ dúvida / solicitação etc,  da forma mais clara possível. Então sempre que eu atingir um número suficiente de perguntas eu farei uma postagem respondendo a todas. Então, vamos ao que interessa!



Pergunta: Psicólogo infantil deve ter registro especial para trabalhar com crianças?
Milene Reis

Dr. Leonardo: Olá Milene, não é necessário um registro especial para atender crianças, qualquer psicólogo pode fazê-lo. Entretanto, é  aconselhável que o Psicólogo que vai atender crianças tenha cursos na área ou alguma pós-graduação, uma vez que é muito diferente do atendimento com adultos, requerendo um conhecimento mais específico. A sugestão é perguntar sobre a formação do Psicólogo antes de iniciar os atendimentos. Boa sorte!


Pergunta: Como saber se meu namoro tem salvação?
Carol. 

Sou divorciada. Após um tempo, conheci um novo homem, que mora em outra cidade, trabalha viajando. Começamos a namorar, estamos juntos há 7 meses. Mas por motivos de estresse no trabalho dele, estresses meus e muita insegurança e carência da minha parte, ele se aborreceu feio comigo... Disse que eu não podia ser uma pessoa tão insistente. Reconheci o erro e me desculpei. Estou tentando não ser tão invasiva e respeitar o espaço dele. Ainda estamos nos falando, ele diz que está tudo certo, mas eu sinto algo estranho. Não consigo mais ser espontânea, penso mil vezes antes de mandar uma mensagem de boa tarde que seja, me sinto tão pressionada para não ser uma pessoa pesada que é como se eu estivesse o tempo inteiro pisando em ovos. Será que temos possibilidades de reconciliação ou se ele veio me falar que sou uma pessoa insistente e ansiosa é porque não tem mais jeito? E preciso também descobrir se vale a pena para mim, pesar os prós e contras... Ajudem-me por favor...


Dr. Leonardo: Oi Carol, vamos lá. A carência e ansiedade juntas sempre criam dificuldades na interação com os parceiros. Não é fácil trabalhar essas atitudes e sentimentos, sendo aconselhável buscar um psicólogo para lhe ajudar a lidar consigo mesma. Quanto ao seu relacionamento, analise os pontos positivos e negativos dessa relação e veja se vale a pena para você investir nisso ou buscar uma nova relação. Se cuida.



Pergunta: Minha filha de 13 ano,s é muito tímida e não consegue se enturmar na escola
Marina Takemoto

Bom dia, minha filha tem 13 anos e é extremamente tímida. Ela na escola é muito tímida, tem poucas amigas, e não consegue se enturmar com as outras meninas. Acontece que na sua sala tem sempre as meninas que se julgam populares, e a minha filha não gosta muito dessas meninas, acha elas fúteis demais, mas sua única amiga agora está querendo andar com essas ditas "populares" e a deixa de lado. E ela sofre, eu sofro junto, só consigo aconselhar para ela tentar se enturmar mais, mas ela me diz que não consegue. Ela sempre me diz que prefere o mundo virtual do que o mundo real, e passa muitas horas na internet. Nas festas das meninas da escola ela nunca é convidada, uma certa vez uma das meninas entregou convite de seu aniversário para todos na frente dela , e ela não foi convidada, isso deixou ela super magoada e nesse dia eu chorei muito porque sei que ela sofreu muito com essa exclusão. Mas toda vez que tento aconselhá-la a se soltar mais, tentar se enturmar, ela fica muito nervosa comigo, grita, dizendo que já sabe de tudo isso, mas ela não consegue. Bem, não sei mais o que fazer.


Dr. Leonardo: oi Marina, sua filha apresenta um comportamento introvertido, isso está bem claro, faz parte da personalidade dela, seu jeito de funcionar no mundo. Tanto ela quanto você devem aceitar isso. Nem sempre será possível ela se enturmar em todos os grupos, ela deve buscar grupos com o qual sinta afinidade e segurança. Frustrações e decepções na escola fazem parte do crescimento como pessoa. Seja uma mãe presente e amiga e apoie sua filha, ensinando que esse tipo de situação faz parte. Caso sinta necessidade, procure um Psicólogo. Abraço!



Dúvida: Traição pelo facebook
Wenison

Estou em uma situação muito complicada e difícil, por isso gostaria de ouvir a opinião de vocês. É o seguinte: tenho um relacionamento de aproximadamente 3 anos e sou noivo com minha namorada, só que aconteceu algo que nunca imaginei acontecer, sempre amei ela e a tratei com muito respeito, tanto que nunca a trai, só que ela conheceu um cara pela internet e esse cara começou a dar em cima dela e ela começou cair nos papos dele, o negócio chegou tão longe que ela já estava mudando muito comigo e até me evitando e me tratando com frieza, comecei a desconfiar e botei ela contra a parede e ela me confirmou a história e disse que realmente estava envolvida virtualmente com ele, pra piorar ela disse que conheceu um outro lado dela, o lado interesseira, porque segundo ela o cara era muito romântico e de família um pouco rica e tava cursando engenharia na faculdade e etc. Mas ai veio a questão o cara iludiu ela e depois apareceu dizendo pra ela que iria namorar com outra e tudo! Daí agora ela está toda arrependida, sinceramente não sei o que fazer, devo desculpá-la? Ou devo terminar? Estou perdido, não sei o que fazer, ando meio paranóico, não estou confiando nela, apesar dela dizer que se arrependeu e que ela não sabe o que aconteceu com ela, uma parte de mim (emoção) quer perdoar e seguir com ela e outra parte de mim (razão) não quer! Me ajudem gostaria de comentários que me dessem uma luz, fico pensando que nosso amor não pesou em nada para ela?! Estou triste demais.


Dr. Leonardo: A primeira coisa que você deve fazer Wenison é ter consciência do seu sentimento por ela. Apesar da decepção e da insegurança que você está experienciando o que você sente ainda por ela? Acha que essa relação vale a pena? Você deseja estar com ela no momento? Tendo respondido esses questionamentos, converse com ela, uma conversa franca. Pergunte a ela o que ela deseja e espera de um namorado, o que ela sente falta em você, se tem algo em você que ela não gosta. A partir das respostas dela ficará mais claro para que você tome sua decisão. Espero que tenha ajudado.



Dúvida: O problema sou eu?
Renata

Olá, como faço para meu marido me ouvir? Se interessar pela relação? Não conseguimos conversar mais, ele me diz coisas que me magoa direto, não me respeita e para não assumir o próprio erro me ignora, aí fico com raiva, aí ele pega essa minha raiva e começa falar que estou sempre brigando, mas é ele que nos coloca nessa situação, sempre ignorando tudo e vivendo no "seu mundo". Eu o amo muito, mas estou cansada de pedir atenção, beijo... ele só esta bem quando vamos para cama...



Dr. Leonardo: Olá Renata, existe algo na relação de vocês que não está funcionando. A reação do seu marido pode ser devido a muitos fatores, tanto da própria relação de vocês, como de fatores externos (o trabalho, por exemplo). O primeiro passo é o diálogo, é a forma primária de tentar esclarecer e solucionar um conflito. Quando o diálogo não é possível você deve buscar outras estratégias para chamar a atenção dele, de modo que ele perceba que vocês precisam resolver as coisas. Aconselho a buscar apoio psicológico pois assim você poderá detalhar mais essa relação para o profissional que irá te orientar de forma mais precisa. Boa sorte.



Dúvida: Refazer o casamento ou viver uma paixão?
Kelly.

Fui casada por mais de 15 anos com um homem íntegro, muito trabalhador, dedicado à família. Temos duas filhas. Nossa relação sempre foi baseada na responsabilidade, me casei muito jovem. Saíamos mais para comer e viajávamos todo ano. Tínhamos uma vida financeira estável, casa e carro bons, contas pagas em dia. Ele é uma excelente companhia... divertido, gentil, mas não há paixão. Tenho um sentimento por ele de extremo amor, quase fraternal. O sexo seria uma obrigação e acho que ainda sou jovem demais para isso, tenho 35 anos. Eis que um dia me apaixono e aí sim conheci a loucura de uma grande paixão. Ele me deixa atônita, gostamos das mesmas coisas, de atividade física, samba. O sexo é dos deuses! Porém, ele é um homem instável e não muito gentil, se comparado ao primeiro, que sempre me serviu, sempre fui mimada pelo ex-marido e sinto falta dessas gentilezas. Ele não tem responsabilidades... o que mais me preocupa. Trabalha só pensando em beber e sair e odeio bebida. Ele não é agressivo comigo, mesmo quando bebe, apesar da fama de briguento. Por conta dessa paixão desenfreada, me separei, meu ex tentou o suicídio e ele ainda não refez a vida. Não me ajuda financeiramente com as nossas filhas porque está trabalhando para sobreviver, está dependendo da boa vontade das pessoas. Vivo fazendo contas e não entro com pedido de pensão por 
compaixão a ele. Ele disse que eu era o motivo da determinação dele, sem mim não há motivo para nada. Minha paixão foi interrompida recentemente. Hoje me pergunto: o que vale a pena... viver loucamente esse sentimento que me tira até a lucidez ou viver uma vida serena, onde as minhas filhas serão as maiores beneficiadas, além daquele que sempre foi uma pessoa íntegra. Pequeno detalhe... o sexo certamente será um enorme problema nessa perspectiva de retorno, porque experimentei uma relação praticamente impossível de encontrar em outro homem. A razão diz para retomar o casamento, entre outras razões, por ter um parceiro para dividir as responsabilidades com as filhas, que são muitas. Não vejo grandes perspectivas de futuro com a minha paixão daqui 15 anos. Ele quer filhos e eu não mais. Tenho medo porque sei o quanto custa, emocional e financeiramente, criar bem um filho. Mas meu coração o quer, a cada segundo, mesmo sabendo de todos os problemas...Detalhe: eu, meu ex e minha filha nos agredimos por conta da separação. Ele me agrediu e ela saiu aos tapas com ele para me defender. A nossa filha não fala com ele. Me sinto culpada por tudo que aconteceu com ele, porque sempre foi um bom homem e hoje está aos trapos. Qual é o preço que devo pagar? Viver com essa culpa pelo futuro incerto do meu ex, que como ele mesmo diz, acho que a sina dele é trabalhar. Ou me jogar e arcar com as consequências por simplesmente querer amar?


Dr. Leonardo: Olá Kelly, primeiramente é importante ter em mente que a vida é feita de escolhas. Quando uma relação não está de acordo com nossas expectativas é importante estar ciente disso e procurar discutir com o parceiro sobre as necessidades de cada um e como chegar a um consenso. O que ocorre é que muitas vezes as pessoas buscam uma válvula de escape, no seu caso uma relação extraconjugal, que desenvolve uma série de problemas (consequências diretas e indiretas da sua escolha). São essas escolhas que constroem sua vida, ou podem destruí-la, por isso é preciso estar bem ciente delas. Você deve analisar o que é melhor para você, o que você realmente deseja, quais suas necessidades. Só reconhecendo esses fatores fica mais claro escolher. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Psicoterapia e Medicalização do Sujeito

Muito se discute sobre a necessidade do uso de medicação psicoativa e da eficácia da psicoterapia. Nesse breve artigo tentarei falar de ambas, sua importância e a necessidade de cada uma. 

Vivemos num futuro onde a maioria das doenças são curáveis através de vacinas, de máquinas especiais ou de remédios. Medicamentos são drogas que agem no corpo, alterando a bioquímica das células de modo a alcançar um efeito específico. Numa definição mais específica, medicamento é:

"Toda a substância ou associação de substâncias apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em seres humanos ou dos seus sintomas ou que possa ser utilizada ou administrada no ser humano com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas"

Em medicina é um recurso bastante utilizado para tratar inúmeras moléstias, mas quando chegamos no campo da saúde mental esbarramos em vários pré-conceitos, estigmas e inverdades e práticas desnecessárias que muitas vezes dificultam a adesão do tratamento e trazem descredibilidade ao tratamento Psicológico e Psiquiátrico. Acontece que as drogas psicoativas (ou substância psicotrópica, é uma substância química que age principalmente no sistema nervoso central, onde altera a função cerebral e temporariamente muda a percepção, o humor, o comportamento e a consciência) evoluíram muito ao longo dos anos, embora muitas vezes sejam utilizadas de forma indevida. 

Acontece que quando é feito o diagnóstico Psicológico/Psiquiárico, muitas vezes se faz necessário o uso de medicamentos específicos para ajudar no tratamento; drogas que vão aliviar o mal estar, reduzir a ansiedade, o medo, aliviar a sensação de tristeza e pânico, reduzir a insônia, eliminar as alucinações e os pensamentos delirantes e o comportamento maníaco. Os medicamentos psicoativos servem para uma infinidade de quadros sintomatológicos e tem sua eficácia comprovada através de estudos médicos, neurológicos e neuropsicológicos. 

Entretanto, por conta da falta de preparo, humanização ou boa vontade do profissional o paciente nem sempre é informado do seu diagnóstico e na grande maioria das vezes também não é orientado acerca da medicação que está fazendo uso. Toma os "remédios pra cabeça"(ou para os nervos) sem saber para que servem, seus efeitos, etc. Dependendo do paciente isso pode até ser irrelevante, mas mesmo um paciente que não responde pelos atos da vida civil, como um paciente com algum grau de retardo mental, esquizofrenia ou psicose, a família deveria ser informada sobre tudo, afinal faz parte do tratamento.

Pela minha experiência cotidiana existe uma prática entre muitos profissionais da psiquiatria que é a de apenas medicar o paciente, muitas vezes sem ouvi-lo realmente, sem conhecer sua queixa real, sua necessidade, pondo toda responsabilidade da cura no medicamento. Uma vez que o sujeito é colocado em segundo plano, a melhora ou a "cura" dessa pessoa acaba tomando um rumo incerto, uma vez que essa medicação psicoativa atua nos sintomas dos transtornos psicológicos e não na causa, assim sendo apenas aliviam e mascaram o problema.


QUAL O PAPEL DA PSICOTERAPIA?

Aliado ao diagnóstico e a medicação existe a psicoterapia. Sua definição é:




"Um tipo de terapia, cuja finalidade é tratar os problemas psicológicos, tais como depressão, ansiedade, dificuldades de relacionamento, entre outros problemas de saúde mental. É um processo dialético efetuado entre um profissional, o psicoterapeuta - que pode ser psicólogo ou psiquiatra - , e o cliente ou paciente".


Os objetivos da psicoterapia são:

-Restabelecer o funcionamento psíquico do paciente para que volte ao estado de equilíbrio;
-Permitir que o paciente compreenda o que acontece com ele a nível psicológico, emocional e comportamental para que possa encontrar recursos psíquicos para lidar com suas dificuldades, problemas, etc;
-Desenvolver meios de agir no mundo, estratégias, redefinindo suas atitudes, pensamento e modo de encarar a vida;
-Solucionar problemas pontuais, que o afligem (como a perda de um ente querido, por exemplo), bem como, tratar de questões de cunho mais existencial.

Você deve estar se perguntando se para tratar tudo isso é necessário medicação e a resposta é: não. Muitos problemas que chegam aos consultórios de Psicologia/Psiquiatria poderiam ser trabalhados apenas com psicoterapia, sem necessidade de medicação, embora muitos psiquiatras acreditem que o seu maior poder esteja na prescrição dessas drogas e muitos pacientes julguem que somente essas drogas vão tirá-los de seu problema. Esse é um erro tão comum, mas tão gritante que deveria ser esclarecido ao pacientes pelos bons profissionais que trabalham na área. Um bom diagnóstico vai delimitar a real necessidade ou não da medicação.

Deixo claro aqui que algumas condições clínicas são crônicas e o uso da medicação é imprescindível, até mesmo pelo resto da vida como nas esquizofrenias, psicoses, transtorno obsessivo compulsivo, transtornos de personalidade (borderline, por exemplo). Nesses casos é fundamental o uso contínuo da medicação que melhor se adequar ao paciente, mas também se faz necessário a psicoterapia para ajudar o paciente a lidar com seus sintomas, com sua angústia e aprender melhor sobre seu transtorno de modo que possa ter uma qualidade de vida.


A farmacologia e a psicoterapia não devem ser inimigas, mas aliadas. Minha crítica gira em torno a penas do uso desnecessário de medicamentos em situações que o paciente pode lidar com a ajuda da psicoterapia, sendo que muitas vezes é encorajado por médicos (clínicos ou psiquiatras) a usar determinada medicação como forma de alívio imediato dos sintomas. O problema é que o sintoma aliviado não some, muitas vezes ele muda de lugar e cresce como um monstro que começa a devorar o sujeito por dentro. Sem um trabalho terapêutico de pouco adianta a medicação, ela irá só amenizar os sintomas físicos, mas não dará autonomia para o paciente para compreender suas dificuldades reais e lidar com ela. Outra questão é que a medicalização desnecessária possa criar pessoas dependentes de certas classe de remédios, os famosos tarja preta. Já atendi pessoas dependentes de diazepam, por exemplo, que usavam a droga há 30 anos sem necessidade alguma.

Desta forma, sempre questione seu médico sobre a real necessidade do medicamento, sobre seus efeitos no seu corpo e sobre os benefícios de usá-lo. Para finalizar, lembro de uma vez em que eu estava com muita insônia e fui a um clínico geral, já esperando que ele fosse me medicar com algum sedativo, como é de praxe. Depois de duas horas de consulta (isso mesmo, duas horas, enquanto que muitos médicos passam dez minutos para examinar um paciente), o simpático doutor cuja filha era psicóloga me deu orientações em como lidar com meu estresse e não me passou NENHUM remédio. Pela primeira vez na vida saí de um consultório médico sem receita. Quem dera existissem mais profissionais médicos assim, com um olhar mais humano e menos biológico/farmacológico.




Referências:

Vida Celeiro - Revista de Saúde, Beleza e Bem-estar. N.º16 - Inverno 2012. Pág.26

http://www.dre.pt/pdf1s/2006/08/16700/62976383.pdf

http://www.infoescola.com/psicologia/psicofarmacologia/

sábado, 25 de maio de 2013

DÚVIDAS MAIS FREQUENTES!


Para começar as atividades deste blog, resolvi fazer uma postagem que englobasse uma série de dúvidas e questões comuns que as pessoas tem. As perguntas são baseadas nos questionamentos que eu escuto por aí, de pessoas leigas que não conhecem o trabalho do psicólogo, então o intuito aqui é o esclarecimento.

Este será um dos posts mais interessante desse blog e também um dos mais úteis, uma vez que estarão reunidas aqui várias perguntas e respostas ligadas a atuação do psicólogo. Gostaria que vocês também enviassem suas dúvidas para que sejam acrescentadas aqui, enviem a pergunta/dúvidas para o e-mail leonardobozzano@hotmail.com e na mensagem não esqueçam de incluir nome (ou um pseudônimo) e idade.



Qual é o trabalho do Psicólogo?
R: Depende da área onde ele atua, mas o princípio norteador da atuação de qualquer psicólogo é o seu Código de Ética. Devemos primar pelo bem estar dos nossos pacientes e das pessoas com quem trabalhando, sempre respeitando os Direitos Humanos e as convicções particulares de cada indivíduo.

Quais as áreas de atuação da Psicologia?
R: Inúmeras. Psicologia Clínica, Psicologia Organizacional, Hospitalar, Escolar, Jurídica. Vai depender de onde o profissional estiver inserido.

Todo psicólogo atende pessoas?
R: Não. Geralmente são os psicólogos clínicos que realizam Psicoterapia, se for esse tipo de atendimento ao qual você se refere. O Psicólogo Escolar por exemplo orienta os alunos e elaboras estratégias dentro do contexto escolar para melhorar o desempenho, auxilia no processo de escolha vocacional, enquanto o Psicólogo Hospitalar atende pacientes internados nas unidades hospitalares, atuando de forma a minimizar o sofrimento e a angústia desses. O Psicólogo Organizacional trabalha com recrutamento e seleção, desenvolve estratégias dentro da empresa visando a melhoria das relações de trabalho e o desempenho dos funcionários. O modelo de atendimento clássico que a maioria das pessoas imagina é realizado mesmo pelo Psicólogo Clínico, num consultório adequado e privado.

Como eu sei que eu preciso procurar ajuda de um Psicólogo?
R: Se você estiver passando por alguma problema contínuo e não estiver conseguindo superar uma determinada situação, seja sozinho ou com suporte de amigos/família esse é um bom indicativos. Estados duradouros de angústia, medo, insegurança, solidão também. A nossa mente sempre busca alternativas para escapar de estados que nos cause sofrimento, mas quando isso se torna persistente e começa a afetar seu dia a dia, dificulta a realização de atividades cotidianas como ir a escola, trabalhar, se relacionar com as pessoas, então é um bom indicativo para buscar ajuda.
Posso ir ao Psicólogo sem ter nenhum problema aparente?
R: Sim, não há contraindicação para psicoterapia. Ela pode tanto ajudar uma pessoa com transtornos psicológicos, quanto auxiliar no autoconhecimento e no desenvolvimento de capacidades interpessoais.

Estou sentindo coisas estranhas, procurei na internet de acordo com meus sintomas e acho que tenho um transtorno psicológico grave. O que devo fazer?
R: Primeiro tenha calma. Entenda, não é porque você conseguiu comparar o que você sente com descrições de transtorno que você terá um. Para caracterizar um transtorno a pessoa deve ter vários sintomas que preenchem critérios diagnósticos. Além disso, deve ser avaliada por um profissional Psicólogo ou Psiquiatra que poderá esclarecer esse diagnóstico. Então nada de ficar procurando doenças na net!

Quais os tipos de problemas que o Psicólogo trata?
R: Além dos Transtornos Psiquiátricos, o psicólogo clínico pode trabalhar inúmeras questões, desde gagueira até ejaculação precoce. Mas lembre-se que antes de tudo o psicólogo avalia a gênese do problema, investigando tudo para determinar se a causa de um problema é mesmo psicológica. Se o paciente já vem do médico dizendo que "meus exames não deram nada" aí começa nosso trabalho. Não vamos psicologizar tudo, existem patologias de causa orgânica e de causa psíquica.

O nome do blog está escrito errado.

R: Não, não está. É um trocadilho proposital.