quarta-feira, 13 de junho de 2018

7 MITOS DA HIPNOSE

Olá a todos! Hoje gostaria de esclarecer os mitos mais comuns a respeito da hipnose. Para quem não leu ainda tem outro artigo meu explicando bem o que é a hipnose, para ler basta clicar aqui


1-Vou ser dominado pelo hipnotizador:


Eu sempre costumo dizer que hipnose não é uma batalha de mentes, não é a vontade do hipnotizador vencendo a vontade da pessoa que é hipnotizada. Pelo contrário, hipnose é uma parceria, é uma troca. Ninguém é dominado ou hipnotizado contra sua vontade, isso não existe. Quando alguém entra em transe é porque quer, porque sabe que poderá tirar benefícios dali (no caso da hipnose clínica) ou brincar e se divertir com as capacidades da sua mente (hipnose de palco ou de rua).  


2-Se a pessoa que me hipnotizar morrer ou for embora ficarei assim para sempre:


Essa eu já ouvi muito. Frases assim "E se a você morrer depois de me hipnotizar? Vou ficar assim pra sempre? Nunca vão conseguir me acordar?" ou "E se a pessoa me hipnotizar, precisar sair e não voltar mais?". Pensamentos assim refletem uma grande insegurança por parte do sujeito que ainda não compreende a hipnose. Por ser um processo natural e fisiológico, em qualquer uma dessas situações acima o que acontece com a pessoa hipnotizada é simples, ou ela abre os olhos e sai do transe espontaneamente ou entra em sono fisiológico, aquele soninho que a gente tira quando relaxa bastante. Não há perigo nem possibilidade da pessoa ficar presa no transe.

3-Não posso ser hipnotizado porque não sou suscetível:

Existe uma ideia de que nem todo mundo pode ser hipnotizado ou que só pessoas de mente "fraca" são hipnotizáveis. Isto não é verdade. Qualquer um pode ser hipnotizado, exceto talvez pessoas com algum transtorno mental severo, como esquizofrenia, psicose. Isto porque hipnose é um processo natural, ocorre com todos nós, o tempo todo, no decorrer da vida. O que acontece é que algumas pessoas entram com mais rapidez e facilidade do que outras, mas isso é normal, assim como um remédio não tem o mesmo efeito em pessoas diferente. Cada organismo é único.

4-A hipnose é causada pelo poder do hipnotizador:

Como as pessoas estão acostumadas a ver show de hipnose de palco elas acreditam que o hipnotizador possui um grande poder e que é capaz de fazer qualquer coisa com aquele voluntário. O que acontece na verdade é que o hipnotizador, seja ele de palco ou de clínica, tem o conhecimento necessário para por o seu voluntário/ paciente em transe e conduzir bem esse processo. O voluntário/ paciente por sua vez, tem o desejo de entrar em transe, de vivenciar aquilo (pelo menos na grande maioria das vezes, até porque ninguém sobe num palco na frente de dezenas de pessoas sem ter vontade). Então a hipnose é uma troca rica de experiências entre ambos, o hipnotizador apenas conduz o voluntário /paciente, para um transe agradável. Se ele não quiser ele não entra em transe, a hipnose nunca acontece sem a vontade da pessoa.

5-Quando a pessoa entre em transe ela fica inconsciente:

Um dos grande mitos da hipnose e até compreensível, uma vez que todos veem aquela pessoas "apagada" ou "dormindo", quando na verdade ela está mais acordada do que esteve em toda sua vida. Quando a pessoa está em transe, hipnotizada, ela ouve tudo ao seu redor, ela está plenamente consciente de tudo, apenas não se importa com o externo, pois está experienciando algo muito prazeroso no interno. Somente em alguns casos, a pessoa é tão sensível que ela pode desenvolver um fenômeno chamado de "amnésia hipnótica", onde ela sai do transe e não lembra de nada. Por isso que, dependendo do contexto, hipnotizadores experientes dão um comando para que quando sair do transe a pessoa lembre de tudo. Problema resolvido. 

6-A hipnose realiza milagres:

Alguns dos fenômenos que a pessoa hipnotizada consegue realizar são impressionantes aos olhos de quem vê, principalmente se for um leigo. Não há nada de sobrenatural nesses fenômenos, todos são realizáveis por qualquer um em transe, desde que conduzido por um hipnotizador experiente e explicáveis cientificamente. Não há milagres, mas um trabalho em conjunto do hipnotizado com o seu hipnotizado. 

7-Quando a pessoa é hipnotizada ela pode revelar seus segredos íntimos:

Outra grande preocupação que ronda as pessoas é se quando hipnotizadas ela podem revelar segredos importantes. Essa ideia vem do fato de acharem que o hipnotizador "entra" na mente do outro. Isso é fantasia demais! A mente inconsciente não aceita nada que seja contra seus preceitos morais, então o sujeito que está hipnotizado não vai fazer ou falar nada que não queira. 


sábado, 26 de maio de 2018

O QUE É O TRANSTORNO BIPOLAR?

Ouço muitas pessoas no dia a dia se referindo a outras como "fulano é bipolar, uma hora faz uma coisa, outra hora faz outra" e comentários similares para tentar caracterizar o comportamento de alguém num quadro patológico. Hoje falaremos sobre o que realmente é o Transtorno Bipolar e como ele se manifesta. 


PARA ENTENDER O TRANSTORNO BIPOLAR

Quando as pessoas ouvem o termo "bipolar", o cérebro rapidamente associa a palavra a sua etimologia, ou seja, a algo que tem dois polos, duas manifestações diferentes e não está errado, contudo o transtorno mental é bem diferente dessas mudanças bruscas de comportamento. Para entender melhor vou explicar as principais características do Transtorno Afetivo Bipolar.

Uma das principais características do Transtorno Bipolar é a Mania. Quando a pessoa está nesse estado ela tem um comportamento expansivo, quer comprar tudo, quer fazer muito sexo, fala demais, trabalha demais, é inquieta, explosiva, irritável, a autoestima fica inflada (eu posso tudo, eu consigo tudo), as pessoas não conseguem acompanhar seu raciocínio e o próprio indivíduo não consegue pensar direito em certas ocasiões devido ao fluxo rápido do pensamento. Consequentemente, se o cérebro está funcionando acelerado assim, a pessoa dorme pouco, descansa pouco, e insônia acaba sendo outro sintoma. Esse estado não muda rapidamente, pode durar dias, semanas, por isso nada tem a ver com as observações do senso comum que as pessoas fazem. A mudança desse estado também não está ligada a nenhum fator externo, ou seja, a mudança é neuroquímica, ocorre no cérebro.

Outro ponto muito importante é que, em geral, pessoas que são diagnosticadas com TB(Transtorno Bipolar), fazem uso abusivo de drogas lícitas ou ilícitas, sendo as mais comuns o álcool, cigarro, maconha e cocaína. É muito comum essas pessoas já terem um hábito de usar essas substâncias muito antes de ter um diagnóstico clínico do problema. Lembro de alguns pacientes que usavam a maconha e o álcool para "relaxarem", ou seja, uma forma equivocada de aliviar os sintomas da mania, já que são drogas que deprimem o sistema nervoso central (reduzem sua atividade). 

No outro extremo está a depressão. Quando ocorre a mudança de fase, a pessoa sai daquele estado acelerado, inflado para um estado onde fica com a energia reduzida, sem força ou vontade para realizar suas atividades, com presença de um sentimento de tristeza e vazio. Mas nem sempre a mudança ocorre assim, de um polo para outro, muitas vezes a pessoa consegue ficar num estado de eutimia, ou seja, um humor "normal", onde os sintomas do TB não ocorrem com intensidade e não prejudicam as funções psíquicas e sociais.

AS CAUSAS

Apesar dos avanços científicos ainda é um terreno obscuro falar de causas específicas dos transtornos mentais. Sabe-se, entretanto, que existem vários fatores envolvidos. Dentre os transtornos mentais o TB é um dos mais influenciados por fatores genéticos. Estudos mostraram que se um dos pais tiver Transtorno Bipolar ou algum Transtorno Depressivo, existe de 10% a 25% de chances que o filho desenvolva o TB. Assim como existem fatores relacionados a alterações dos neurotrasmissores, alterações metabólicas e anatômicas do cérebro. Fatores psicossociais também tem relevância, quando eventos significativos na vida daquele indivíduo (como luto, problemas familiares, maus tratos na infância, relações interpessoais, mudanças drásticas no trabalho, etc). 

O DIAGNÓSTICO

Depois de ler esse texto é possível que alguns comecem a se autodiagnosticar ou a atribuir o TB a algum conhecido, parente, etc. Por favor não façam isso. Aqui eu tento explicar o que é esse transtorno com muitas simplificações, quando na verdade é uma patologia extremamente complexa e amplamente estudada. Só quem pode fazer o diagnóstico é um profissional médico qualificado. Psicólogos podem detectar, mas por Lei não podem fazer o diagnóstico. Se você acha que algum conhecido ou parente, ou mesmo você pode ter esse transtorno, busque um profissional qualificado. 

RISCO DE SUICÍDIO

O risco de suicídio em pessoas com TB é comum, uma vez que é um transtorno que gera vários prejuízos para o funcionamento do indivíduo, tanto pessoal quanto social, além de que é possível que a pessoa que tem TB desenvolva outros transtornos. A pessoa pode ter TB e transtorno de ansiedade, por exemplo. E quanto mais sofrimento mais potencializa o surgimento de pensamentos e atos suicidas. Sabemos, através dos estudos que o risco de suicídio de quem tem TB é de 20 a 30 vezes maior quando comparado a pessoas que não tem essa psicopatologia. Em torno de 60% dos pacientes apresentam ideação suicida, em geral aqueles que demoraram muito a buscar tratamento, tem comprometimento nas funções laborais, sociais, familiares, tem outros transtornos associados (como dependência química, ansiedade, por exemplo). Aproximadamente 15% dessas pessoas cometem suicídio, o que é um número muito expressivo. 

O risco de suicídio é muito alto quando o transtorno não é tratado ou é tratado de forma inadequada ou o paciente resiste ao tratamento. Ainda existem outras questões associadas como apoio familiar, trabalho, doenças crônicas. Quando o tratamento é bem executado e quando o paciente se engaja o risco de suicídio é muito baixo. 

TRATAMENTO

O tratamento do TB é feito com acompanhamento psiquiátrico, onde o médico psiquiatra irá prescrever medicações para aliviar e controlar os sintomas seja da fase maníaca ou depressiva. É fundamental que o paciente siga a risca e tome adequadamente os medicamentos prescritos. Aliado a isso existe o tratamento psicológico, onde esse profissional vai trabalhar os fatores comportamentais e interpessoais daquele paciente, ensinando a lidar com os sintomas, a modificar  hábitos disfuncionais e encontrar respostas melhores para situações limite. Somando-se a isso é importante que a família seja esclarecida e de também o suporte necessário ao paciente. Quando todos fazem a sua parte o prognóstico é animado e aquele indivíduo pode ter uma vida normal, fazendo aquilo que gosta. Importante também dizer que o TB não tem cura e que o tratamento é permanente. Muitos pacientes melhoram depois de um ou dois meses de tratamento e param, o que potencializa o reaparecimento dos sintomas e de novas crises. 


REFERÊNCIAS:

Souza, Fábio GM. (Org.). Você tem transtorno bipolar? Fortaleza: Premius, 2017.

American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais DSM-5. Porto Alegre: Artmed;2014.

Souza FGM. Tratamento do transtorno bipolar   - Eutimia. Rev Psiquiatr. Clín. 2005;32 (Suppl.10):63-70.

Lex C, Bazner E, Meyer TD. Does stress play a significant role in bipolar disorder? A meta-analysis. J Affect Disord. 2017;208 (August 2016): 298-308.

Berutti M, Dias RS, Pereira VA, Lafer B, Nery FG. Association between history of suicide attempts and family functioning in bipolar disorder. Journal of Affective Disorders. 2016;192:28-33.

Nery-Fernandes F, Miranda-Scippa AMA. Comportamento suicida no transtorno afetivo bipolar e características sociodemográficas, clínicas e neuroanatômicas associadas. Rev. Psiquiatr. Clín. 2013 [cited 2017 Feb 02] ; 40 (6):220-224.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

QUAIS OS BENEFÍCIOS DA PSICOTERAPIA


Quando se pensa em ir ao psicólogo, nem sempre a pessoa se questiona quais os benefícios podem advir da psicoterapia, uma vez que na maioria dos casos aquele indivíduo está interessado em resolver a queixa que o motivou a buscar o atendimento. Vamos falar um pouco sobre isso no texto de hoje.


RESOLVENDO A QUEIXA

Chamamos de queixa principal o motivo pelo qual alguém busca um psicólogo, é justamente o problema, questão, conflito que está causando um funcionamento mal adaptado daquela pessoa, gerando sofrimento e comportamentos disfuncionais. Muitas vezes queixa que o paciente traz não é o a questão principal, mas sim um sintoma ou uma consequência de alguma outra coisa que nem sempre ele percebe como algo nocivo. Durante o processo da terapia isso pode mudar, o foco do tratamento muda, as questões a serem trabalhadas mudam. O objetivo final da psicoterapia é a mudança, visto que não importa como ela ocorra, é necessária para restabelecer o equilíbrio e bom funcionamento do indivíduo. 

Daí o tipo de psicoterapia, abordagem psicológica (psicanálise, humanismo, análise do comportamento, etc) não importa muito, sendo mais necessário estabelecer uma boa aliança terapêutica, ou seja, o paciente estabelecer um link de confiança e se sentir confortável com o psicólogo com o qual está fazendo terapia.  É preciso saber que o psicólogo não dispõe de métodos coercitivos, não é seu papel mudar o paciente nem convence-lo de nada, mas sim mostrar novas possibilidades para resolução dos seus conflitos e dificuldades adaptativas, ficando a critério do paciente seguir ou não essas orientações. Nem sempre as pessoas querem mudar, sair da zona de conforto, mesmo que ela esteja causando algum tipo de sofrimento, é como uma preguiça emocional. 


ABERTURA PARA A MUDANÇA


Quando o paciente decide mudar, mobiliza suas energias e vontade para tentar novas estratégias de enfrentamento dos seus problemas com a ajuda do psicólogo, muita coisa acontece. O bom psicólogo ele incentiva não apenas mudanças pontuais, mas globais, pois não é apenas a solução de uma queixa na vida daquela pessoas, mas a reestruturação da vida dela como um todo, com objetivos mais bem estabelecidos e com foco em práticas saudáveis. O psicólogo pode estimular o paciente a lidar com vários comportamentos e hábitos que não são saudáveis e motivá-lo a mudar isso, como por exemplo tabagismo, má alimentação, sedentarismo, visto que mente e corpo são reflexos constantes um do outro. Nossa mente precisa estar bem para o corpo estar bem e vice versa, até porque quem controla nosso corpo é o cérebro e a forma como nosso cérebro funciona é muito particular.

Nosso cérebro funciona, basicamente, em relação a como pensamentos, em cima dos valores e imagens que criamos para nós. Por isso um pessimista tem comportamentos pessimistas (explicando a grosso modo, claro), porque o comportamento dele é reflexo da imagem mental que cria de si. Então, quando o psicólogo durante a psicoterapia passa a estimular o desenvolvimento de hábitos saudáveis ele está motivando o paciente a mudar essas imagens mentais e consequentemente buscar uma mudança mais estrutural dos seus comportamentos, de modo a ter hábitos e práticas mais salutares.

Podemos então dizer que uma psicoterapia bem feita, com um profissional capacitado, ético e com um paciente que se permite a mudança, pode gerar muitos benefícios não só na resolução do conflito que o trouxe para o consultório, mas de uma mudança global que vai permitir um funcionamento mais saudável desse indivíduo. Daí a psicoterapia ser um processo de grandes transformações para o indivíduo, na medida que esse indivíduo está aberto a ela e disposto a investir mais em si mesmo e no seu bem estar. 



terça-feira, 10 de abril de 2018

PORQUE UMA PESSOA RECUSA TRATAMENTO PSICOLÓGICO?

Hoje resolvi escrever um texto menos técnico, apenas desenvolvendo meu pensamento e reflexão acerca de pessoas que não buscam ajuda. A pergunta que vou buscar responder é: "Porque algumas pessoas que estão com problemas recusam o tratamento?". 

Nossa sociedade descende de um modelo baseado no patriarcado, onde o homem comendava e tinha que ter pulso forte. O homem mandava na casa, na mulher, nos filhos. Basicamente, por ser o pilar dessa estrutura familiar, ele deveria mostrar força, decisão, indiferença ao sofrimento. Muitos desses homem acabavam se dessensibilizando, ou seja, assumindo comportamentos e pensamentos onde o contato com os sentimentos, com a dor, ia ficando cada vez mais distante. Não que eles não sofressem ou não sentissem, mas não era algo, que para a grande maioria, tivesse algumas influência. Daí a ideia de homem ser forte e mulher ser fraca. Homem não chora, mulher chora, chorar é sinal de fraqueza. Pura baboseira medieval. 

Então esse tipo de pensamento vai sendo propagado pela cultura, mas como a sociedade vai evoluindo, ao seu passo, a tendência é romper com esse padrão de comportamento. Logo, um dos motivos que leva as pessoas a não quererem ajuda, é cultural, e acomete principalmente homens. Isso se reflete na prática clínica; 75% dos meus pacientes são mulheres.

O homem sofre tanto quanto a mulher, algumas vezes até mais por conta dessa herança de que precisa ser forte, de que não chora, não sofre, não sente. E aí isso se reverte em depressão, ansiedade e alguns caso, suicídio. Reprimir sentimentos negativos durante muito tempo gera consequências não só emocionais mas no comportamento do indivíduo. É bem comum na prática clínica encontrar pessoas que precisam de ajuda, que tem sofrem por algum comportamento ou situação que não conseguem lidar, mas ou não querem ir atrás de um profissional para auxiliar nesse processo, ou quando a família entra em contato com o profissional (geralmente médico ou psicólogo), o indivíduo recusa o atendimento ou não adere ao tratamento.

Mas porque alguém que precisa de cuidados negaria esses cuidados a si mesmo? Essa é uma questão curiosa. Já vi pacientes morrerem porque negavam cuidados médicos ou adesão ao tratamento. Em psicologia, essa morte ocorre por suicídio, quando não há sucesso no tratamento. Não há uma resposta única e simples para essa pergunta, o porque do paciente recusar atendimento/tratamento, mas posso pensar em alguns fatores:

- Falta de apoio familiar;
- Conflitos psicológicos intensos;
- Falta de confiança no profissional que está prestando o atendimento;
- Medo;
- Psicose;
- Tentativas prévias de suicídio;
- Sentimento exagerado de autosuficiência.

É necessário, em alguns casos, respeitar a decisão e a vontade daquele paciente, se ele está plenamente consciente dela. Não é possível tratar alguém que não quer ser tratado. Esse exemplo é bem comum na Dependência Química, quando todos ao redor percebem que o indivíduo precisa de acompanhamento mas ele recusa e resiste. Quando o paciente está num estado psicótico, fora de si, seja por conta de um problema mentais ou físicos (sim, algumas patologias físicas podem deixar o paciente psicótico), ele não tem condições de decidir sobre si mesmo, pode até por sua integridade e de terceiros em risco, neste caso, pode ser tratado sem o prévio consentimento até restabelecer a consciência de si.

É preciso ter paciência, deixar tudo claro para o paciente, assim como é fundamental que a família esteja sempre perto, estimulando, mas não pressionando o paciente para que aceite o tratamento. A família tem que ser facilitadora e não se transformar em um estímulo aversivo para o paciente.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

COMO FUNCIONA A HIPNOSE?


Hoje falaremos da hipnose, vista por alguns com suspeita por acharem que é uma simulação ou que não existe, vista por alguns profissionais com desconfiança por acreditarem que é um procedimento ineficaz. Vamos falar do que realmente é a hipnose e como ela pode ajudar no tratamento de certos tipos de problemas comportamentais e até mesmo fisiológicos.


O QUE É HIPNOSE?

Meu objetivo não é fazer um histórico da hipnose nesse artigo, podemos deixar isto para outro momento. O que eu quero é explicar de forma clara o que é essa ferramenta que pode ser utilizada em diversos contextos terapêuticos. 
O melhor conceito de hipnose, e um dos mais claros que já encontrei foi o da Dr. Sofia Bauer:
"Hipnose é um estado alternativo de consciência ampliada, onde o sujeito permanece acordado todo o tempo, experimentando sensações, sentimentos (...) e outros fenômenos hipnóticos enquanto está nesse estado. Você fica mais interno, mais focado (...) você vai se desligando das percepções externas e tem uma grande atividade interna, sem perder seu estado de alerta".

Em resumo, é um estado onde a pessoa está a par de tudo, ouvindo tudo, mas está num processo de concentração e imaginação muito intensos, o que permite a realização de uma série de fenômenos e efeitos. Embora a palavra hipnose derive de "sono" e tenha o comando "durma" para a pessoa entrar em transe em alguns métodos, a pessoa sempre está acordada e totalmente alerta. Sob hipnose, uma pessoa pode aumentar sua concentração e memorizar coisas que normalmente não conseguiria ou acessar conteúdos dos quais ela não tinha consciência, por exemplo, ser capaz de resgatar memórias perdidas, assim como anestesiar partes do corpo, eliminar dores e desconforto.

Hipnose, segundo Erickson um dos grandes terapeutas que desenvolveram o uso da hipnose, é um estado natural. Ao longo da vida nós nos autohipnotizamos várias vezes, entramos em transe quase que diariamente. Não acredita? Simplesmente não percebemos quando isso ocorre, justamente por ser algo natural, que faz parte de nós. Quando nos concentramos muito em algo, quando estamos numa situação de monotonia, quando sentimos que quase não passou tempo e percebemos que na verdade "perdemos" essa passagem do tempo, é porque entramos em transe. Lembro de filmes que assisti que duraram dua a três horas, e senti como se tivessem passado minutos.

Numa viagem onde você tá olhando a estrada e de repente chega ao destino sem perceber que passou muito tempo, transe. Até mesmo olhando no celular, fazendo alguma coisa com seu smartphone, e sem perceber outras coisas que estão acontecendo, transe. Logo, não há como dizer (como escuto algumas pessoas falarem) que hipnose não existe, que é uma simulação. Eu mesmo já fiz analgesia em pacientes, então o paciente vai me olhar e dizer que aquela dor que nem a medicação controlava sumiu é fruto da imaginação? Pacientes tratados com hipnose que tinham gagueira durante a vida toda e de repente estão falando normalmente, é ficção? Na verdade, existe muito medo e preconceito em relação a hipnose, justamente por conta da hipnose de palco, que muitos veem como uma ridicularização daquele indivíduo.

A hipnose clínica é uma forma de facilitar que aquela pessoa assuma o controle da sua vida, de seus problemas, de uma forma mais efetiva e construtiva, nós ensinamos a ela a enfrentar situações difíceis, traumáticas e damos a chave para que ela mesma possa acessar esse estado.

QUAIS OS TIPOS DE HIPNOSE

Podemos separar a hipnose em duas categorias: hipnose de palco e hipnose clínica. A hipnose de palco talvez seja a que você conhece, que já viu em algum lugar, na televisão ou em vídeos na internet (Pyong Lee é um grande difusor da hipnose de palco na internet, enquanto Fábio Puentes apareceu muitas vezes em programas da TV aberta). É uma hipnose utilizada para entretenimento onde são mostrados vários fenômenos que a hipnose causa em nossa fisiologia, apenas por diversão. Na hipnose de palco muitas pessoas acham que aquilo é combinado, que não é real, porque é realmente algo impressionante de se ver. Dentro da hipnose de palco temos o que chamamos street hipnose ou hipnose de rua, que é quando os hipnotistas vão para a rua para demonstrar os fenômenos, pegando pessoas aleatórias que voluntariamente se disponibilizam a participar. 

Aqui vai um exemplo de hipnose de rua:


Já na hipnose clínica nós temos um uso completamente diferente dessa ferramenta. Hipnose clínica é utilizada por médicos, psicólogos, dentistas e por outros profissionais com o intuito de tratar algum problema, modificar comportamentos, analgesia da dor, etc. Significa que dentistas podem, por exemplo, realizar procedimentos sem anestesia, inclusive extrações, sem que o indivíduo sinta qualquer dor ou desconforto, assim como pequenas cirurgias são possíveis com uso da hipnose. Trabalhar vícios como tabagismo, ou compulsões que geram obesidade, assim como insônia e ansiedade são possíveis com a hipnose. Vou deixar linkado aqui alguns artigos científicos, de um dos maiores portais de ciência do mundo, o Pub Med, sobre vários usos da hipnose. Os artigos estão em inglês, exceto 1.

Hipnose para parar de fumar:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29319462


Hipnose e anestesia/ alívio de dor:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29319458

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29307207

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722013000300007&lang=pt (em português)

Hipnose para insônia:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26055676
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29198290


Gostaria de deixar claro que a hipnose não é uma terapia em si, mas uma ferramenta que deve/pode ser associada a outras teorias e métodos para proporcionar uma melhora na qualidade de vida do indivíduo. Então, para quem quer usar a hipnose para fins terapêuticos é preciso ter outros conhecimentos específicos, até porque hipnotizar alguém é muito simples, existe várias formas de por alguém em transe. Entretanto para uso terapêutico precisa-se ter conhecimentos mais complexos. Como vou tratar dependência química sem conhecer esse fenômeno? Como posso trabalhar traumas sem entender algo relacionado a psicologia? (não necessariamente sendo psicólogos, mas os psicólogos tem a vantagem de um conhecimento mais aprofundado do comportamento humano). A hipnose pode ser associada a outras técnicas e terapias, como a PNL- Programação Neurolinguística, por exemplo.  Então espero ter esclarecido o básico, pelo menos. Farei mais textos sobre isso futuramente. 


Referências:


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

FORMAÇÃO EM PRACTITIONER EM PNL

Hoje venho aqui para divulgar o curso que será ministrado em breve pelo Rogério Castilho. Em breve postarei um artigo aqui explicando a PNL.



Formação em Practitioner em PNL  R$: 5.000,00 desconto especial de 20% fica por R$: 4.000,00 esse valor pode ser parcelado em até 10x cartão ou cheque. Ou R$: 3.600,00  avista.

Dias 16 á 19 de Março (Primeiro Modulo)
Dias 13 á 15 de Abril (Segundo Modulo)

Das 9hs as 18hs com intervalo para almoço e coffee- break a tarde.

Vale ressaltar que a Formação em PNL com Rogério Castilho é certificado pelo criador da PNL – Dr. Richard Bandler o certificado é reconhecido por todos os institutos de PNL no mundo.

Informações através:

Juliana Mendes
(85) 30469171 / (85) 986850500

SINAIS - Soc. Inter. De Neurolinguística e Programação Sistêmica.

Executivo de Negócios | Practitioner em PNL | Analista Comportamental 

“Por que continuar sendo a mesma pessoa de sempre, se posso ser alguém muito melhor?"
(Richard Bandler)

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

VÍCIO EM GAMES: UMA NOVA DOENÇA?


Desde que a mídia anunciou que a OMS- Organização Mundial da Saúde, vai considerar o vício em vídeo games como doença mental, a internet ficou em polvorosa, os adolescentes e outras pessoas que tem os games como diversão começaram a repudiar o fato, sem de fato entender o que estava acontecendo. Vamos falar um pouco sobre isso esclarecendo o porque dessa decisão. 


Antes de falar sobre vício em vídeo games é preciso entender o que é dependência, o que é compulsão para entender melhor os conceitos que serão trabalhados aqui.

Segundo Ballone, a definição de compulsão é: "...comportamentos compulsivos ou aditivos são hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase automaticamente."

São mal adaptados porque não se encaixam bem no bem estar do indivíduo, na vida social, familiar, etc., apesar de provocarem um alívio de tensão emocional. Além disso são comportamentos repetitivos, ocorrendo de forma frequente no cotidiano da pessoa. A vontade de realizar o ato vem, é difícil para o indivíduo resistir, gera muita tensão, a pessoa então cede, tem um alívio temporário por ter exercido o comportamento, mas imediatamente vem um sentimento de culpa, por não ter resistido. Alguns exemplos de compulsões são: jogos de azar, malhar, comprar, comer, trabalhar. 

Já dependência psicológica se caracteriza por é a necessidade de determinado comportamento para viver normalmente e sentir-se confortável. A dependência é justamente a relação da pessoa com o objeto do vício, gerando mal estar, estresse, angustia, ansiedade, na ausência desse objeto. Além disso, a importância que o objeto da dependência vem sempre em primeiro lugar, fazendo o indivíduo a negligenciar necessidades básicas, como higiene e alimentação. 

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais- DSM V, os comportamentos relacionado a jogo ativam os sistemas de recompensa do cérebro e podem ser comparados ao transtornos por uso de substância. Esse sistema de recompensa cerebral tem como função promover e estimular comportamentos que contribuem na manutenção da vida e da espécie, como a alimentação, proteção, sexo, entre outros, que quando ativado, proporcionará sensações de prazer e satisfação. O problema é que quando algo ativa esse sistema de forma significativa (como drogas, por exemplo, ou comportamentos que geram muito prazer) isso pode comprometer outros processos básicos, uma vez que pode aumentar as chances do indivíduo de repetir o comportamento para obter satisfação. Todavia, muitas outras variáveis entram nessa equação, então a questão cerebral não é totalmente determinante para uma compulsão ou dependência. 

É preciso avaliar se aquele indivíduo tem um bom relacionamento com as pessoas, se possui um bom enfrentamento de situações difíceis, tolerância a frustração, relacionamento familiar saudável, se tem algum transtorno mental (depressão, ansiedade, etc) ou predisposição para um (sabendo o histórico familiar de parentes próximos), etc. Quanto mais comportamentos negativos ou mal adaptados o sujeito tiver, mais propensão a algum desses problemas. 

MAS E OS VÍDEO GAMES? ELES PODEM VICIAR?

A resposta é sim. Como qualquer comportamento que gera satisfação ou prazer ativado pelo centro de recompensa cerebral games ou qualquer dispositivo eletrônico podem sim gerar comportamentos compulsivos ou dependência. Como a tecnologia dos celulares (e outros dispositivos eletrônicos, como tablets) é recente, ainda não está bem caracterizado nos manuais diagnósticos de saúde mental a questão de dependência e compulsão em relação a eles. Atualmente nos utilizamos critérios de transtornos já conhecidos para caracterizar a dependência em games. 

Segundo a OMS, esses são os comportamentos que caracterizam o transtorno de dependência em games:

1. Controle prejudicado sobre o início, frequência, intensidade, duração, término ou contexto de jogo;
2. Maior prioridade dada ao jogo na medida em que o jogo tem precedência sobre outros interesses da vida e atividades diárias;
3. A continuação ou escolha de jogos apesar da ocorrência de consequências negativas.

Em alguns países onde maratona de games são mais socialmente aceitáveis, há casos onde as pessoas morreram por uma combinação de exaustão, estresse, desnutrição e desidratação, enquanto estavam sentadas em frente ao vídeo game (ou computador) por dias a fio. Mas esse são casos mais extremos. é possível ter problemas de vício em games e não morrer, mas prejudicar muito a saúde, o convívio social e familiar. 

Já atendi casos onde o adolescente, compulsivo por jogos de computador, mal se alimentava, perdeu o ano escolar, não saía mais de casa o que comprometeu a relação com os amigos (isolamento), e sua família não sabia mais como proceder quando procuraram minha ajuda profissional. Entretanto, esperaram 2 anos para fazer isso e é um problema que se repete em muitos casos onde a família ou a pessoa demora muito tempo para procurar ajuda especializada. Quando mais cedo um transtorno é tratado, menos prejuízos para o indivíduo e melhor as chances de lidar com o problema. Quanto mais tempo se espera, mais cronificado fica o problema e mais complexo, embora não impossível, de tratar. Se o indivíduo está neglicenciando vários aspectos da sua vida, se passa um número exagerado de horas em games (ou outros dispositivos eletrônicos), se está isolado, se sua higiene e alimentação estão comprometidas, ele pode está incluso nos comportamentos descritos acima é hora de buscar ajuda.

Não é sensato demonizar os vídeo games, nem os celulares, tablets, etc porque atualmente são itens que tem muitos aspectos positivos. Existem muitas pesquisas e estudos que mostram o grande potencial dos vídeo games, seja para o aprendizado, seja para o desenvolvimento, seja para a recuperação de pessoas com algum tipo de limitação. Futuramente pretendo escrever sobre isso. Até a próxima!

Leia também meu artigo sobre vídeo games e violência, clicando aqui!


Referências:

https://www.popsci.com/who-video-game-disorder-addiction#page-3

http://www.cerebromente.org.br/n15/diseases/compulsive.html

Centre for Addiction and Mental Health (Centro para a Dependência e Saúde Mental). «What is addiction?». Addiction: An information guide. Consultado em 5 de fevereiro de 2012

https://museudinamicointerdisciplinar.wordpress.com/2014/09/21/neuroanatomia-do-sistema-de-recompensa-cerebral-e-dependencia-quimica/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5520128/