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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

VÍCIO EM GAMES: UMA NOVA DOENÇA?


Desde que a mídia anunciou que a OMS- Organização Mundial da Saúde, vai considerar o vício em vídeo games como doença mental, a internet ficou em polvorosa, os adolescentes e outras pessoas que tem os games como diversão começaram a repudiar o fato, sem de fato entender o que estava acontecendo. Vamos falar um pouco sobre isso esclarecendo o porque dessa decisão. 


Antes de falar sobre vício em vídeo games é preciso entender o que é dependência, o que é compulsão para entender melhor os conceitos que serão trabalhados aqui.

Segundo Ballone, a definição de compulsão é: "...comportamentos compulsivos ou aditivos são hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase automaticamente."

São mal adaptados porque não se encaixam bem no bem estar do indivíduo, na vida social, familiar, etc., apesar de provocarem um alívio de tensão emocional. Além disso são comportamentos repetitivos, ocorrendo de forma frequente no cotidiano da pessoa. A vontade de realizar o ato vem, é difícil para o indivíduo resistir, gera muita tensão, a pessoa então cede, tem um alívio temporário por ter exercido o comportamento, mas imediatamente vem um sentimento de culpa, por não ter resistido. Alguns exemplos de compulsões são: jogos de azar, malhar, comprar, comer, trabalhar. 

Já dependência psicológica se caracteriza por é a necessidade de determinado comportamento para viver normalmente e sentir-se confortável. A dependência é justamente a relação da pessoa com o objeto do vício, gerando mal estar, estresse, angustia, ansiedade, na ausência desse objeto. Além disso, a importância que o objeto da dependência vem sempre em primeiro lugar, fazendo o indivíduo a negligenciar necessidades básicas, como higiene e alimentação. 

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais- DSM V, os comportamentos relacionado a jogo ativam os sistemas de recompensa do cérebro e podem ser comparados ao transtornos por uso de substância. Esse sistema de recompensa cerebral tem como função promover e estimular comportamentos que contribuem na manutenção da vida e da espécie, como a alimentação, proteção, sexo, entre outros, que quando ativado, proporcionará sensações de prazer e satisfação. O problema é que quando algo ativa esse sistema de forma significativa (como drogas, por exemplo, ou comportamentos que geram muito prazer) isso pode comprometer outros processos básicos, uma vez que pode aumentar as chances do indivíduo de repetir o comportamento para obter satisfação. Todavia, muitas outras variáveis entram nessa equação, então a questão cerebral não é totalmente determinante para uma compulsão ou dependência. 

É preciso avaliar se aquele indivíduo tem um bom relacionamento com as pessoas, se possui um bom enfrentamento de situações difíceis, tolerância a frustração, relacionamento familiar saudável, se tem algum transtorno mental (depressão, ansiedade, etc) ou predisposição para um (sabendo o histórico familiar de parentes próximos), etc. Quanto mais comportamentos negativos ou mal adaptados o sujeito tiver, mais propensão a algum desses problemas. 

MAS E OS VÍDEO GAMES? ELES PODEM VICIAR?

A resposta é sim. Como qualquer comportamento que gera satisfação ou prazer ativado pelo centro de recompensa cerebral games ou qualquer dispositivo eletrônico podem sim gerar comportamentos compulsivos ou dependência. Como a tecnologia dos celulares (e outros dispositivos eletrônicos, como tablets) é recente, ainda não está bem caracterizado nos manuais diagnósticos de saúde mental a questão de dependência e compulsão em relação a eles. Atualmente nos utilizamos critérios de transtornos já conhecidos para caracterizar a dependência em games. 

Segundo a OMS, esses são os comportamentos que caracterizam o transtorno de dependência em games:

1. Controle prejudicado sobre o início, frequência, intensidade, duração, término ou contexto de jogo;
2. Maior prioridade dada ao jogo na medida em que o jogo tem precedência sobre outros interesses da vida e atividades diárias;
3. A continuação ou escolha de jogos apesar da ocorrência de consequências negativas.

Em alguns países onde maratona de games são mais socialmente aceitáveis, há casos onde as pessoas morreram por uma combinação de exaustão, estresse, desnutrição e desidratação, enquanto estavam sentadas em frente ao vídeo game (ou computador) por dias a fio. Mas esse são casos mais extremos. é possível ter problemas de vício em games e não morrer, mas prejudicar muito a saúde, o convívio social e familiar. 

Já atendi casos onde o adolescente, compulsivo por jogos de computador, mal se alimentava, perdeu o ano escolar, não saía mais de casa o que comprometeu a relação com os amigos (isolamento), e sua família não sabia mais como proceder quando procuraram minha ajuda profissional. Entretanto, esperaram 2 anos para fazer isso e é um problema que se repete em muitos casos onde a família ou a pessoa demora muito tempo para procurar ajuda especializada. Quando mais cedo um transtorno é tratado, menos prejuízos para o indivíduo e melhor as chances de lidar com o problema. Quanto mais tempo se espera, mais cronificado fica o problema e mais complexo, embora não impossível, de tratar. Se o indivíduo está neglicenciando vários aspectos da sua vida, se passa um número exagerado de horas em games (ou outros dispositivos eletrônicos), se está isolado, se sua higiene e alimentação estão comprometidas, ele pode está incluso nos comportamentos descritos acima é hora de buscar ajuda.

Não é sensato demonizar os vídeo games, nem os celulares, tablets, etc porque atualmente são itens que tem muitos aspectos positivos. Existem muitas pesquisas e estudos que mostram o grande potencial dos vídeo games, seja para o aprendizado, seja para o desenvolvimento, seja para a recuperação de pessoas com algum tipo de limitação. Futuramente pretendo escrever sobre isso. Até a próxima!

Leia também meu artigo sobre vídeo games e violência, clicando aqui!


Referências:

https://www.popsci.com/who-video-game-disorder-addiction#page-3

http://www.cerebromente.org.br/n15/diseases/compulsive.html

Centre for Addiction and Mental Health (Centro para a Dependência e Saúde Mental). «What is addiction?». Addiction: An information guide. Consultado em 5 de fevereiro de 2012

https://museudinamicointerdisciplinar.wordpress.com/2014/09/21/neuroanatomia-do-sistema-de-recompensa-cerebral-e-dependencia-quimica/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5520128/

segunda-feira, 29 de maio de 2017

FIM DO RELACIONAMENTO: E AGORA?

Relacionamento afetivo é uma busca constante de muitas pessoas, mas o medo do fim e a possibilidade de "abandono" gera inúmeros fantasmas. Vamos falar um pouco sobre o término dos relacionamentos e como as pessoas lidam com esses sentimentos.

O ser humano é essencialmente social, apenas algumas exceções bem pontuais que mostram pessoas que se isolaram completamente do mundo (muito provavelmente por alguma patologia). É pelo contato social que aprendemos a falar, nos comunicar, absorvemos as regras morais, sociais, culturais. Precisamos, em muitas ocasiões, da confirmação do outro para sabermos se estamos bem vestidos, se aquela decisão foi bem tomada, ou apenas para compartilhar uma alegria, uma tristeza. E buscamos relacionamentos afim de satisfazer uma necessidade maior, não apenas de constituir família, mas de companhia mesmo. 

Entretanto, por uma série de eventos, o relacionamento tão almejado pode chegar ao fim. Acredito que esse seja um dos grandes dilemas do homem hoje, aceitar o fim das coisas. parece que há um desejo fortíssimo para que as coisas tenham duração ilimitada. Esquecem que tudo na natureza tem um ciclo, as coisas se findam em algum momento, se renovam de alguma forma. Mas para as pessoas (ou pelo menos a maioria delas) parece inaceitável que um relacionamento acabe. Parece que todo aquele investimento afetivo foi em vão, emergem inúmeros questionamentos e um sentimento de frustração se faz presente e forte, tudo isso porque aquela pessoa não está mais com você. 

É nesse momento que muitas psicopatologias podem surgir. Aceitar o fim do namoro, noivado, casamento, união estável, é aceitar que algo deu errado, que não funcionou, que você está "sozinho" novamente e terá que passar por todo o processo de buscar alguém. Para alguns isso é inaceitável. Pode acontecer uma fixação com a pessoa que foi embora, fixação de pensar nela constantemente, de não aceitar de forma alguma que aquele relacionamento terminou e isso é perigoso, pois pode levar a uma obsessão. O sujeito não consegue mais trabalhar/ estudar direito, seus pensamentos estão sempre voltados para a pessoa, isso prejudica inclusive seu contato social com os outros. Pensar que a outra pessoa não está com você e pode estar com outro gera sentimentos violentos de raiva e frustração. Quanto chega nesse ponto, muitas vezes ocorrem os chamados crimes passionais. Por não saber lidar com o término do relacionamento, aquela pessoa acaba eliminando a fonte do seu amor que ao mesmo tempo é sua dor/sofrimento. Gostaria de ressaltar que não é o fim do relacionamento que causa esse tipo de comportamento, pois provavelmente a pessoa já tinha uma estrutura patológica. Para entender melhor, leiam meus artigos sobre ciúme patológico (clicando aqui) e codependência afetiva (clicando aqui).

MAS ENTÃO COMO AGIR DIANTE DESSE SOFRIMENTO? O QUE FAZER AO TÉRMINO DO RELACIONAMENTO?


Primeiro é importante pensar sobre isso de forma mais imparcial possível. Comece a analisar a sequencia de eventos que levou a isso. Nenhum relacionamento termina da noite para o dia, sempre há motivos e situações que impulsionam para isso. Analise qual o seu papel nessas situações, como você poderia ter feito diferente e se suas ações tiveram um peso maior ou menor. 

Aprenda a reconhecer seus erros, suas falhas, seja consciente das suas ações. As pessoas tem uma grande tendência a sempre culpar o outro por tudo, sem olhar para si mesmo e reconhecer que também tem responsabilidade pelo que ocorre numa relação. Entendendo melhor seus comportamentos durante a relação e reconhecendo onde errou você poderá evitar isso no futuro.

Não se torne um perseguidor. Isso é ruim para você (a pessoas vão saber e começar a ter medo e reprovar suas ações), e para a pessoa que vai tentar se proteger, muitas vezes acionando até a polícia. Respeite o espaço do outro. Ligações excessivas, ficar procurando a pessoa, seguindo ela, stalkeando nas redes sociais, tudo isso é sinal de patologia. Ninguém é propriedade de ninguém, ninguém é obrigado a te amar, a ficar com você. Amor é algo natural, quando é algo forçado e que impede a liberdade e o bem estar do outro aí já é doença.

Evite condutas autodestrutivas. Sei que é difícil porque somos bombardeados com esses comportamentos pela nossa cultura. Quando termina o relacionamento a pessoa vai pro bar, se enche de álcool, usa drogas, passa a dirigir perigosamente. Tudo isso é comportamento de risco e uma forma de causar dano a si mesmo. Uma hipótese minha é que isso é uma forma, inconsciente, da pessoa chamar a atenção do antigo parceiro(a), "olha como eu to mal, isso é culpa sua, por sua causa estou assim". 

Se a pessoa que se relacionava com você permitir uma aproximação e uma possível reconciliação, tudo bem, mas evite forçar isso ou você vai estar criando ainda mais conflitos. 

Busque amigos, parentes para conversar, desabafar, não sofra sozinho. Sofra, elabore o término, não finja que nada aconteceu. 



quarta-feira, 24 de junho de 2015

COMO FUNCIONA A TERAPIA DE CASAL?


Resolvi falar um pouco hoje para vocês sobre a Terapia de Casal, uma vez que é um tema que muitas pessoas gostariam de saber, entender como funciona e quando procurar esse tipo de ajuda. 

A Terapia de Casal é uma modalidade de atendimento em que ambos os parceiros participam, tendo o foco na sua interação e nas dificuldades específicas que eles estão vivenciando. O intuito é auxiliar e fortalecer a relação do casal, sejam namorados, noivos ou casados. Deixo isso claro uma vez que algumas pessoas acreditam que a Terapia de Casal é somente para pessoa casada e isto é um tremendo engano. 



COMO FUNCIONA A TERAPIA DE CASAL?

O psicólogo vai, através da escuta das situações de queixa do casal,  servindo como mediador, interlocutor a respeito dos problemas apresentados pelo casal. Então o casal chega no consultório e cada um relata o que lhe incomoda na relação com o parceiro, O psicólogo ouve um de cada vez, e vai "decodificando" a mensagem, porque muitas vezes os conflitos estão mascarados, encobertos por comportamentos e emoções muitas vezes o próprio casal não percebe. A partir daí, o psicólogo vai identificando cada ponto que está criando conflito e apresentando ao casal, que fica ciente dos comportamentos destrutivos, perniciosos, egoístas, submissos etc que estão prejudicando a relação. A função da terapia de casal é tratar a comunicação entre as partes, identificar o que  contamina este relacionamento, encontrar novas ações e fazer novos contratos. Não será o lugar para cada um tratar de questões que não envolvem o relacionamento. Questões pessoais são tratadas na psicoterapia individual, que pode/ deve ser feita com outro profissional. Questões fora da relação só devem ser tratadas se estão atrapalhando a relação. Exemplo: O marido com ciúmes do chefe da esposa. Neste caso o psicólogo trabalharia o que na relação do casal gera tanto ciúme do chefe, mas sem entrar na questão trabalhista da esposa. 


QUAL A DIFICULDADE DESTE TIPO DE ATENDIMENTO?

A primeira dificuldade que ocorre é convencer o parceiro a buscar ajuda profissional. Em meus anos de experiência o que tenho visto em 90% dos casos é que o homem sempre é mais resistente em aceitar participar desse tipo de terapia. Os homens evitam, por achar que é bobagem ou que podem resolver o problema de sua relação sozinhos, ou ainda pelo ranço da cultura machista no qual foram criados. As mulheres por outro lado estão dispostas a tentar, a buscar uma saída para melhorar o relacionamento que está se tornando insuportável. 

Outra dificuldade é o casal ceder. Durante a terapia o psicólogo dará sugestões, discutirá o comportamento do casal elucidando aquilo que está criando conflito e orientando formas mais saudáveis e autênticas de enfrentar esses problemas, a questão é que nem sempre o casal quer seguir essas orientações. Se o casal não se esforça para agir diferente, para modificar seu comportamento, o conflito persiste e nada muda. Então é importante saber ceder e querer realmente mudar se desejam ter uma relação mais sólida e tranquila.


O QUE LEVA A BUSCAR TERAPIA DE CASAL?

Vou citar alguns dos motivos pelos quais os casais mais buscam a terapia:

  • Ciúmes excessivos (pode ser um caso de ciume patológico, falei sobre isso em outro artigo, para ler clique aqui)
  • Dependência excessiva (falei como isso pode ser prejudicial em outro artigo, basta clicar aqui)
  • Traição
  • Dificuldades na sexualidade
  • Brigas constantes
  • Agressões físicas e/ou verbais
  • Falta de calor na relação
  • Falta de comprometimento na relação
  • Machismo em excesso
  • Indiferença excessiva de um em relação ao outro
  • Distanciamento de uma das partes
  • Insegurança na relação (ilusões criadas pelo medo de perder o outro ou de que o outro está fazendo algo errado)
QUAL O DIFERENCIAL DA TERAPIA DE CASAL? EM QUE ELA PODE AJUDAR A RELAÇÃO?


Existem muitos benefícios na Terapia de Casal que podem ser alcançados. O objetivo mais imediato seria melhorar a comunicação entre o casal, facilitando o processo de fala e escuta de cada um. Além disso a terapia vai proporcionar que você conheça mais seu parceiro e as necessidades dele, assim como você passe a se conhecer melhor e as suas necessidade, que descubram objetivos em comum, para que possam fortalecer o compromisso. Também ajuda a melhorar a vida sexual do casal, superar tabus e dificuldades relacionadas ao sexo. Outro ponto importante é acabar com a competição, visto que muitos casais parecem competir entre si para ver quem é o melhor, quem ganha mais, quem tem mais poder e controle na relação. Facilitar a divisão de responsabilidades dentro da relação é outro benefício d terapia de casal, visto que muitas vezes é como se um dos dois levasse o relacionamento inteiro nas costas. 


Espero que esse artigo tenha sanado algumas dúvidas sobre a Terapia de Casal. Se você estiver procurando esse tipo de atendimento, meu contato está aqui no site. 


Referências:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1994000200006

http://www.psicoterapiacognitiva.com.br/casal.html

BUSTUS, Dalmiro M. Perigo... Amor à vista! Drama e psicodrama de casais. São Paulo, Aleph, 1990.

BENEDITO, Vanda L. Di Yorio. Amor Conjugal e Terapia de Casal: uma leitura arquetípica. São Paulo: Summus, 1996. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Maconha Sintética que Mata Mais Rápido?


Os pais do jovem Connor Eckhardt estão arrasados. Seu único filho morreu de forma inesperada com 19 anos de idade, depois de fumar uma forma sintética de maconha chamada "Spice", algo como "tempero" ou "especiaria". Os pais acreditavam que tinham uma relação íntima com o filho sobre as drogas, aparentemente se enganaram. Eles estão agora num movimento para mostrar ao mundo os perigos das drogas sintéticas vendidas pela internet em algumas lojas especiais como nomes de "Spice", "K-2" e "Scooby Snax". São ilegais e muitas vezes ditas impróprias para o consumo humano.


Os pais de Connor, através do Facebook e do site Do It 4 Connor estão divulgando que essas drogas sintéticas podem causar ataques cardíacos, dano cerebral, alucinações, dependência e matar. Um jovem que utilizou a maconha sintética disse "Seu corpo quer, mesmo sabendo que não devia". Uma mulher disse que "Da última vez que fumei achei que teria um ataque do coração". Uma entrevista com outro usuário ficou comprometida porque ele estava incapaz de responder questões básicas devido ao seu estado. Outro homem, ciente da morte de Connor, disse que a droga era uma "roleta russa". Educadores dizem que os jovens pensam que estão adquirindo uma alternativa mais segura que a maconha, mas estão enganados. 


Essa nova maconha, o Spice e outras similares são folhas trituradas adicionadas de produtos químicos e embaladas em envelopes chamativos. Não se sabe onde é feita ou o que é colocada nela, de acordo com o Departamento Antidrogas de Los Angeles. Os policiais estão investigando esses fatos e disseram "Spice" é fumado como maconha. Porque usar tudo? Aqueles que fizeram disseram que é nova e te deixa no limite, e não aparece nos testes toxicológicos por ser uma substância nova, fator esse que aumenta sua popularidade. Uma pesquisa realizada na faculdade constatou que 8% dos alunos já experimentaram, enquanto que 30%  já experimentaram maconha.  


COMO SPICE AFETA O CÉREBRO?

Os usuários dessa maconha sintética relataram uma sensação similar a produzida pela maconha - alteração de humor, relaxamento, alteração da percepção - em alguns casos os efeitos são mais potentes que aqueles da maconha comum. Existem relatos de ataques de pânico, paranóia e alucinações. 

Até então não há estudos científicos sobre os efeitos do Spice no cérebro humano, mas é sabido que os componentes canabinóides encontrados no Spice agem nos mesmos receptores como THC, o a substância química básica da maconha. Alguns componentes do Spice, entretanto, se ligam mais fortemente a esses receptores que podem levar a um forte e inesperado efeito. Devido a composição química desconhecida de seus componentes pode causar diversos efeitos desconhecidos em seus usuários.


QUAIS OUTROS EFEITOS NO ORGANISMO QUE O SPICE PODE CAUSAR?

Usuários de Spice que foram levados ao centro de Toxicologia relataram sintomas que incluíam taquicardia, vomito, agitação, confusão e alucinações. Spice também pode aumentar a pressão sanguínea e causar uma redução do suprimento de sangue ao coração causando isquemia do miocárdio. Em alguns casos é associada a ataques cardíacos. Usuários contínuos podem experienciar sintomas de dependência e tolerância. 

Não sabemos ainda todo os efeitos que o Spice pode ter na saúde humana ou o quão tóxica ela pode ser, mas existe um consenso em saúde pública que ela pode ser prejudicial por conter resíduos de metais pesados em sua mistura. Sem uma análise mais precisa é difícil determinar se o alarde acerca dessa droga é justificado. Em todo caso, como qualquer tipo de droga, o melhor que se tem a fazer é evitá-la.


FONTES:

http://www.emcdda.europa.eu/attachements.cfm/att_80086_EN_Spice%20Thematic%20paper%20%E2%80%94%20final%20version.pdf

http://www.myfoxchicago.com/story/27176277/fox-11-investigates-synthetic-marijuana

http://www.jornalciencia.com/saude/mente/4402-maconha-sintetica-rapaz-de-19-anos-morre-apos-experimentar-nova-droga-que-esta-virando-moda-entre-os-jovens

http://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/k2spice-synthetic-marijuana

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Psicoterapia e Medicalização do Sujeito

Muito se discute sobre a necessidade do uso de medicação psicoativa e da eficácia da psicoterapia. Nesse breve artigo tentarei falar de ambas, sua importância e a necessidade de cada uma. 

Vivemos num futuro onde a maioria das doenças são curáveis através de vacinas, de máquinas especiais ou de remédios. Medicamentos são drogas que agem no corpo, alterando a bioquímica das células de modo a alcançar um efeito específico. Numa definição mais específica, medicamento é:

"Toda a substância ou associação de substâncias apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em seres humanos ou dos seus sintomas ou que possa ser utilizada ou administrada no ser humano com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas"

Em medicina é um recurso bastante utilizado para tratar inúmeras moléstias, mas quando chegamos no campo da saúde mental esbarramos em vários pré-conceitos, estigmas e inverdades e práticas desnecessárias que muitas vezes dificultam a adesão do tratamento e trazem descredibilidade ao tratamento Psicológico e Psiquiátrico. Acontece que as drogas psicoativas (ou substância psicotrópica, é uma substância química que age principalmente no sistema nervoso central, onde altera a função cerebral e temporariamente muda a percepção, o humor, o comportamento e a consciência) evoluíram muito ao longo dos anos, embora muitas vezes sejam utilizadas de forma indevida. 

Acontece que quando é feito o diagnóstico Psicológico/Psiquiárico, muitas vezes se faz necessário o uso de medicamentos específicos para ajudar no tratamento; drogas que vão aliviar o mal estar, reduzir a ansiedade, o medo, aliviar a sensação de tristeza e pânico, reduzir a insônia, eliminar as alucinações e os pensamentos delirantes e o comportamento maníaco. Os medicamentos psicoativos servem para uma infinidade de quadros sintomatológicos e tem sua eficácia comprovada através de estudos médicos, neurológicos e neuropsicológicos. 

Entretanto, por conta da falta de preparo, humanização ou boa vontade do profissional o paciente nem sempre é informado do seu diagnóstico e na grande maioria das vezes também não é orientado acerca da medicação que está fazendo uso. Toma os "remédios pra cabeça"(ou para os nervos) sem saber para que servem, seus efeitos, etc. Dependendo do paciente isso pode até ser irrelevante, mas mesmo um paciente que não responde pelos atos da vida civil, como um paciente com algum grau de retardo mental, esquizofrenia ou psicose, a família deveria ser informada sobre tudo, afinal faz parte do tratamento.

Pela minha experiência cotidiana existe uma prática entre muitos profissionais da psiquiatria que é a de apenas medicar o paciente, muitas vezes sem ouvi-lo realmente, sem conhecer sua queixa real, sua necessidade, pondo toda responsabilidade da cura no medicamento. Uma vez que o sujeito é colocado em segundo plano, a melhora ou a "cura" dessa pessoa acaba tomando um rumo incerto, uma vez que essa medicação psicoativa atua nos sintomas dos transtornos psicológicos e não na causa, assim sendo apenas aliviam e mascaram o problema.


QUAL O PAPEL DA PSICOTERAPIA?

Aliado ao diagnóstico e a medicação existe a psicoterapia. Sua definição é:




"Um tipo de terapia, cuja finalidade é tratar os problemas psicológicos, tais como depressão, ansiedade, dificuldades de relacionamento, entre outros problemas de saúde mental. É um processo dialético efetuado entre um profissional, o psicoterapeuta - que pode ser psicólogo ou psiquiatra - , e o cliente ou paciente".


Os objetivos da psicoterapia são:

-Restabelecer o funcionamento psíquico do paciente para que volte ao estado de equilíbrio;
-Permitir que o paciente compreenda o que acontece com ele a nível psicológico, emocional e comportamental para que possa encontrar recursos psíquicos para lidar com suas dificuldades, problemas, etc;
-Desenvolver meios de agir no mundo, estratégias, redefinindo suas atitudes, pensamento e modo de encarar a vida;
-Solucionar problemas pontuais, que o afligem (como a perda de um ente querido, por exemplo), bem como, tratar de questões de cunho mais existencial.

Você deve estar se perguntando se para tratar tudo isso é necessário medicação e a resposta é: não. Muitos problemas que chegam aos consultórios de Psicologia/Psiquiatria poderiam ser trabalhados apenas com psicoterapia, sem necessidade de medicação, embora muitos psiquiatras acreditem que o seu maior poder esteja na prescrição dessas drogas e muitos pacientes julguem que somente essas drogas vão tirá-los de seu problema. Esse é um erro tão comum, mas tão gritante que deveria ser esclarecido ao pacientes pelos bons profissionais que trabalham na área. Um bom diagnóstico vai delimitar a real necessidade ou não da medicação.

Deixo claro aqui que algumas condições clínicas são crônicas e o uso da medicação é imprescindível, até mesmo pelo resto da vida como nas esquizofrenias, psicoses, transtorno obsessivo compulsivo, transtornos de personalidade (borderline, por exemplo). Nesses casos é fundamental o uso contínuo da medicação que melhor se adequar ao paciente, mas também se faz necessário a psicoterapia para ajudar o paciente a lidar com seus sintomas, com sua angústia e aprender melhor sobre seu transtorno de modo que possa ter uma qualidade de vida.


A farmacologia e a psicoterapia não devem ser inimigas, mas aliadas. Minha crítica gira em torno a penas do uso desnecessário de medicamentos em situações que o paciente pode lidar com a ajuda da psicoterapia, sendo que muitas vezes é encorajado por médicos (clínicos ou psiquiatras) a usar determinada medicação como forma de alívio imediato dos sintomas. O problema é que o sintoma aliviado não some, muitas vezes ele muda de lugar e cresce como um monstro que começa a devorar o sujeito por dentro. Sem um trabalho terapêutico de pouco adianta a medicação, ela irá só amenizar os sintomas físicos, mas não dará autonomia para o paciente para compreender suas dificuldades reais e lidar com ela. Outra questão é que a medicalização desnecessária possa criar pessoas dependentes de certas classe de remédios, os famosos tarja preta. Já atendi pessoas dependentes de diazepam, por exemplo, que usavam a droga há 30 anos sem necessidade alguma.

Desta forma, sempre questione seu médico sobre a real necessidade do medicamento, sobre seus efeitos no seu corpo e sobre os benefícios de usá-lo. Para finalizar, lembro de uma vez em que eu estava com muita insônia e fui a um clínico geral, já esperando que ele fosse me medicar com algum sedativo, como é de praxe. Depois de duas horas de consulta (isso mesmo, duas horas, enquanto que muitos médicos passam dez minutos para examinar um paciente), o simpático doutor cuja filha era psicóloga me deu orientações em como lidar com meu estresse e não me passou NENHUM remédio. Pela primeira vez na vida saí de um consultório médico sem receita. Quem dera existissem mais profissionais médicos assim, com um olhar mais humano e menos biológico/farmacológico.




Referências:

Vida Celeiro - Revista de Saúde, Beleza e Bem-estar. N.º16 - Inverno 2012. Pág.26

http://www.dre.pt/pdf1s/2006/08/16700/62976383.pdf

http://www.infoescola.com/psicologia/psicofarmacologia/

domingo, 9 de março de 2014

Desmistificando a Dependência Química



Quando o assunto é dependência química existem vários mitos que rondam o tema e uma série de informações baseadas no simples achismo ou numa replicação contínua de fatos nada científicos. Não pretendo escrever um texto longo demais, nem chato demais sobre o assunto, apenas esclarecer alguns pontos mais comuns sobre como a dependência química ocorre e como ela afeta o ser humano, a partir dos meus estudos e a experiência clínica atendendo esse público.


Primeiramente vamos romper com o mito de quem usa drogas é viciado. O vício é, na verdade, o resultado do uso contínuo daquela substância que causa uma alteração nos processos neuroquímicos do cérebro, seja bagunçando os neurotransmissores, seja aumentando os níveis de serotonina (substância que atua na regulação de vários estamos emocionais). Dessa forma, podemos nos viciar em várias coisas, não só em entorpecentes (cocaína, crack, etc), mas em coisas que encontramos no dia a dia, como refrigerantes, café, chocolate, sexo, jogos. 

Então primeiro temos que definir o que é o vício. Segundo o dicionário Aurélio: vício é "Disposição habitual para certo mal; mau costume". Mas podemos incrementar essa definição, uma vez que o vício é uma repetição de um comportamento nocivo, da qual o sujeito tem pouca consciência por estar tão inserido na busca por sensações agradáveis e/ou que alterem sua consciência. Logo, o vício seria o ato de abusar de uma substância ou comportamento, repetindo-o quase sempre sem controle de forma a atingir sensações de prazer ou alteração da consciência. 

Voltando a questão primordial, então você pode estar se perguntando "Então quem usa maconha, cocaína ou crack não é viciado, drogado?" A resposta é: depende. Uma pessoa pode usar vários tipos de droga (ou um só tipo) e não se viciar, tudo vai depender de uma série de fatores internos e externos. Ah, e drogado é quem está sob efeito de alguma droga (inclusos aí qualquer medicamento que altere as funções cognitivas), enquanto que usuário é aquela pessoa que usa determinado tipo de substância.


Para entender melhor a dependência química temos a questão da tolerância, que é a capacidade que cada organismo tem de "resistir" a essas substâncias alheias, sem provocar a vontade incontrolável de usa-la novamente. Algumas drogas são mais viciantes que outras, isso vai depender da composição química de cada uma, mas a tolerância vai variar de organismo para organismo. Enquanto uma pessoa pode se viciar em crack com um ou dois usos, outro pode levar semanas para adquirir os primeiros sinais de adicção. No momento em que o sujeito começa a buscar a droga cada vez mais, comprometendo sua vida social, familiar, laboral há uma grande chance de que ele esteja realmente viciado. Mas muitos utilizam drogas (lícitas ou ilícitas) e conseguem manter o emprego, as responsabilidades da vida sem maiores problemas. 



Outro mito é o de que uma droga mais leve leva ao uso de outras mais pesadas. Isso é amplamente difundido pela mídia e pelos leigos que tentam entender o fenômeno da dependência química. O uso de determinada droga está associado a diversos fatores, mas vamos enumerar alguns para ficar claro. Primeiro temos a questão do acesso a droga. O sujeito não vai atrás de heroína quando ele pode conseguir maconha ou cocaína com mais facilidade, então o suposto viciado em entorpecentes vai em busca do que está mais próximo dele e do seu círculo social. Se os amigos só bebem, a tendência é usar apenas o álcool, mas se os amigos bebem e fumam maconha esta droga se torna mais acessível para ele do que ir até uma boca de fumo atrás de crack, por exemplo. 

Outro fator é o que leva ao sujeito usar a droga, sua motivação para tal ato. Pode ter um fim "recreativo", como nas reuniões de amigos e festas, ou pode ser para reduzir a ansiedade e o stress (álcool e maconha, por exemplo), esquecer situações desagradáveis e conflitos mal resolvidos também é bastante comum. 

Um fator importante é o relacionamento consigo mesmo, uma vez que o uso da droga pode estar associado a comportamentos exclusivamente destrutivos e é aí onde vemos a maioria dos usuários nos programas policiais e nos noticiários. Quando, para este indivíduo, não há uma perspectiva, não há uma estrutura familiar, não há o básico para sua formação humana, o que resta é uma angústia existencial tão intensa que leva o indivíduo ao comportamento autodestrutivo, não apenas usando drogas variadas, mas desafiando a Lei ao cometer delitos e enfrentamento constante de vários tipos de autoridade.  

Como mencionado no início desse texto, não pretendo esgotar o tema neste artigo, mas sim informar melhor o leito sobre essas questões tão presentes em nossa atualidade. Não devemos brincar com nosso corpo experimentando essas substâncias e achando que não vamos nos viciar, pois isto seria uma roleta russa com nossa própria vida. Pode até ser fácil não acostumar o corpo com o uso de entorpecentes no começo, mas depois que está instaurado o processo de adicção as drogas é muito complicado lidar com isso uma vez que envolve aspectos psicossociais.  

Como leitura complementar, aí vai um texto de um neurocientista, o Dr. Carl Hart, sobre a questão da dependência. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Distúrbios Psicológicos em Relacionamentos Afetivos: Codependência

Outro fenômeno que ocorre nos relacionamentos afetivos é a codependência, mas antes de defini-la, vamos

falar sobre o conceito de dependência.  Dependência é quando o indivíduo não é capaz de realizar algo ou dar conta de sua vida sozinho, ele precisa de alguém para auxiliá-lo nesse processo. Geralmente somos muito dependentes dos pais na infância, quando estamos desenvolvendo nossa personalidade e compreendendo o mundo através das relações e do brincar. O adolescente já é bem menos dependente, ele já tem consciência de seu papel, de suas necessidades, comumente eles são dependentes financeiramente dos pais. Mas existe outro tipo de dependência que é bem mais complicada: a dependência emocional.

É fácil caracterizar uma pessoa dependente, uma vez que ela assuma uma postura essencialmente passiva; ela deseja que suas necessidades sejam satisfeitas, mas costumam fugir das responsabilidades, criam uma série de desculpas e mecanismos de evitação para não assumir as consequências de seus atos, manipulam os outros para satisfazerem suas necessidades assumindo um comportamento de vitimização. Esse processo pode ganhar uma dimensão muito maior e levar a pessoa a desenvolver uma codependência.

Se faça as seguintes perguntas: Você se preocupa intensamente com outra pessoa? Você precisa estar perto daquela pessoa? Você se sente perdido quando não consegue estar perto? Você precisa do amor exclusivo e absoluto de alguém e só procura sua companhia? Você vê os amigos e familiares desta pessoa como competição? Você é ciumento? Você só consegue se decidir ou agir se a pessoa em questão aprovar?

Dependendo das respostas você pode estar vivenciando uma codependência, que é uma tendência de se comportar passivamente em excesso, que leva a impacto negativo nos relacionamentos e na qualidade de vida de um indivíduo. É geralmente vista como colocando as necessidades do indivíduo abaixo das necessidades dos outros e ficar preocupado em excesso com outros.

O codependente sofre muito com sua condição, pois sua vontade geralmente é subjugada quando se relaciona com pessoas controladoras, autoritárias ou com manifestações de ciúme patológico. Quando o companheiro do codependente é controlador, ciumento, agressivo, ocorre uma sujeição nesse relacionamento que impede o codependente de fazer o que gosta, tendo que se submeter as vontades do outro em detrimento da sua. Já atendi casos onde o marido impedia a mulher (ela sendo a codependente) de estudar, trabalhar e ainda era violento com ela, verbal e fisicamente. Fica claro nesse exemplo que ele queria cortar qualquer possibilidade da mulher de se desligar dele, fortalecendo a relação de dependência.


Muitas mulheres (elas são as mais atingidas pela codependência) vivem situações desse tipo onde se submetem totalmente ao marido, acreditando que isso é amor (ou uma prova do mesmo), entretanto se faz necessário refletir que tipo de amor é esse que domina, massacra e traz um profundo sofrimento. Que amor é esse que aceita a violência porque o marido lhe sustenta ou dá o sustento dos filhos, como se fosse uma justificativa para suportar as agressões? Essas mulheres tem uma autoestima baixa, esquecem de si e se importam demais com o companheiro que as maltrata. É uma condição que requer um acompanhamento psicológico de modo que essa pessoa possa se redescobrir, possa aprender a se valorizar, a compreender como se dá essa dependência afetiva na sua relação e poder criar estratégias para lidar com isso.

O primeiro passo para a mudança da situação é reconhecer a dependência afetiva, mas não é algo que possa ser mudado com facilidade pela pessoa, a orientação profissional é fundamental, pois mesmo com a vontade de mudar não é suficiente para a pessoa codependente, ela simplesmente não consegue superar essa barreira sozinha.



Referências: