quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

MEDO DE DIRIGIR: QUANDO IR AO PSICÓLOGO?

Nos dias de hoje, dirigir é importante e faz parte do nosso cotidiano. Quando não dirigimos, na maioria das vezes estamos sob a responsabilidade de alguém que dirige e que nos transporta para nossos compromissos. Entretanto, existem aquelas pessoas que tem alguma dificuldade em pegar o voltante. Vamos falar um pouco sobre isso nesse artigo.

Dirigir parece ser algo simples e tal comum que não percebemos que muitas pessoas passam por um tormento para executar essa tarefa. Pesquisas mostram que as mulheres são as que mais sofrem com esse problema: ao mesmo tempo que são, em sua maioria, mais cuidadosas ao dirigir muitas delas passam por problemas relacionados a condução de veículos. Numa dessas pesquisas foi constatado que 45,2% dos entrevistados tinha habilitação mas não dispunha do veículo para praticar. Depois de um tempo, essas pessoas acabam se tornando dependentes de outros condutores e presenciam diversas situações no trânsito que podem minar sua confiança, causando assim um bloqueio para o ato de dirigir. 

Muitos acreditam que o medo de dirigir vem de experiências traumáticas, tais como acidentes, por exemplo, onde é comum o Transtorno de Estresse Pós Traumático (clique para ler o artigo sobre esse tema), todavia isso é uma percepção errônea, baseada no senso comum. Estudos mostram que uma apenas uma pequena porcentagem (em torno de 18%, mas a amostragem era de 93 pessoas) dessas pessoas sofreram algum tipo de acidente relacionado ao trânsito. Segundo esse estudo:

"Mais fatores relevantes para as pessoas não dirigirem foram o comodismo (15,1%), a falta de incentivo (12,9%), recebimento de críticas constantes no período da autoescola (8,6%), conduta adotada pelos instrutores (6,4%), intolerância aos próprios erros (8,6%) e outros motivos, como adoecimento e mudanças para outros locais de moradia com o trânsito diferente do de onde aprenderam a dirigir (8,6%)"¹


E além disso: 

"...a maioria das pessoas se queixou de: não ter boa noção de espaço (91,4%), ter dificuldade para estacionar (90,3%), não saber sair com o carro em uma subida (90,3%), ter dificuldade em dirigir em tráfego intenso (89,2%), não conseguir dirigir sozinhas (89,2%) e não dominar o trajeto de casa para o trabalho (83,9%). Além disso, queixas como de não saber estacionar na própria garagem (82,8%), não dirigir em rodovias (82,8%), não dominar todas as marchas (81,7%) e não conseguir fazer curvas rápidas (78,5%)"


Fica claro que existem dois fatores a serem considerados. O primeiro é o fator interpessoal, o
segundo é questão do treinamento das autoescolas. Vamos falar primeiro do curso de direção fornecido pelas autoescolas. Já ouvi pessoas comparando o treinamento de condutor ao cursinho de pré-vestibular- ele te ensina a passar na prova, no caso da autoescola, a passar pela prova do Detran. Mesmo treinando nas ruas, o condutor não sai preparado para as situações reais do cotidiano do trânsito. lembro quando tirei minha habilitação anos atrás que o instrutor me ensinou muito bem como fazer todas as manobras necessárias para obter êxito na prova prática, mas eu fui aprender como dirigir pra valer no cotidiano, nas ruas, enfrentando o movimento frenético de pedestres, ciclistas, motociclistas, coletivos, etc. Não sei se todas as autoescolas funcionam assim, mas um curso voltado não só para passar no exame do Detran mas também para ensinar de fato como dirigir poderia ajudar muito essas pessoas. Isso implicaria numa reformulação dos cursos de formação de condutores.

O fator interpessoal é outro aspecto fundamental no que diz respeito ao ato de conduzir um veículo. Primeiro a pessoa deve ter o treinamento adequado, saber o básico do funcionamento, como se executam suas manobras etc. Segundo a pessoa deve ter confiança em si. Quando essa confiança da lugar ao medo criam-se barreiras que atrapalham a pessoa a dirigir.


O MEDO DE DIRIGIR

"O medo é um mecanismo de proteção. Quando nos defrontamos com o perigo, seja ele de qualquer natureza, o corpo se arma para enfrentar "o inimigo". A partir de uma reação de luta ou fuga, o organismo ativa o sistema nervoso simpático, liberando as substâncias adrenalina e noradrenalina. Estas promovem alterações fisiológicas que viabilizam a defesa do indivíduo, como o aumento da frequência cardíaca, a constrição dos vasos da pele, a redução da atividade gastrintestinal, o aumento da taxa respiratória, o aumento da sudorese e a dilatação da pupila"²

Essa sensação de medo vai persistindo conforme a pessoa cria em seu imaginário situações catastróficas ligadas ao ato de dirigir, ou seja, imagina acidentes e afins, e para se proteger desenvolve esse comportamento de fuga/ esquiva do ato de conduzir o veículo. Algumas pessoa acreditam que o medo vai passar com esse ato de evitação, mas estão profundamente enganadas. Isso apenas vai trazer um alívio momentâneo da situação ao mesmo tempo em que mina a confiança do sujeito que se torna totalmente inseguro para tentar outras vezes. Daí pode variar de um simples medo ao pânico/ fobia total de dirigir. No estudo citado nesse artigo, veja o que as pessoas pensam/sentem sobre isso:

"...medo de errar (75,3%), medo de causar um acidente (72%) e medo de perder o controle da situação (61,3%). Além disso, 59,1% dos sujeitos disseram sentir aflição, 23,7% relataram sentir vergonha das outras pessoas e 23,7% apontaram ter vontade de desistir. A impaciência foi apontada por 20,4% das pessoas, enquanto 19,4% relataram sentir vontade de chorar, 17,2% disseram ter dificuldade de concentração e 3,2% frisaram sentir vontade de brigar.¹"

Logo, se percebe uma gama se sentimentos e pensamentos negativos relacionados ao medo de dirigir. E embora as pessoas não sejam obrigadas a serem motoristas, muitas precisam dirigir por necessidade, para se deslocar melhor dentro das cidade, visto que o transporte público em nosso país é bastante deficitário. A pessoa com fobia de dirigir pode procurar um psicólogo para lhe auxiliar a lidar com esse comportamento e aqui faço uma ressalva. Há uns anos atrás existia em minha cidade um instrutor de direção que se dizia especialista em fobia para dirigir e na sua propaganda ele dizia que iria ajudar a pessoa a superar seus medos. Esse indivíduo não possuía nenhuma formação em Psicologia ou Psiquiatria, sendo habilitado apenas como instrutor de direção. A questão é, como poderia ele ajudar uma pessoa sem entender nada do comportamento humano? Talvez ele trabalhasse apenas a questão prática da direção, estimulando a pessoa positivamente, mas dependendo da pessoa e do que ela está sentindo isso não é o suficiente. Apenas um profissional com formação em saúde mental teria conhecimento científico e técnico para diagnósticar que tipo de transtorno está relacionado e ajudar a pessoa a entender esse sintomas através de uma terapia. Então fica o alerta para esse tipo de prática, procure sempre um profissional capacitado.   

Dirigir é algo que como tudo na vida requer prática e atenção. E assim como muitas coisas, nem todos fazem excelentemente. É como tocar violão. Posso aprender a tocar violão e saber o básico e nunca ir além disso, mas existirão pessoas que podem aprender com muita facilidade e se tornarem mestres da música, ao passo que outras nunca vão tocar direito os acordes. Quanto mais treino, vontade e dedicação melhor. E para vencer os medos e as dificuldades pode ser necessária a ajuda de um profissional psicólogo. Dirija com cuidado e até o próximo artigo.


REFERÊNCIAS:
1-http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852013000200005&lang=pt
2-http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082011000100007&lang=pt
3-http://comportese.com/2014/03/o-medo-de-dirigir-uma-visao-analitico-comportamental/

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

POR QUE ESCOLHER CURSAR PSICOLOGIA?

A pressão do final do ensino médio para que os adolescentes escolham uma carreira é tremenda. Hoje, está muito mais fácil cursar uma graduação, uma vez que as faculdades vem se multiplicando assustadoramente, nem sempre com qualidade, mas esse não é o foco desse artigo. Os cursos mais procurados no Ceará sempre giraram entre Medicina, Direito, Engenharia e Psicologia. Segundo o Ministério da Educação, em 2015 Psicologia foi o 9° curso mais procurado no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Mas porque fazer Psicologia?



DÚVIDAS NA ESCOLHA

Os estudantes do ensino médio são forçados a se decidir muito cedo sobre seu futuro profissional, muitas vezes bombardeados por opiniões alheias (amigos, pais, parentes) que tendem a influenciar os jovens a respeito da escolha de sua profissão. São, em diversos casos, orientados para profissões onde vão ter mais retorno financeiro ou mais reconhecimento social. Medicina e Direito são sempre alguns desses cursos em que, supostamente, a pessoa vai ter sucesso caso se forme. Além disso, nem sempre a instituição de ensino fornece uma acompanhamento vocacional, isso somado a desinformação pode levar o estudante a escolhas equivocadas. De uns anos para cá a Psicologia tem ganhado mais visibilidade através de pesquisas, divulgação na mídia e internet o que tem atraído muitos estudantes para a área. Todavia eu percebo que muitos estudantes (e outras pessoas que prestam o vestibular) escolhem a Psicologia por motivos equivocados. Vou tentar demonstrar e explicar esse motivos e falar um pouco do que a Psicologia realmente é e faz.




CURSO DE PSICOLOGIA NÃO É TERAPIA

Uma colega que entrou comigo na faculdade de Psicologia questionava constantemente o que era ensinado na graduação. Não que isso seja ruim, o papel de questionador é fundamental em qualquer instituição de ensino. O problema era que ela tinha dificuldade de entender o que era ensinado, para ela aquilo não fazia sentido! Logo, suas dúvidas também não, o que levava a questionamentos sem nexo, uma vez que ela não conseguia absorver o conteúdo. Até que 3 semestres depois ela resolveu largar o curso. Em várias conversas com ela eu percebi que ela tinha muitos problemas pessoais, e que sua vida era bem complicada. Até que ela fez vestibular na mesma instituição, para o curso de Farmácia. Algum tempo depois encontrei com ela e ela estava gostando muito do curso e se identificava mais do que com psicologia. 

Usei esse exemplo da vida real para demonstrar algo muito comum: muitos estudantes escolher erradamente o curso de Psicologia porque precisam de psicoterapia (falei sobre psicoterapia nessa matéria aqui) . Algumas pessoas acham que o curso de Psicologia é um tratamento ou terapia (essa mesma amiga achava isso), o que não é! O estudante de Psicologia pode (e deve) fazer psicoterapia para entender melhor suas questões pessoais e aprender a lidar com elas, mas isso é fora do curso, é algo a parte, mas importante para sua formação.

Além desse exemplo, já presenciei algumas situações em sala de aula em meus tempos de estudante no qual o professor as vezes interrompia a aula para conversar com o aluno, ou o fazia após a aula, quando algo no conteúdo ministrado mexia com o aluno, desencadeando crises de choro ou mesmo surtos de raiva. 


PORQUE ESCOLHER CURSAR PSICOLOGIA

Já ouvi muito a frase "eu quero ser psicólogo para ajudar as pessoas". Se você pensa assim, não deveria escolher o curso de Psicologia. Existem várias profissões ou trabalhos voluntários onde você pode ajudar as pessoas, O objetivo do Psicólogo não é ajudar, embora a ajuda possa ser uma consequência em alguns casos. Leia sobre psicoterapia aqui para entender isso.

Psicologia não é um curso fácil, mas qualquer pessoa com dedicação consegue terminá-lo. A primeira coisa que você deve analisar ao pensar em fazer essa faculdade é se você gosta de lidar com pessoas. A Psicologia tem diversas áreas, embora as pessoas só consigam visualizar mais a área clínica, todavia em todas você vai lidar com pessoas, de forma diferente. Se você não gosta ou não se sente à vontade para esse contato humano, repense sua escolha.

No curso de Psicologia você irá estudar o comportamento humano, o funcionamento do cérebro, as relações entre sociedade-indivíduo, indivíduo-cultura, dentre outras, a anatomia cerebral, as patologia da mente, as teorias psicológicas e suas aplicações, etc.

É necessário gostar de ler muito, porque é um curso que exige muita leitura e interpretação. A faculdade ensina o básico e cada um deve procurar estudar muito e ler não só o que é sugerido pelos professores (que já é bastante coisa).

Gostar dos temas de Psicologia faz com que você se apaixone pelo curso com mais facilidade. Psicologia é uma área muito abrangente, mas o principal é gostar de ler e entender sobre o comportamento humano. 


Espero que esse texto tenha sido útil para você que é ou não estudante, que pensa em fazer Psicologia ou que apenas tinha curiosidade no assunto. Qualquer dúvida, sugestão ou crítica pode cometar aqui abaixo ou mandar um e-mail! 




Referências:
http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/01/veja-os-20-cursos-mais-procurados-do-sisu-administracao-lidera-lista.html


http://ruf.folha.uol.com.br/2015/ranking-de-cursos/psicologia/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

CRIANÇAS E ELETRÔNICOS- QUAIS OS RISCOS?

A geração atual vem se desenvolvendo cercada pelo avanço tecnológico numa velocidade assustadora. Vemos novos dispositivos ficarem obsoletos com muita rapidez e novos aparelhos eletrônicos surgindo no mercado, criando novas tendências e necessidades que antes não existiam. Hoje, é muito difícil ver alguém sem seu celular smartphone (que é praticamente um computador portátil), e muito fácil encontrar pessoas viciadas em tecnologia. Assim como seus pais, as crianças começam a ser bombardeadas pela tecnologia desde cedo, crescem em meio a televisores modernos, celulares, tablets e outros gadgets (dispositivos) eletrônicos com funções diversas. A questão que talvez muitos pais nem pensem é: "Quando isso começa a ser danoso para as crianças?"




HÁBITOS NOCIVOS DA MODERNIDADE 

Antigamente se brincava muito com as crianças, levavam elas para passear, havia mais interação. Hoje, estudos da Associação Americana de Pediatria mostram que as crianças passam muito tempo em frente a televisão, em média de 4 a 8 horas. Isso é muito tempo. Mesmo que sejam programas educativos, nada substitui a interação real com os pequeninos, uma vez que as crianças estão em pleno desenvolvimento e necessitam de contato real. O brincar estimula o desenvolvimento da psicomotricidade, ou seja, da percepção espacial, do raciocínio lógico/abstrato, da criatividade, da interação com objetos. Crianças que passam muito tempo "zumbis" assistindo televisão, mesmo que programas educativos perdem um pouco disso. Os pais não tem mais tempo para educar, tem que trabalhar jornadas exaustivas para poder sustentar a casa e dar conforto a família. Mas existe um preço que se paga com isso, esse modo de vida da nossa sociedade vem adoecendo muitos
indivíduos.

As crianças tem uma tendência natural em seu desenvolvimento a imitar os adultos e estão adquirindo esse vício por tecnologia. os brinquedos estão sendo substituídos por celulares, tablets, computadores, criando um cenário bastante preocupante. O celular, por exemplo, é um dispositivo essencial na vida moderna, foi (e vem) ganhando novas funções com o passar dos anos. Antes era algo de "gente grande", utilizado para comunicação a distância, hoje é quase um brinquedo. E os brinquedos de verdade estão esquecidos, assim como as brincadeiras de infância que tanto contribuem para o desenvolvimento infantil. É necessário que os pais atentem para esse fato e procurem não alimentar esse vício em tecnologia em seus filhos. 


QUAIS OS RISCOS DE CRIANÇAS VICIADAS EM TECNOLOGIA?

Lembro de um paciente de 13 anos que atendi certa vez. Ele estava viciado em jogos por computador, passava até 10 horas no computador, quando era censurado por sua avó, que o criava. Quando não havia essa censura, chegava a passar muito mais tempo em frente a tela. Abandonou a escola, tanto por faltas quanto pelo baixo desempenho nas matérias, não conseguia se concentrar nas aulas, praticamente não se relacionava com outros de sua idade. Diagnóstico? Algo que costumamos ver apenas em adultos: vício por jogo e compulsão. No caso, jogo eletrônico, mas o mecanismo é o mesmo. 


Crianças viciadas em tecnologia ou sem limites no acesso a esses dispositivos eletrônicos podem sofrer uma série de consequências, dependendo da idade e do tempo de exposição. Por exemplo, os bebês se desenvolvem fisicamente muito rápido, seus cérebros rapidamente nos primeiros anos de vida. Durante esse período os estímulos ambientais são muito importantes para determinar o quão eficiente será o desenvolvimento cerebral. Estudos mostram que a superexposição a eletrônicos nesse período pode ser prejudicial e causar déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções. Outro problema é a obesidade. Crianças antigamente corriam muito, brincavam gastando energia, hoje brincam no quarto, na sala com celulares, tablets e computadores. A diminuição da atividade física, aliada a má alimentação aumenta os riscos de obesidade na infância. 

Ficar até tarde vendo televisão ou jogando nesses dispositivos pode afetar o sono, fazendo com que a superestimulação deixa a criança em estado de alerta, atrapalhando o horário normal de sono. Criança que dorme tarde e acorda cedo não rende na escola. Outro problema é o déficit de atenção, que é muito comum hoje em dia. A quantidade de estímulos com o qual a criança é bombardeada através dos eletrônicos pode levá-la a desenvolver dificuldade de atenção e concentração. Excesso de estímulos é algo prejudicial para os pequenos. Fora tudo isso mencionado acima ainda temos os problemas emocionais causados pelo uso constante de dispositivos, que acabam privando as crianças de contato social e potencializando que as mesmas desenvolvam instabilidade emocional, baixa tolerância a frustração, ansiedade e até mesmo transtornos mentais.


O QUE FAZER?

Algumas dicas para você que tem filhos pequenos e gosta de ter muita tecnologia em casa:

-Limitar o uso de aparelhos eletrônicos pelas crianças, limitar também o tempo de uso. 

-Saiba o que seu filho está olhando. Redes sociais são um perigo para crianças, esteja atento ao conteúdo que seu filho está acessando, seja na TV, computador, celular ou tablet. Aplicativos de conversação como Whats App, Viber e Telegram também devem ser monitorados ou restringidos pelos pais.

-Evite muitos aparelhos eletrônicos no quarto das crianças. Quanto menos a exposição prolongada, melhor.

- Conforme a idade dos seus filhos, tenha conversas críticas acerca dos programas que eles assistem, com o objetivo de desenvolver o entendimento de valores familiares.

-Limite o uso de videogames, estabeleça um tempo por dia para uso desses dispositivos. O ideal seria no máximo 2 horas por dia.

- Quanto menor a idade, menos é o tempo indicado para que a criança use aparelhos eletrônicos.

-Saia mais com seus filhos, converse e brinque mais com eles ao invés de deixá-los vendo TV, jogando no tablet ou no celular.

-Incentive a prática de esportes. 

-Troque o programa infantil no tablet/celular por um livro. Leia para seu filho, estimule a criatividade e a imaginação dele.

Referência:

Associação Americana de Psiquiatria http://pediatrics.aappublications.org/content/132/5/958.full

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Algumas Considerações Sobre Esse Blog

Olá e obrigado por acessarem o meu blog. Ultimamente não venho tendo uma regularidade nas matérias que escrevo, na verdade há algum tempo que não atualizo meus escritos aqui devido a minha carga de trabalho. Como psicólogo atendo muitas pessoas e realizo outras atividades o que me deixa com pouco tempo e muitas vezes cansado. Gosto de atualizar esse espaço para sempre trazer assuntos novos e relevantes, mas gosto de fazê-lo com zelo e responsabilidade. Portanto, muitas vezes preciso ler mais sobre o assunto, pesquisar novidades, ir em busca de artigos ou estudos recentes para trazer a você leitor algo mais elaborado e ao mesmo tempo de fácil leitura. Meu intuito é escrever artigos novos quinzenalmente a partir do próximo ano, e tentarei me esforçar ao máximo para conseguir este feito. Agradeço a todos os que acompanham meu trabalho, as dúvidas, sugestões e contatos que recebo por e-mail. 

Um grande abraço a todos.


Leonardo Martins

As Consequências de Beijar o Filho na Boca


Artigo escrito  por Rachel Canteli:


Uma das primeiras conseqüências de beijar os filhos na boca, já nos primeiros dias de vida, é a transmissão de bactérias as quais os bebês ainda não possuem defesas. Segundo o presidente da Associação Odonto-criança, Daniel Korytnicki, que concorda com a citação do infectologista Milton Lapchik, além da cárie, “o estalinho pode transmitir algumas doenças, como herpes simples, micoses e outras infecções causadas por vírus”, as quais muitas vezes ficam imperceptíveis na pele, mas que geram indisposição física, sendo necessária a intervenção medicamentosa.

A pedagoga Jane R. Barreto, ressalta que a criança imita os adultos, tanto os familiares, como os vistos em programas televisivos e filmes. Porém a representação desses papéis adultos, não significa que a criança esteja pronta para a compreensão global do que certas atitudes que imitam, representam, pois permanecem na inocência característica da infância. Nesta situação, dramatizar o que viu, cantar e dançar músicas com cunho erótico para o adulto não possui a mesma conotação para as crianças, mas as expõe. A criança, por se estruturar através da fantasia mediada pela realidade, vive no faz de conta a concepção de um amor dentro do conhecimento que possui do amor de seus pais: príncipes e princesas que desejaram estar juntos e serão felizes para sempre. Mesmo famílias que possuem desentendimentos constantes em frente a criança, pelo infante não conhecer outra realidade, acaba por considerar que esta forma de relacionamento é a normal. A autora ainda ressalta que “Adultos não devem beijar crianças na boca, se alimentar na mesma colher, assoprar a comida, ou ainda recolher a chupeta, quando a mesma cair no chão, levando-a à boca, para “tirar as bactérias”, e depois colocar na boca da criança, evitando assim a transmissão de Hpilori, carie, herpes, sapinhos, entre outros… eles ainda estão criando imunidade, não tem a defesa orgânica que os adultos têm. Além da questão saúde, devem permanecer atento ao comportamento, pois se os infantes julgarem que esse costume familiar é natural, repetirão com todos adultos que tiverem contato. Neste sentido o diálogo com seus filhos se torna fundamental, esclarecendo que essa atitude só deverá ocorrer no seio familiar, pois, com a ingenuidade natural da criança, pode acontecer dela entender que, uma vez que seus pais a beijam na boca, pode repetir o gesto com outros de seu vínculo.”.

Giselle Castro Fernandes também ressalta que criança não beija na boca e não namora. Criança tem amiguinhos mais chegados ou não. Nas escolas, presenciam-se alguns coleguinhas andar de mãos dadas dizendo-se namoradinhos, ou como relatou uma mãe de uma criança de 3 anos: “Minha filha está preocupada com quem vai se casar, pois um amiguinho casará com uma de suas amigas, o outro com outra e assim consecutivamente.”. Situações como essas, além de gerar ciúmes, provocam também uma preocupação inadequada para a idade, privam a criança da infância, sem nenhuma razão! O trabalho dentro do espaço escolar de esclarecer a educadores e pais sobre este aspecto é fundamental.

Para os pais, o namoro infantil pode ser interpretado como uma brincadeira, mas é preciso que se alerte quanto às consequências disso. Uma criança de dois ou três aninhos, acostumada a dar o “selinho” em seus pais, a tomar banho junto com o sexo oposto adulto ou a dormir na cama do casal, dependendo de como o adulto brinca ou sente essa situação, poderá desenvolver a erotização precoce de algumas áreas de seu corpo e este fator pode novamente privá-la da inocência da infância. Assim, casos esses comportamentos sejam rotinas dentro da família, precisam ser conversados e orientados dentro do entendimento de cada fase, lembrando sempre que a criança possui uma compreensão relacionada ao corpo bem diferente do adulto. Valdeci Rodrigues questiona: “Numa época em que a pedofilia precisa ter um amplo combate, como ficam a cabeça desses garotos e garotas que escutam na própria escola que para fugir do baixo astral é melhor “beijar na boca”?”. Essa reflexão é primordial para a educação infantil para pais e educadores.

Giselle Castro Fernandes continua sua reflexão alertando que “Na família existe o papel do pai e da mãe – que, juntos, formam um casal que dorme junto, que beija na boca! O papel dos filhos é outro. São crianças, e criança não beija na boca, não dorme na cama dos pais, etc. Trata-se de demarcar esses limites de maneira bem clara. Do contrário, fica difícil definir o papel do adulto e da criança. Para ela, criança, dar o “selinho” é o mesmo que namorar.”. Enfatiza ainda que “Filhinho (a) não é namorado e, portanto, não beija igual. Beija no rosto, abraça, acaricia, mas nada que se confunda com o carinho ou com o amor do adulto, do casal. Há uma preocupação muito grande (e justa) dos pais, de se atualizarem, de não se distanciarem de seus filhos, mas isso pode e deve ser feito, sem que se abra mão de seu papel, o papel de pai e de mãe, aqueles que representam o porto seguro aos filhos, aqueles que são “adultos”, que orientam, seguram a barra e que deixam muito bem definida a posição de criança e de adulto na família. Pode se ter a certeza de que os filhos, no futuro, agradecerão muito a seus pais que não abriram mão do papel com a função paterna – no sentido literal de força, de limite e da função materna – de cuidado, proteção. Amor entre adultos é diferente do amor pelas crianças, pelos filhos. Portanto, o beijo é também diferente e nem por isso menos carinhoso!”. Se incentivarmos a infância de nossos pequenos, eles irão amadurecer no tempo certo, não precisamos acelerar nada. Dentro desta linha de pensamento, a conseqüência de beijar o filho na boca propicia uma confusão de papéis, sendo esta desnecessária ao aprendizado infantil.

Como a concepção do adulto o beijar na boca esta relacionado a sexualidade, vale ressaltar as colocações de Lulie Macedo que cita que “Desde que o mundo é mundo, as crianças não brincam de médico à toa: a aventura do descobrimento começa já nos primeiros meses, quando o bebê experimenta o prazer de explorar o próprio corpo, e se acentua nos anos seguintes, quando sua atenção se volta para o corpo dos pais e de outras crianças.”. Esse descobrimento corporal é natural do ser humano e deve ser compreendido dentro desta lógica. Assim, tocar no próprio corpo faz parte da tarefa de entender o mundo e a autora acima complementa que “o prazer em manipular os órgãos sexuais é uma das primeiras descobertas.”. “Ela não sabe o que é certo ou errado, quais são os códigos sociais, a diferença entre o público e o privado. Cabe aos pais e educadores ensinar que ali não é lugar para isso.”, afirma Maria Cecília. Desta forma a criança entenderá o sentido de privacidade e respeito ao próprio corpo, bem como ao corpo das demais pessoas.

Essa autora também cita que “O problema não está na exploração sexual do próprio corpo ou nas brincadeiras entre crianças da mesma idade. Prejudicial é a repressão do adulto a essas atitudes, quando ele grita, proíbe, bate ou põe de castigo. Fazendo isso ele transmite a noção de que aquilo é errado, quando na verdade essas atitudes são tão naturais quanto aprender a andar, falar, brincar”, afirma Maria Cecília Pereira da Silva, psicanalista e membro da ONG Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual. – “Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada um direito humano básico. O “exibicionismo” infantil faz parte da fase de exploração dos corpos. Como um brinquedo novo, a criança quer mostrar aos outros, o que já descobriu. Quanto à menina que adora levantar a roupa e mostrar o bumbum, por exemplo, pode estar imitando algo que viu na TV. Em qualquer situação, cabe aos adultos começar a ensinar a noção de intimidade.”.

O trabalho educacional desenvolvido para a Educação Infantil neste assunto é permeado de observação e reflexão. Ao demonstrar e questionar a criança a respeito da conseqüência de constantemente tocar nos olhos, ouvidos, colocar a mão na boca, no nariz, em suma, questioná-la sobre a conseqüência de explorar o corpo e relacionar essa conseqüência ao toque dos órgãos genitais, a faz compreender que tocar demasiadamente ou sem as mãos estarem limpar, pode gerar ardência dos locais tocados. Ressaltar o uso de peças íntimas (calcinhas e cuecas) para proteger o “fazedor de xixi” e o “fazedor de coco”, é primordial para esse aprendizado, bem como também explicar que o momento de banho, é um momento privado. Desta forma, a criança compreenderá a restrição quanto a onde se tocar e não quanto a se tocar.

Dois outros aspectos importantes é saber: até quando os adultos podem ficar nus em frente aos filhos, sendo recomendado que se esta situação é vista com naturalidade, só por volta dos 7 ou 8 anos, as crianças solicitam a própria privacidade e esta deve ser respeitada. Outro aspecto é relacionado ao fato do imprevisto de a criança visualizar o ato sexual, sendo importante conversar a respeito, mesmo que ela não pergunte ou não queria voltar a esse assunto. Lembre-se que se esta situação ocorreu, o descuido foi dos pais e estes devem-se se preparar para que esta conversa não gere culpa no infante, nem jamais culpá-lo. Se ocorrer dificuldade frente a esse assunto, é imprescindível buscar auxílio profissional, prevenindo fantasias desconfortáveis a esse respeito primordial na formação do ser humano.

Assim, evidencia-se algumas conseqüências de beijar os filhos(as) na boca, ressaltando que se o filho for respeitado em seu desenvolvimento, terá uma infância saudável e feliz.


Artigo originalmente escrito e publicado por Rachel Canteli, disponível em: http://rrclinicapsi.com.br/as-consequencias-de-beijar-o-filho-na-boca/

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O QUE É DEMÊNCIA?

Muito se ouve falar acerca de Demência, mas de acordo com as classificações médicas ela não um tipo de doença e sim uma síndrome. E o que é uma síndrome? Síndrome é um grupo de sinais físicos e sintomas que a pessoa apresenta, podendo estar presentes em vários tipos de doenças. Desta forma, uma síndrome a Demência apresenta algumas características principais segundo Ballone (2008). 

  • Prejuízo da memória. Os problemas de memória podem ser desde um simples esquecimento leve até um comprometimento grave que pode levar a pessoa a esquecer quem é.
  • Problemas de comportamento. Normalmente se caracteriza por agitação, insônia, choro fácil, comportamentos inadequados (masturbação compulsiva, por exemplo), perda da inibição social normal (falar palavrões ou o que está pensando sem medo de represálias, por exemplo), alterações de personalidade.
  • Perda das habilidades. Habilidades aprendidas durante a vida são esquecidas, como por exemplo dirigir, cozinhar, usar equipamentos, conhecimentos técnicos, abstratos, etc.

Os sintomas iniciais de Demência variam de cada caso, mas a perda de memória em curto prazo geralmente é o indício mais característico que chama a atenção da família. Ainda assim, nem todos os problemas cognitivos nos idosos por conta da Demência. Uma boa anamnese com um profissional qualificado, médico, psicólogo ou psiquiatra, irá poder determinar se existe a possibilidade do paciente apresentar algum tipo de Demência.


Os sintomas mais comuns nos quadros demenciais são:

Déficit de memória (dificuldade ou incapacidade de lembrar fatos, geralmente mais recentes, relacionados a memória de curtíssimo prazo)

Dificuldades de executar tarefas domésticas

Problema com o vocabulário (dificuldade em encontrar palavras para expressar-se, trocar palavras ou não conseguir nomear objetos)

Desorientação no tempo e espaço (não sabe que dia é, não sabe onde está)

Incapacidade de julgar situações (não tem reação em algumas situações ou age diferente do habitual em situações rotineiras)

Problemas com o raciocínio abstrato (dificuldade ou incapacidade de abstrair, de entender exemplos, analogias, fazer cálculos mentais, etc)

Colocar objetos em lugares equivocados (trocar objetos de lugares, colocando-o por exemplo a chave do carro na geladeira, guardando os frutas no guarda-roupa, etc)

Alterações de humor de comportamento (se zanga com facilidade, fica triste com facilidade, sem estímulos externos)

Alterações de personalidade (a pessoa passa a agir diferente da forma que agiu a vida toda, pode se tornar impulsiva, gritar ou se isolar completamente)

Perda da iniciativa (passividade frente a tudo)

Segundo Ballone:

"A Doença de Alzheimer é uma das formas de demência neurodegenerativas, mas não se pode generalizar todas as demências como sendo Doença de Alzheimer. A Doença de Alzheimer, a demência vascular, a demência com corpos de Lewy e a demência frontotemporal são as quatro causas mais freqüentes de demência."

Então existem várias formas de Demência, cada uma com uma causa diferente e diferente evolução da doença. O ideal é buscar primeiramente um médico para diagnosticar a doença, realizar exames específicos. Existem medicamentos que podem retardar o avanço de alguns tipos de Demência, e a estimulação cerebral pode ser útil, sendo um trabalho a ser realizado por psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Referências:

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

DIA DO PSICÓLOGO- 27/08

Hoje é uma data de muitas conquistas para nossa categoria. São 53 anos de muita luta e ascensão nas mais diversas áreas do conhecimento. Como promotor da saúde e do bem estar de seus pacientes, o psicólogo não está envolvido apenas na clínica, mas também no esporte, no trânsito, nas organizações, nos hospitais, no judiciário, na saúde mental, na saúde coletiva,

na prevenção em saúde, no social, no combate a violência contra crianças, adolescentes e idosos e em instituições e outros locais que não consigo lembrar agora de cabeça. O psicólogo é responsável por promover o bem estar e a (re)adaptação das pessoas no seu processo vital de desenvolvimento. Desta forma nos comprometemos em auxiliar as pessoas a recuperar sua autoestima, a escolher melhor caminhos que vão levar o crescimento pessoal. O psicólogo é aquele guia que acompanha o paciente por uma jornada dolorosa, sempre ao lado dele, mas apenas como guia, pois quem trilha verdadeiramente o caminho é o próprio paciente.

Não somos uma profissão reconhecida, ainda existem muitos estimas e preconceitos, ainda não temos piso salarial e falta a nossa categoria uma organização melhor por direitos trabalhistas, visto que trabalhamos com sofrimento psíquico, o que é muito desgastante por um lado, porque doamos nossa energia para compreender a subjetividade maculada do paciente. Além disso, não somos, de forma alguma, uma categoria unida, infelizmente. Os Psicólogos tendem a ser separatistas por conta das linhas teóricas que seguem, quase como um fanatismo religioso, sendo que estamos tentando construir aqui um saber científico sólido e bem embasado, e como todo saber ele pode estar equivocado, sofrer atualizações e modificações. Outra tristeza são os psicólogos que praticam atividades fora da psicologia colocando-as como práticas cientificas, enganando o paciente e faltando com a ética. 

Apesar de tudo isso eu amo minha profissão. Não tenho reconhecimento, não tenho boas condições de trabalho, tenho o estigma daquele que cuida "dos loucos", mas mesmo assim tudo isso se desfaz como lágrimas na chuva quando um paciente me olha e diz "Eu não sei o que seria da minha vida sem o senhor" ou "Se não fosse por essa terapia eu teria me matado" ou ainda "Eu só consegui ter uma boa relação com minha filha graças as suas orientações". É isso que me move. É isso que me dá combustível para caminhar através das dificuldades como alguém que caminha num museu: admirando diferentes eras, diferentes problemas que acontecem e que não depende apenas de mim resolvê-los. É com muito amor que eu dedico esse dia a todos os pacientes que eu atendi e, se falhei com algum deles em algum momento, peço perdão, porque antes de psicólogo, acima de tudo, sou humano.


Leonardo Viana de Vasconcelos Martins
Psicólogo Clínico- Especialista em Psicodiagnóstico
CRP 11/05089