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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PSICOLOGIA E CARNAVAL



Ao ler o título desse artigo você deve estar se questionando o que tem a ver carnaval com Psicologia. Na verdade, o meu intuito é analisar um pouco como a Psicologia explica o carnaval, o comportamento humano nessa data tão específica.

O carnaval é uma festa antiga que começou no tempo dos escravos. Os escravos saíam pelas ruas com seus rostos pintados, jogavam farinha e bolinhas de água de cheiro nas pessoas. Era uma manifestação bastante popular, mas comemorado apenas pelos escravos e pelas famílias mais simples. Em meados do século XIX, no Rio de Janeiro, essa prática passou a ser criminalizada e a elite do Império brasileiro criava os bailes de carnaval em clubes e teatros. Contudo as camadas populares não desistiram de suas práticas carnavalescas. Desde então o carnaval foi se moldando até chegar no formato atual. 

No ano de 1641 foi realizado o primeiro baile de máscaras:

"O governador Salvador Correia de Sá e Benvides dedicou o primeiro Carnaval do Rio, em 1641, ao rei Dom João IV, o homem por trás das restaurações das leis de Portugal no Brasil. Uma grande atenção foi dada às celebrações, embora historiadores descartem o uso de máscaras durante o evento. Este foi seguido por outro espetáculo em 1786. No entanto, os historiadores acreditam que a primeira festa de máscaras foi realizada em 1840, no Hotel Itália, no dia 22 de janeiro como parte das celebrações de Carnaval. Contudo, ele só ganhou popularidade três décadas depois, quando uma grande importância foi dada às fantasias. Esses eram eventos luxuosos que segregavam poucos convidados da elite, enquanto outros bailes de máscaras eram realizados para todos. Com o tempo, esses eventos se tornaram mais populares durante o Carnaval do Rio e logo viraram a atração principal das celebrações com o espírito de competição aumentando."


Sabendo um pouco dessas referências históricas podemos refletir um pouco. A máscara é uma forma de esconder o rosto, de não se mostrar, de ocultar a identidade, assim como também é uma forma de se evidenciar. O próprio termo persona é derivado da palavra latina equivalente a máscara, e se refere às máscaras usadas pelos atores no teatro grego clássico para dar significado aos papéis que estavam representando.  O psicólogo Jung fala que a persona é "um complexo funcional que surgiu por razões de adaptação ou de necessária comodidade, mas que não é idêntico a individualidade. O complexo funcional da Persona diz respeito exclusivamente à relação com os objetos"(JUNG, 1991, p. 390). 

"Existem dois tipos de persona: uma para quando estamos sozinhos e uma para o convívio social. Esta última pode apresentar características positivas ou negativas, variando de indivíduo para indivíduo. Ela pode tanto proteger o ego, reprimindo sentimentos que podem ocasionar tragédias pessoais e desavenças no âmbito social, quanto criar uma identidade mascarada, artificial, contrária aos traços do sujeito (MELLO et al., 2002)"

Oliveira e Rocha (2012), colocam que:

"Pode-se dizer que a sociedade adentra-se cada vez mais no estágio estético (...) o qual se caracteriza pelo romantismo e o prazer propiciado pelo agora, ambos marcados pelo desejo, contrapostos à dor e ao tédio". 

As pessoas estão cada vez mais imersas na busca pelo prazer, nesse sentimento de realização de desejos, nessa fuga do cotidiano, do que é comum a todos. Fica fácil observar isso em nossa sociedade: falta de responsabilidades, relações superficiais, medo de enfrentar desafios e incapacidade de lidar com consequências negativas. Exemplos? Pessoas que não aceitam fim do relacionamento, jovens que engravidam e tentam o aborto. 

No carnaval não há desprazer. O carnaval é como um passaporte para a libertação total durante aqueles dias. Se você faz algo estranho, diferente, socialmente reprovável, é perdoado, porque no carnaval pode. A inversão de gênero, liberdade sexual excessiva e extravasamento através da bebida alcoólica, As máscaras ainda existem, mas não são mais tão necessárias. A necessidades das pessoas transgredirem a norma, o comum, o cotidiano é muito intensa.

Desta forma, surge no carnaval uma outra instância psicológica do sujeito: a Sombra, do qual falava Jung ou o Inconsciente, do qual falava Freud. A Sombra inclui aquelas tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas/reprimidas pelo sujeito como incompatíveis com a Persona (seu jeito de ser consigo e/ou com a sociedade) e contrárias aos padrões e ideais sociais. Quanto mais forte for nossa Persona, e quanto mais nos identificarmos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos. A Sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Já Freud falava sobre as pessoas experimentam repetidamente pensamentos e sentimentos que são tão dolorosos que não podem suportá-los. Tais pensamentos e sentimentos (assim como as recordações associadas a eles) não podem ser expulsos da mente, mas, em troca, são expulsos do consciente para formar parte do inconsciente.

Assim, durante os festejos carnavalescos podemos dizer que a Sombra/Inconsciente dessas pessoas aflora, principalmente após o uso de bebida alcoólica. Isso porque o álcool torna o sujeito mais suscetível a essas influências, diminuindo o autocontrole e o medo da reprovações sociais e morais. Isso somado a desejos reprimidos levam as pessoas a realizarem "loucuras" durante o carnaval. 

Aliás, você ouve o tempo todo a mídia se referir as pessoas que participam do carnaval como "foliões", e saiba você que a palavra folião vem do termo francês "folie" que significa loucura. Então o carnaval pode ser entendido como a celebração dos loucos, porque as pessoas se vestem de personagens ou com roupas do sexo oposto e fazem coisas sem sentido, se divertindo com isso. Entenda que a loucura, apenas uma observação de que a sociedade que excluiu o louco (para ver mais, leia sobre uma breve história da loucura aqui)

O carnaval é o momento que o sujeito pode ser quem ele quiser através da sua fantasia, pode flertar com várias pessoas sabendo que em algum momento alguém vai aceitar esse flerte, além de muita dança e diversão. O momento é ansiado por muitos justamente por permitir essa liberdade, por permitir viver os desejos

do inconsciente e por saber que suas atitudes serão "perdoadas" por ser carnaval, o período da folia (loucura, doidice). Beijar aquela pessoa que você não tinha coragem, fazer sexo com desconhecidos, vestir-se de forma esdruxula, usar drogas. O pior do carnaval são as atitudes autodestrutivas das pessoas. É como se a vontade de se divertir e aproveitar a festa fossem muito maiores que a prudência.

Então, da próxima vez que você for ao se divertir nessa festa tradicional lembre-se de ter aproveitar com responsabilidade, porque até mesmo o louco é responsável por sua loucura. Divirta-se com cuidado, evite doenças, acidentes, porque as pessoas ficam muito vulneráveis a todo tipo de sinistro nessa época. 




Referências:

http://brasilescola.uol.com.br/carnaval/historia-do-carnaval-no-brasil.htm

https://psicologado.com/abordagens/psicologia-analitica/máscaras-do-ego-aspectos-subjetivos-das-representações-do-corpo

http://amigosdofreud.blogspot.com.br/2012/02/persona-e-sombra-na-psicologia.html#.VryxIa33PKg

http://psicologiaanalitica.com/2015/05/02/algumas-consideraes-sobre-o-lugar-da-persona/

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=192

MELLO, A. C. et al. Persona, de Ingmar Bergman. Cinematógrafo, FAAP, São Paulo, 2002.

http://www.papodepsicologo.com/2010/01/mascaras-para-vivermos-em-sociedade.html

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Uma Breve História sobre a Loucura

A humanidade vive com a loucura desde o seu surgimento, tendo adotado as mais diferentes práticas com o objetivo de curar o louco ou simplesmente afasta-lo da sociedade. 

O louco era visto como alguém excêntrico, ou possuído pelo demônio, devido ao seu comportamento que sempre se distanciava do que era considerado o padrão para uma determinada época/sociedade. 

Na Grécia antiga, a loucura era tida como um saber divino, e os loucos eram vistos como mensageiros dos deuses, pessoas que tinham um dom especial capazes de ver um mundo que ninguém mais consegue. Nessa época a loucura encontrou um espaço na sociedade; não era necessário banir ou controlar o louco, uma vez que ele era instrumento divino; suas visões inspiravam as pessoas que buscavam conselhos, as vozes que ouviam eram atribuídas aos deuses que sussurravam aos seus ouvidos. Filósofos ouviam os loucos e traçavam vários diálogos com eles, buscando explicar os fenômenos da natureza e o próprio fenômeno humano.

Foi na Idade Média que a coisa ficou ruim para os mentalmente incapazes. Esse foi um período de forte dominação religiosa e perseguição daqueles que eram contra a igreja, um tempo onde crenças surgiam e o misticismo era visto como algo demoníaco, herético. Pessoas com epilepsia, quando tinham ataques e convulsionavam, eram ditas estarem possuídas pelo demônio, ou enfeitiçadas. A ignorância e o medo se tornaram armas implacáveis, levando esses pobres enfermos a alimentarem as fogueiras da Inquisição. Os loucos não eram mais sábios, mas hereges possuídos pelo diabo e sua única redenção era pela tortura e pelo fogo. 


Na Renascença o louco entra, pela primeira vez, na categoria de doente, mas ao invés de tratamento ele deve ser excluído da sociedade. Os loucos falam o que as pessoas não querem ouvir, falam de coisas fantásticas, quase um retorno ao divino, como era nos tempos dos gregos. Entretanto não há lugar na sociedade para esse tipo de indivíduo, cuja mente é estranha, diferente, cuja aparência e discurso são assustadores. É então que se tem a ideia de colocar os loucos em navios, que vagavam sem destino e ocasionalmente chegavam a algum lugar, onde novamente eram excluídos, tornando-se párias permanentes da sociedade.

Por volta do século VIII, a moralidade incentivou a sociedade a criar locais onde poderia "guardar" seus excluídos: prostitutas, pessoas com várias doenças venéreas, mendigos, aleijados. Os loucos foram acrescentados a esse círculo, pois eles também eram excluídos. Não eram locais para tratamento, apenas para afastar a escória das pessoas decentes. Foi nessa época que um médico, o Dr. Pinel, passou a ver a doença mental como algo que necessitava de atenção e rompeu correntes e paradigmas que até então prendiam os loucos, levando-os para os primeiros manicômios. Entretanto, a doença mental era tratada como um desvio de caráter moral, sendo os tratamentos baseados na "forma correta" como aqueles indivíduos deviam agir no meio social. No entanto, com o passar do tempo, o tratamento moral de Pinel vai se modificando: permanecem as idéias corretivas do comportamento e dos hábitos dos doentes, porém como recursos de imposição da ordem e da disciplina institucional. 

No século XIX, o louco é um doente e precisa de tratamento específico, que consistia em medidas físicas como duchas, banhos frios, chicotadas, máquinas giratórias e sangrias. É a época do surgimento da Psiquiatria, o saber médico aliado ao conhecimento científico buscando entender e tratar a loucura. O louco não tem voz ou credibilidade, ser taxado de louco é sinônimo de ser desacreditado por todos. Há um medo mais ainda da loucura, pois pior do que viver num mundo alheio ao das outras pessoas é ser completamente ignorado. Os médicos conversam com seus pacientes na tentativa de compreender os transtornos mentais, dissecam cérebros na tentativa de encontrar no órgão a causa do comportamento inadequado. A ciência tenta avançar mesmo que de forma rudimentar.  

A tradição do início do século XIX até metade do século XX permanece. Há avanços na ciência, mas o louco ainda é tratado como animal, submetido a tratamentos que estão mais próximos da tortura do que de uma terapia. Ainda reina um moralismo poderoso, uma vez que masturbação compulsiva, sexo fora dos padrões e desvios de caráter e homossexualismo são considerados loucura. Os manicômios estão em toda parte. Apesar do avanço da Psicologia, a Psiquiatria ainda vê a causa da doença mental como algo orgânico. 

É então que no final do século XX se inicia no Brasil, no final da década de 70, a mobilização dos profissionais da saúde mental e dos familiares de pacientes com transtornos mentais. Esse movimento se inscreve no contexto de redemocratização do país e na mobilização político-social que ocorre na época. Essa é a semente da Reforma Psiquiátrica, que viria a germinar anos mais tarde, reformulando não só a forma de tratar e acomodar o "louco", mas de reinseri-lo no convívio social.



Importantes acontecimentos acontecem no Brasil, como a intervenção e o fechamento da Clínica Anchieta, em Santos/SP, e a revisão legislativa proposta pelo então Deputado Paulo Delgado por meio do projeto de lei nº 3.657, ambos ocorridos em 1989, impulsionam a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Em 1990, o Brasil torna-se signatário da Declaração de Caracas a qual propõe a reestruturação da assistência psiquiátrica, e, em 2001, é aprovada a Lei Federal 10.216 que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Dessa lei origina-se a Política de Saúde Mental a qual, basicamente, visa garantir o cuidado ao paciente com transtorno mental em serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, superando assim a lógica das internações de longa permanência que tratam o paciente isolando-o do convívio com a família e com a sociedade como um todo.


E os profissionais de saúde mental lutam para desconstruir séculos da imagem que foi criada do louco, para um sujeito que padece de algum transtorno e precisa de apoio e acompanhamento especializado. Até hoje, mesmo com os avanços dos tratamentos, da evolução da Psicologia, dos fármacos, as pessoas ainda temem a doença mental, as maioria das famílias não querer se responsabilizar pelo cuidado dessa pessoa, muitas vezes desejando que o Estado o assuma. Mas o maior objetivo da Reforma Psiquiátrica é a reinserção do "louco" na sociedade, porque talvez o louco veja o mundo de uma forma mais sã que nos. E nos em nossa ignorância tememos aquilo que não conhecemos. O homem parece o mesmo desde os tempos antigos, sempre isolando algo que teme, sempre fugindo daquilo que desconhece. 

Para terminar, só quero deixar claro que qualquer transtorno mental tem tratamento, embora muitos ainda não tenham cura, mas um acompanhamento especializado com medicação e psicoterapia pode garantir qualidade de vida a esse indivíduo, aliviar seu sofrimento, fazê-lo sentir-se aceito entre os seus e lhe dar a liberdade que séculos de medo e ignorância ceifaram.


Referências:

FOUCAULT, M. História da loucura. Ed. Perspectiva - SP, 1978.

http://www.ccs.saude.gov.br/vpc/reforma.html

http://www.ccs.saude.gov.br/memoria%20da%20loucura/mostra/reforma.html

http://www.letraefel.com/2007/01/loucura-na-histria.html

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAANGcAF/olhar-sobre-a-loucura-foucault

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Alucinações e Loucura


Alguma vez na vida você já deve ter se perguntado, mesmo que por brincadeira, "Estou ficando louco?", frente a alguma situação em que você reagiu de forma totalmente diferente do que você agiria ou em face de alguma experiência quase "sobrenatural" que tenha passado pelos seus sentidos. No artigo de hoje vamos...


O que é alucinação?

Primeiro, não me refiro aquela música do Belchior. Segundo para o dicionário da língua portuguesa, alucinação é: 

s.f. Sensação mórbida produzida por algo inexistente.
Devaneio, delírio, ilusão.
Obscurecimento passageiro das faculdades mentais.

Essa é a definição do dicionário, mas delírio e ilusão são outros sintomas psiquiátricos, então vamos a definição de alucinação para a saúde mental. Alucinação, segundo a definição do Dr. Cleto Ponte é uma percepção sensorial falsa não associada a estímulos sensoriais externos, o qual é aceita pelo paciente como verídica. É a percepção real de algo inexistente sem um estímulo externo. Dizemos que a percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável que a pessoa manifesta em relação ao objeto alucinado, portanto, será real para a pessoa que está alucinando. 

Mas aí a grande questão que a maioria das pessoas imagina é: se estou alucinando, estarei louco? Estou perdendo a razão, a sanidade? A resposta é: depende. Vamos entender porque.

TIPOS DE ALUCINAÇÃO

Existem alucinações para cada um dos sentidos. 
Alucinações visuais: são as mais comuns, onde o indivíduo vê pessoas, seres, objetos, paisagens, qualquer coisa relacionada com a visão por mais absurda. Já tive pacientes que viam demônios saindo das pessoas, por exemplo.

Alucinações auditivas: também são bastante comuns, a pessoa ouve sons, vozes ou barulhos que não estão no ambiente. Geralmente essas vozes dão comandos ou reforçam uma ideia negativa que a pessoa tem de si ("Você é um fracassado", "Você vai morrer", "Ninguém gosta de você", por exemplo). Tive um paciente que disse que a Virgem Maria lhe disse que o mundo iria acabar e só restaria a cidade onde ele mora.

Alucinações gustativas: incomuns, mas curiosas. O sujeito tem a absoluta certeza de gostos e sabores em sua boca que não estão lá. Gosto de sangue, fezes e outras coisas. Já atendi uma paciente que relatava um gosto de pimenta na boca.

Alucinações táteis: a pessoa tem plena convicção de que há algo no seu corpo ou algo errado com o seu corpo. Há relato de pacientes que sentem formigas ou outro tipo de inseto em seu corpo.

Alucinações olfativas: também são incomuns, o paciente sente odores que não estão no ambiente, geralmente esses odores o acompanham o tempo todo, causando um incômodo constante.


Então, se eu tive algum tipo de alucinação desses, estou ficando doido? Vão me internar num Hospital Psiquiátrico? Claro. Que não. Existem alguns estados que podem ocasionar alucinações em uma pessoa mentalmente saudável.


ALUCINOSE ORGÂNICA

Neste tipo, o sujeito é acometido por alguma moléstia orgânica que o faz alucinar, não tendo a ver com transtorno psiquiátrico. Um exemplo clássico disso é a alucinose por abuso de álcool, uma vez que pessoa com histórico de alcoolismo pode alucinar devido a intoxicação pelo álcool ou pela sua abstinência. A utilização de drogas (lícitas ou ilícitas) pode provocar alucinação. Usar algumas categorias de medicamento e ingerir bebidas alcoólicas pode provocar alucinação. Problemas nos rins, quando os rins estão falhando e o nível de impurezas no sangue aumenta pode também provocar estados alucinatórios, revertendo o quadro quando a patologia é sanada. Drogas como LSD, Crack causam alucinação, abuso de cocaína e outras drogas também. Problemas metabólicos (uremias e diabetes) podem causar alucinação. Traumas (pancadas) na cabeça ou tumores cerebrais podem causar alucinação. Como vimos, em todos os casos citados o problema é essencialmente orgânico ligado a um fator externo que pode ser revertido dependendo da gravidade do problema, fazendo com que a pessoa pare de alucinar.


É possível alucinar sem que seja qualquer uma das situações acima e que não seja um transtorno mental? A resposta é sim! Privação de sono, estados intensos de estresse podem provocar alucinações passageiras. Quando se está caindo no sono e quando se está acordando é possível alucinar, e vou logo avisando que é um processo involuntário. Imagine que você está sonhando com um bombardeio, bombas caindo e explodindo tudo. Você acorda assustado, e mesmo acordado você ouve o barulho das explosões dos aviões por alguns minutos e depois tudo silencia. O nome disso é alucinação hipnopômpica, porque ocorre ao acordar. Agora se você está deitado na sua cama e está quase adormecendo, você sabe que está só no seu quarto e sente a cama afundando como se alguém deitasse com você e depois você dorme. Isto é uma alucinação hipnagógica, porque ocorre ao adormecer. Nenhuma é indicativo de algum problema, todo mundo passa por várias dessas durante a vida. 


Mas então como saber se uma pessoa que está alucinando precisa de tratamento? Alucinação é só um sintoma, o que caracteriza qualquer transtorno são uma série de sintomas, desta forma, depende não só da alucinação, mas do tipo de pensamento e comportamento que o sujeito está manifestando. O ideal é procurar um Psicólogo para que ele possa avaliar. 


OBS: Esse é um site para leigos, então procuro ser o mais claro e simples, evitando jargões complexos e excesso de teoria clínica. Se tiverem alguma duvida, podem perguntar nos comentários ou mandem um e-mail. 


Para saber mais: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=103