sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ensinando e Educando Crianças

Muitas pessoas me perguntam qual a melhor forma de criar seus filhos e muitos pais questionam como lidar com certos comportamentos das crianças que são inadequados, irritantes ou ambos. O objetivo desse texto é dar algumas sugestões e analisar o comportamento infantil que venho presenciando na atualidade.

O que os pais tem que ter em mente é que não existe um manual "Como Criar seu Filho". Podem até existir livros de autoajuda que falem sobre isso (eu não conheço, mas sei que estão por aí), todavia não podemos tratar o comportamento humano como receita de bolo, muito menos o comportamento de um ser em desenvolvimento. Muitos desses livros não são escritos por profissionais que lidam com o comportamento humano (Psicólogos e Psiquiatras). Desta forma, não irei "dar dicas", mas sim sugestões que pais e educadores podem adotar ou não para buscar compreender o comportamento da criança de acordo com cada contexto.

Antes de mais nada, é indispensável fazer uma breve análise histórica e social para entendermos um pouco o contexto atual. As pessoas mais velhas sempre usam o discurso de que "antigamente bastava meu pai olhar e eu obedecia", ou que "tínhamos medo do nosso pai/mãe então não nos comportávamos mal". Utilizam inclusive o argumento do castigo físico como justificativa para um bom comportamento, "antigamente podia bater, hoje não pode mais, por isso as crianças não respeitam mais os pais" ou "o problema desse menino é falta de peia". São frases de pais de crianças que atendi no consultório e que com absoluta certeza você já ouviu isso em algum lugar (ou mesmo pensou em alguma delas). Analisemos a situação sócio-histórica.

Há vinte, trinta ou mais anos atrás as famílias eram mais numerosas, ou seja, os casais tinham mais filhos, o pai geralmente era o provedor da casa enquanto a mãe tratava de cuidar do lar e dos filhos. Mesmo trabalhando o dia todo o pai estava presente durante a noite e havia algum tipo de contato familiar. Com o passar dos anos, das mudanças político-econômicas e sociais, a mulher foi saindo desse espaço de submissão; agora só o salário do homem não era suficiente para sustentar a família e os casais viam que o excesso de filhos se convertiam em excesso de despesas. O resultado é que muitas famílias passaram a ter menos filhos e que as mães passaram a ter que encarar jornadas de trabalho para complementar a renda. Os filhos passaram a ser cuidados por terceiros (babás, avós ou creches). É esse cenário que pretendo analisar.


A ausência dos pais no ambiente familiar é um fator determinante para o comportamento de qualquer criança. É nos pais que a criança se espelha, que aprende como deve se portar em determinadas situações, que é ensinada a distinguir o que é certo (ou mais adequado para seu contexto) do que não é. Mas e quando os pais trabalham jornadas exaustivas e chegam em casa tarde da noite quando os filhos já estão dormindo, ou tem contato com os filhos durante a semana apenas quando vão buscá-los na escola/reforço/natação etc? As crianças tentam se adaptar a essa ausência e o responsável por aquela educação primária que falamos no começo desse parágrafo fica a cargo de terceiros que nunca vão ocupar a função materna/paterna adequadamente. A criança tenta se adaptar. Ela sabe quem são seus pais, mas nunca os tem por perto, não tem ninguém para frear seus instintos primários, os cuidadores nem sempre exercem autoridade com a criança ou são pacientes. O que acontece? Isso mesmo, reclamações sobre como a criança se comporta mal.

A criança como qualquer ser reage ao que ela experiencia em seu meio. Experienciar a ausência dos pais geralmente não é bom, gera ansiedade e desconforto na criança o tudo o que chamamos de comportamentos negativos são na verdades tentativas da criança a se adaptar aquilo que ela vivencia e sente. Está na moda dizer que as crianças são hiperativas, recebi muitas queixas dessas no consultório e 99% se tratava apenas da ausência dos pais ou na inabilidade deles lidarem com as ações dos filhos. Vamos parar com essa mania de diagnosticar as crianças e chamá-las de hiperativas. Leiam esse artigo meu sobre o tema. 

O leitor então deve estar se perguntando: "Então porque meu filho(a) não para quieto? Porque ele bate e morde os colegas? Porque ele não me obedece? Porque não quer comer? Porque dorme tarde?" A resposta é simples: ausência de pais mais presentes que imponham regras e limites.  Como ser em desenvolvimento pleno, muitas vezes a criança vai agir em cima do seu desejo ou vontade, mas ela não tem a maturidade necessária para saber ainda o que é melhor para ela, por isso a importância dos pais 
nesse processo, pois eles vão direcionar e frear esses desejos.

Assim como a vida em sociedade vivida pelos pais é regida por regras, a vida da criança também deve ser. Se a criança aprende e consegue internalizar essas regras desde pequena isso ajudará não só no seu desenvolvimento pessoal, mas social também. A criança deve ter hora para acordar, dormir, comer, banhar, brincar, estudar. Não precisa ser algo rígido como um quartel, mas deve ser algo que os pais busquem para melhor lidar com seu filho. No momento que os pais aprendem a direcionar a energia da criança ela deixa de ser destrutiva ("o menino danado") para ser construtiva/integradora. Se a criança quebra as regras ela deve ser punida, mas não necessariamente com castigos físicos, ela deve ser ensinada sobre seu erro e orientada a buscar não cometê-lo. A repetição do erro pode custar perdas como forma de castigo (não vai para a casa dos colegas, não vai jogar vídeogame, usar o computador) ou seja, retirar algo importante para a criança para que ela entenda que suas ações negativas terão consequências desagradáveis.

Em algum momento pode ser que isso não seja o suficiente e que um castigo físico seja necessário, como uma chinelada ou uma palmada. Mas não confundam isso com espancamento, por isso a famigerada "Lei da Palmada" foi aprovada, por conta de pais (provavelmente ausentes) que não davam conta do comportamento dos filhos e começaram a agredir os filhos e espancá-los achando que isso resolveria o problema. Pelo contrário, o excesso de castigos físicos, de agressões e espancamento perde o sentido para a criança em algum momento não surte nenhum efeito positivo em seu comportamento, pelo contrário, pode levar a criança a se tornar desde um indivíduo ansioso, deprimido até mesmo violento.


Algumas sugestões que posso passar para pais e educadores são:

- Ouçam a criança. Um grande erro é nunca ouvir o que a criança tem a dizer ou achar que a criança estáa mentindo. Já atendi diversos casos de abuso sexual onde as crianças relataram que os pais não acreditaram no que elas diziam. Embora o exemplo do abuso fuja ao nosso contexto, foi citado para mostrar a importância de se ouvir o que a criança tem a dizer.

- Seja imparcial. Se você tem dois filhos nunca priorize um, nunca facilite as coisas para um deles ou seja mais brando. O que vale para um deve valer para o outro. Se você deu uma ordem ou um castigo para a criança faça ela cumprir a não ser que alguma coisa no contexto mostre que você pode ser flexível naquela vez, mas em geral a criança precisa saber que a mãe nem o pai vai tomar partido por ela. Significa que se o pai colocou o castigo só ele pode retirar e vice versa para a mãe. 

-Pais, evitem conflitos de autoridade na frente da criança. Se forem discutir, discutam longe dela ou de preferência na ausência da criança. É muito ruim quando a criança presencia as brigas dos pais sobre "quem manda nele". Ambos são responsáveis por esse filho e devem compartilhar a responsabilidade. Os limites do comportamento do filho devem ser acordado por ambos.


-A criança tem que brincar, mas é preciso encontrar o equilíbrio entre o brincar e outras atividades. Deixar a criança muito tempo "solta", sem nada para fazer pode ser ruim, ao mesmo tempo que entupir o dia da criança com aula de tudo quanto é coisa também não é adequado. É importante direcionar a criança para atividades lúdicas e produtivas, todavia pelo menos algumas delas devem despertar interesse na criança, ou podem se tornar uma "tortura" e desencadear os comportamentos inadequados 
descritos nesse texto.


-Ter regras e obedecê-las. Toda casa tem regras e deve haver uma cobrança para que sejam seguidas. Se a criança é ensinada desde pequena ela vai internalizar aquele aprendizado e o levará para a vida adulta. Isso vale desde a organização do quarto até os conceitos morais e religiosos.


-Saber punir. A grande dificuldade dos pais de hoje é saber punir. Muitas vezes é mais fácil bater do que conversar, gritar do que explicar. Cuidar de filhos não é fácil, mas quanto menos paciência e educação você der ao seu filho menos paciente e educado ele será. Lembre-se pai/mãe de seu filho é reflexo da forma como você o trata e cuida. Eu sempre aconselho que quando a criança faz algo que não devia você deve alertá-la, chamar sua atenção de forma tranquila. Olhe nos olhos da criança e faça com que ela preste atenção no que você está falando. Seja firme, mas sereno. Se ela volta a cometer a mesma falta ameace o castigo. Se ela repete aplique o castigo (exemplos de castigos foram dados texto acima) e a faça cumprir o castigo e entender porque está sendo castigada. Em último caso se for necessário a palmada/chinelada.

-Brinque com seu filho. Tenha um tempo com ele, converse com ele. Mesmo com o trabalho e a correria do dia a dia tire um tempo para estar plenamente com seu filho. Isso faz toda  diferença. Pergunte a ele da escola, dos amigos, das brincadeiras.


-Nos dias de hoje com o advento da tecnologia as crianças estão tendo acesso mais cedo a dispositivos eletrônicos. Particularmente não acho isso saudável. Não deixe que seu filho fique imerso demais na tecnologia e se isole. Estimule a socialização. Leve ele para interagir com outras crianças fora do ambiente escolar. Socialização infantil é essencial para o desenvolvimento. 


-Saiba elogiar as boas ações do seu filho, assim como você sabe repreender as más. Muitos pais esquecem de elogiar. O elogio fortalece a probabilidade da criança repetir as boas ações, afinal para os pequenos a aprovação dos pais é bastante importante. 


-Evite permutas. "Vou te dar isso se você fizer isso". A criança pode internalizar que tudo que ela vai fazer requer uma recompensa. Ela deve fazer porque é obrigação, porque é o certo ou porque é importante, não porque vai ganhar um bem material.


-Não ponha na escola a responsabilidade pela educação dos seus filhos. Essa responsabilidade é dos pais, a criança vai levar para escola o que aprende em casa e levar para casa o que aprende na escola mas o ambiente primário dela é o lar e é onde ela deve aprender sobre o que é ou não permitido.


Isso não é receita de bolo! São sugestões como disse para que os pais e educadores possam adaptar a sua realidade, porque cada lar, cada família, cada criança tem suas particularidades. Tenham em mente que para cuidar de uma criança e educá-la bem é balancear amor e disciplina: qualquer um desses dois em excesso pode ser prejudicial.

OBS: Já atendi algumas crianças na clínica, hoje em dia não atendo mais esse público, uma vez que os pais são fundamentais nesse processo e a maioria não se implica na terapia, gerando poucos sucessos. Sempre existe o discurso "Mas doutor, eu não tenho tempo". São as escolhas que fazemos. 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Suicídio, Religião e Reflexões


Aproveitando a deixa do último artigo, hoje pretendo tratar de um tema bastante delicado e cheio de tabus por parte da sociedade: o suicídio. Nesse artigo vou tecer algumas idéias acerca do tema, a partir das minhas leituras, do meu conhecimento profissional e da minha experiência como psicoterapeuta.


O suicídio sempre existiu na humanidade, se manifestando de formas diferentes em cada cultura e sociedade, de acordo com as demandas de cada período. Temos como significativa expressão do suicida o povo japonês. Na época feudal os samurais japoneses praticavam o sepukku, termo que significa literalmente "cortar o estômago", um modo de suicídio por autoestripamento. 

Originalmente o sepukku era realizado apenas pelos samurais que seguiam um rígido código de honra e podia acontecer de três formas: para o samurai não cair nas mãos do inimigo, para evitar desonra caso ele tivesse cometido algo vergonhoso ou como pena de morte por algum crime. Então, se o samurai tivesse algum comportamento inadequado para a época, ele deveria cometer o sepukku, caso contrário, seria desonrado, um pária na sociedade feudal japonesa. Esse tipo de suicídio ritual consistia em enfiar sua espada no abdômen, realizando um corte da esquerda para a direita abrindo completamente a barriga, na frente de vários espectadores.

Já na Segunda Guerra Mundial os japoneses utilizaram os seus kamikazes, pilotos que cometiam suicídio ao usarem os seus aviões para afundar navios e atingir alvos durante o conflito. Kamikaze significa "vento divino" e vale salientar que era um termo utilizado pelos aliados. Motivados para lutar contra uma ameaça maior, colocavam em xeque a própria vida em prol de um objetivo maior, a vitória na guerra e a glória da sociedade japonesa, deixando assim de lado todos os anseios pessoais. 


Temos também uma cultura de suicídio na Grécia antiga, onde várias mitologias se desenvolvem em cima do tema, a verdadeira tragédia grega. Deixo o link desse artigo que fala um pouco sobre isso:


Mas e a nossa cultura, a cultura ocidental? Principalmente aqui no Brasil o suicídio é visto como uma prática condenável, tanto pela sociedade quanto pela religião. Segundo o Vaticano, o Quinto Mandamento "Não Matarás", tem os seguintes desdobramentos:

"Cada qual é responsável perante Deus pela vida que Ele lhe deu, Deus é o senhor soberano da vida; devemos recebê-la com reconhecimento e preservá-la para sua honra e salvação das nossas almas. Nós somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela."

"O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo."

"Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, sobretudo para os jovens, o suicídio assume ainda a gravidade do escândalo. A cooperação voluntária no suicídio é contrária à lei moral." [1]

Desta forma fica claro o posicionamento da Igreja Católica Apostólica Romana sobre a questão, uma vez que Deus lhe deu o dom da vida não lhe é permitido tirá-la, nem a de seu próximo, nem a sua. O Espiritismo tem uma lógica similar, afirmando que o suicida sofre uma terrível pena por consumar esse ato tão perverso, é enviado a uma "dimensão" chamada Umbral onde permanece imerso em sofrimento e dor, revivendo a dor da morte e tendo sua alma atormentada por outros suicidas. 

Já no Islamismo, o suicídio tampouco é permitido. Para eles, o martírio perante Deus que venha a ceifar a própria vida não é considerado suicídio, dessa forma lutando num conflito até a morte pela "causa divina" não seria considerado suicídio. Entretanto os atos de martírio onde os islâmicos detonam bombas para matar várias pessoas, consumindo sua própria vida no processo, é sim considerado suicídio pelo Islamismo. O que ocorre é que os líderes desses grupos como o Hamas, o Hezbollah, a Jihad Islâmica e a Al-Qaeda, exercem uma forte influência cultural e espiritual sobre seus membros, distorcendo os preceitos do Islamismo e encorajando esse tipo de ato, o sacrifício da própria vida para encontrar o paraíso das virgens.


Fica evidente como as religiões rejeitam a ideia do homem ceifar a própria vida, acredito que isso vem como uma forma de autopreservação, de conservação do bem mais precioso que temos, mesmo que de uma forma inconsciente. 


E O SUICÍDIO NA NOSSA SOCIEDADE? 

Depois desse preâmbulo sobre como as religiões veem o tema, podemos finalmente tecer alguns comentários sobre o suicídio na atualidade, sobre as crises existenciais, sobre os transtornos psicológicos e as motivações dos suicidas. 

Diversos transtornos psiquiátricos podem levar ao suicídio, mais comumente as pessoas associam a Depressão como principal causa de suicídio, mas não é bem assim. Sabemos pela prática clínica que quadros depressivos podem sim gerar ideações suicidas, mas nem sempre isso é indicativo que vá ocorrer o suicídio. Outros quadros psiquiátricos são passivos de uma incidência até maior de suicídio, como surtos psicóticos, por exemplo, mas infelizmente não podemos afirmar categoricamente tal fato pela falta de dados estatísticos precisos. 

A dificuldade em se estudar esse fenômeno é todo o tabu e preconceito que o cercam, pois como já foi mostrado pelo pensamento religioso acima o suicidar-se é reprovável em nossa sociedade e é visto como algo que deve ser escamoteado, talvez pelo medo que a morte causa, talvez pelo choque da forma como o suicida se matou. Há um pensamento de que a divulgação do suicídio irá estimular outros, um raciocínio que eu, como profissional da Psicologia acho falho. É como dizer que ver pessoas fumando fará você fumar, mesmo sabendo que aquilo é nocivo. Dessa forma, os casos de suicídio que chegam ao Sistema de Verificação de Óbito de Fortaleza (SVO, o necrotério), nem sempre são tratados como tal no obituário, constando outro fator para causa mortis. Isso é bem mostrado pelo Dr. Cleto em sua pesquisa sobre o suicídio na cidade de Fortaleza, um estudo dos suicídio nesses últimos 50 anos. Se a pessoa se mata jogando gasolina e ateando fogo em si mesma, deveria constar "Suicídio por imolação por fogo", ao invés de "Morte por distúrbio hidroeletrolítico", no caso de um tiro na cabeça, ao invés de "suicídio por arma de fogo" coloca-se "morte devido a projétil de arma de fogo" e assim por diante.


Mas excluindo os transtornos psiquiátricos, o que leva uma pessoa a se matar muitas vezes é um ato impulsivo, onde o sujeito está passando por alguma situação da qual não consegue sair e o estresse gerado pode fazer com que essa pessoa haja precipitadamente. Vemos muitos casos na TV onde o sujeito sobe em torres ou fica na beirada de prédios, mas no fim não se mata ou não esboça o real desejo de morrer. As pessoas falam "Esse aí só queria chamar a atenção". O que ele queria era uma solução para algum problema sério, uma dificuldade que causou um desespero tão intenso que o fez a tomar aquela atitude impensada. 


Temos visto também alguns casos de jovens que tem se suicidado por conta do fim de relacionamento afetivo. Esse tipo de suicídio merece algumas reflexões. Primeiro, vamos assumir que o suicídio foi motivado pelo fim do relacionamento, não existindo anteriormente qualquer transtorno psiquiátrico associado (Depressão, esquizofrenia, transtorno de personalidade, demência, transtornos de humor, etc). O rompimento de um relacionamento tem essa força para levar o jovem a se suicidar? Isso vai depender do histórico dessa pessoa, da estrutura familiar onde cresceu, do suporte que teve dos pais durante seu desenvolvimento e da forma como interpreta as relações interpessoais. 

Se há, por exemplo, histórico de rejeição, abandono, negligência, é bem provável que a dor da separação daquela pessoa cuja a afeição era tão importante para si seja algo insuportável e a falta de mecanismos psicológicos e familiares para lidar com isso leve a pessoa a um ato impulsivo de se matar. A dificuldade em lidar com as perdas, a ausência da família e o sentimento de desamparo extremo são capazes de gerar um sentimento de vazio que pode culminar em algum transtorno depressivo transitório, mas também podem ser o estopim para um comportamento impulsivo que leve ao suicídio. As pessoas cada vez se apegam mais as outras esquecendo de si mesmas, se doando excessivamente e negligenciando seus próprios anseios, e quanto isto lhe é tirado (fim da relação) só resta o vazio.

O suicídio muitas vezes é motivado por esse vazio existencial, por essa angústia enlouquecedora que nossa sociedade provoca com suas relações frágeis e efêmeras, por essa desvalorização cada vez maior do ser humano. Nossa sociedade está adoecida e nós adoecemos junto com ela, o suicídio é apenas mais um dos sintomas disso.

Esse assunto é muito complexo e podemos falar sobre bastante coisa, prometo escrever mais sobre isso no futuro, principalmente sobre os tipos de suicídio e de estratégias para evitá-los. Quaisquer dúvidas, postem nos comentários ou mandem e-mail.



REFERÊNCIAS:

Pontes, Cleto Brasileiro. Suicídio em Fortaleza: Estudo de 50 anos. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2008. 






domingo, 23 de março de 2014

Psicologia, Cinema e Pipoca #7: A Janela Secreta

Um dos filmes que mais curti na última década, não apenas por ser uma produção despretensiosa e audaz, mas também por um bom elenco e uma boa história de suspense é A Janela Secreta. Lembro da sensação da primeira vez que vi o filme, da emoção e da surpresa, pois sem dúvida é um daqueles filmes que tem o chamado plot twist, onde uma reviravolta perto do fim faz toda a diferença. Além do mais, ele tem uma psicologia profunda em sua constituição, por isso vale muito a pena assistir.


A JANELA SECRETA


Título Original: Secret Window
Ano: 2004
Atores principais: Johnny Depp, John Turturro, Maria Bello
Direção: David Koepp
Gênero: drama, suspense


Sinopse: Mort Rainey (Johnny Depp) é um escritor em crise, que acaba de se separar de sua esposa (Maria Bello) após tê-la flagrado com outro homem. Mort decide se isolar em uma cabana à beira do lago Tashmore, em busca de tranquilidade. Porém lá aparece John Shooter (John Turturro), que começa a atormentá-lo ao acusá-lo seguidamente de plágio.





Trailer:


https://www.youtube.com/watch?v=zr3Lt1GGuXo



quinta-feira, 20 de março de 2014

Depressão, Sim ou Não?


Quando você vê uma pessoa triste, quieta ou chorando por alguns dias qual a primeira coisa que lhe vem a cabeça? Sim, que a pessoa é "depressiva" ou que está com depressão. No artigo de hoje vamos ver que não é bem assim, vamos aprender um pouco sobre o que é e como se manifesta a depressão e desconstruir alguns preconceitos que estão instaurados em nossa cultura.


Como sempre gosto de fazer em meus artigos, o primeiro passo seria definir o que é depressão. A definição do dicionário é: "Estado patológico de sofrimento psíquico assinalado por um abaixamento do sentimento de valor pessoal, por pessimismo e por uma inapetência face à vida.". Parece conter bastante informação útil sobre o que percebemos de uma pessoa supostamente depressiva. Tristeza, raiva, alegria são sentimentos que fazem parte da constituição humana e só não os expressam pessoas com algum problema neurológico ou psicopatológico sério (psicopatas não expressam tristeza ou remorso, por exemplo). Depressão é um transtorno psicológico que afeta o físico e o emocional do sujeito, dificulta ou impede que ele exerça suas funções cotidianas, além de que gera um sentimento de vazio e angústia intensa, ocorrendo uma série de sintomas específicos e se prolongando por várias semanas. 

A tristeza tem um papel adaptativo, pois anuncia para os outros que aquele indivíduo está precisando de amparo, de ajuda. A tristeza pode aumentar significativamente e se desenvolver de formas bem distintas como consequência de vários fatores diferentes, internos ou externos. Daí a complexidade de definir  o quadro de Depressão, porque existem diversos tipos de Depressão e formas específicas dela se manifestar. Além disso, ela pode aparecer "anexada" a outros quadros clínicos de alteração psicológica, como Esquizofrenia, Transtorno por Abuso de Álcool, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Demência, só para citar alguns. E pode surgir sozinha, caracterizando o Transtorno Depressivo.


MELANCOLIA É DEPRESSÃO?

Melancolia é um estado de tristeza, um momento onde o indivíduo experimenta baixa energia para realizar suas atividades, sente-se fraco psiquicamente e manifesta alguns pensamentos negativos. Mas isso não é Depressão. Vários estados podem despertar a melancolia no ser humano, uma frustração, um problema, saudade de uma pessoa querida. O problema é quando essa melancolia se intensifica e começa a tomar outras formas. 

Algo bastante comum é quando perdemos um ente querido. O processo de tristeza pela perda de uma pessoa estimada por nós é chamado de Luto, e a elaboração desse luto é um processo natural desde que o homem pisou na Terra. Cada cultura tem sua maneira de lidar com esse processo, a nossa está muito associada ao apego e portanto, a dor vivenciada com muita intensidade. Em culturas africanas, por exemplo, o processo de luto é festivo, não há tristeza mas alegria porque para eles aquele indivíduo atingiu uma nova esfera de existência. Nosso modo brasileiro de encarar o luto é bem comum em qualquer parte: choro, comoção durante o velório e enterro e sentimento de melancolia intensa nos dias que se seguem. Todavia se o indivíduo não consegue elaborar esse luto, ou seja, se ele não consegue restaurar seu desejo de prosseguir com sua vida, com suas atividades cotidianas e se apega aquele sofrimento podemos estar diante de um caso de Depressão reativa por luto mal elaborado. Mas isso se a pessoa passa meses assim. Estar triste pela perda de alguém não torna essa pessoa doente de Depressão, ela pode sim estar melancólica e deprimida, mas a tendência é que sua psiquê se restabeleça aos poucos e que retorne ao seu cotidiano. Existe uma tendência atual de impedir que a pessoa vivencie esse luto, o que não é benéfico, uma vez que o ser humano deve passar pelas fases do sofrimento para que o equilíbrio emocional retorne, suprimir isso é fazer com que esse luto volte em algum momento do futuro de forma patológica prejudicando ainda mais a pessoa. É direito seu rir, se alegrar, se emocionar e sofrer. Ninguém quer sofrer, mas faz parte da vida.


E COMO SABER SE A PESSOA ESTÁ OU NÃO COM DEPRESSÃO?

Você pode suspeitar por conta do comportamento que vai dando várias pistas, embora somente o
especialista Psicólogo ou Psiquiatra possam melhor diagnosticar qualquer estado depressivo. Quando a pessoa exibe um quadro de tristeza muito prolongado, excesso de pensamentos negativos e autodepreciativos ("eu não presto", "não sei fazer nada", "sou muito feio", "nunca vou ser ninguém", apenas alguns exemplos), alterações no apetite e no sono e incapacidade de seguir com as atividades normais do cotidiano, é muito provável que esteja vivenciando algum tipo de estado depressivo. Outro sinal são comportamento autoagressivos, onde a pessoa se agride, ou exibe esse desejo e claro os pensamentos suicidas. Em todo caso, o paciente deve ser encaminhado para uma avaliação.


ALGUMAS CAUSAS DA DEPRESSÃO


Não vou entrar muito em termos de descrição nosológica, como sempre friso esse blog é para leigos e não uma tese de mestrado, então vou ser simplista e enumerar algumas das possíveis causas de estados de Depressão. Temos as causas internas e externas. Todo mundo imagina logo que aconteceu algo na vida de uma pessoa para que ela esteja naquele estado lastimável, mas nem sempre é assim. Muitas vezes uma queda na quantidade de neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios que enviam informações a outras células, pode causar uma Depressão controlada apenas com medicação, por exemplo. 

Excessos de fracassos podem levar a pessoa a um desamparo prolongado que tem a possibilidade de culminar numa Depressão caso ele não desenvolva mecanismos adaptativos suficientes para lidar com as dificuldades no meio em que se encontra. Abuso de substâncias, principalmente drogas (lícitas ou ilícitas), podem gerar estados Depressivos, mais comumente álcool, cocaína e crack. Além desses fatores, outros transtornos psicológicos podem levar a estados depressivos e doenças físicas (pacientes com doenças terminais, ou crônicas como alguns tipos de reumatismo, fibromialgia, por exemplo.). 

Que fique claro aqui, Depressão não é frescura, não é invenção da pessoa, não é desculpa para não trabalhar, não é preguiça. Muita gente tem dificuldade de se colocar no lugar do outro, até compreensível visto que a Depressão é algo que gera um intenso sofrimento psíquico, mas não é uma simulação, é real e afeta a pessoa como um todo. É preciso respeitar e apoiar esse paciente na sua crise e acima de tudo, buscar uma ajuda para ele, uma vez que em muitos casos o paciente não tem forças para buscar ajuda.

Quaisquer dúvidas ou questões, fiquem à vontade para me mandar e-mails, comentários ou marcar uma consulta. Espero que essas informações tenham sido úteis.


Referências:

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=53

CID -10 - Classificação dos transtornos mentais e de comportamento da CID 10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas - Organização Mundial de Saúde, trad. Dorgival Caetano, Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

DSM IV- Critérios Diagnósticos do DSM-IV, 4a ed, Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.




domingo, 9 de março de 2014

Desmistificando a Dependência Química



Quando o assunto é dependência química existem vários mitos que rondam o tema e uma série de informações baseadas no simples achismo ou numa replicação contínua de fatos nada científicos. Não pretendo escrever um texto longo demais, nem chato demais sobre o assunto, apenas esclarecer alguns pontos mais comuns sobre como a dependência química ocorre e como ela afeta o ser humano, a partir dos meus estudos e a experiência clínica atendendo esse público.


Primeiramente vamos romper com o mito de quem usa drogas é viciado. O vício é, na verdade, o resultado do uso contínuo daquela substância que causa uma alteração nos processos neuroquímicos do cérebro, seja bagunçando os neurotransmissores, seja aumentando os níveis de serotonina (substância que atua na regulação de vários estamos emocionais). Dessa forma, podemos nos viciar em várias coisas, não só em entorpecentes (cocaína, crack, etc), mas em coisas que encontramos no dia a dia, como refrigerantes, café, chocolate, sexo, jogos. 

Então primeiro temos que definir o que é o vício. Segundo o dicionário Aurélio: vício é "Disposição habitual para certo mal; mau costume". Mas podemos incrementar essa definição, uma vez que o vício é uma repetição de um comportamento nocivo, da qual o sujeito tem pouca consciência por estar tão inserido na busca por sensações agradáveis e/ou que alterem sua consciência. Logo, o vício seria o ato de abusar de uma substância ou comportamento, repetindo-o quase sempre sem controle de forma a atingir sensações de prazer ou alteração da consciência. 

Voltando a questão primordial, então você pode estar se perguntando "Então quem usa maconha, cocaína ou crack não é viciado, drogado?" A resposta é: depende. Uma pessoa pode usar vários tipos de droga (ou um só tipo) e não se viciar, tudo vai depender de uma série de fatores internos e externos. Ah, e drogado é quem está sob efeito de alguma droga (inclusos aí qualquer medicamento que altere as funções cognitivas), enquanto que usuário é aquela pessoa que usa determinado tipo de substância.


Para entender melhor a dependência química temos a questão da tolerância, que é a capacidade que cada organismo tem de "resistir" a essas substâncias alheias, sem provocar a vontade incontrolável de usa-la novamente. Algumas drogas são mais viciantes que outras, isso vai depender da composição química de cada uma, mas a tolerância vai variar de organismo para organismo. Enquanto uma pessoa pode se viciar em crack com um ou dois usos, outro pode levar semanas para adquirir os primeiros sinais de adicção. No momento em que o sujeito começa a buscar a droga cada vez mais, comprometendo sua vida social, familiar, laboral há uma grande chance de que ele esteja realmente viciado. Mas muitos utilizam drogas (lícitas ou ilícitas) e conseguem manter o emprego, as responsabilidades da vida sem maiores problemas. 



Outro mito é o de que uma droga mais leve leva ao uso de outras mais pesadas. Isso é amplamente difundido pela mídia e pelos leigos que tentam entender o fenômeno da dependência química. O uso de determinada droga está associado a diversos fatores, mas vamos enumerar alguns para ficar claro. Primeiro temos a questão do acesso a droga. O sujeito não vai atrás de heroína quando ele pode conseguir maconha ou cocaína com mais facilidade, então o suposto viciado em entorpecentes vai em busca do que está mais próximo dele e do seu círculo social. Se os amigos só bebem, a tendência é usar apenas o álcool, mas se os amigos bebem e fumam maconha esta droga se torna mais acessível para ele do que ir até uma boca de fumo atrás de crack, por exemplo. 

Outro fator é o que leva ao sujeito usar a droga, sua motivação para tal ato. Pode ter um fim "recreativo", como nas reuniões de amigos e festas, ou pode ser para reduzir a ansiedade e o stress (álcool e maconha, por exemplo), esquecer situações desagradáveis e conflitos mal resolvidos também é bastante comum. 

Um fator importante é o relacionamento consigo mesmo, uma vez que o uso da droga pode estar associado a comportamentos exclusivamente destrutivos e é aí onde vemos a maioria dos usuários nos programas policiais e nos noticiários. Quando, para este indivíduo, não há uma perspectiva, não há uma estrutura familiar, não há o básico para sua formação humana, o que resta é uma angústia existencial tão intensa que leva o indivíduo ao comportamento autodestrutivo, não apenas usando drogas variadas, mas desafiando a Lei ao cometer delitos e enfrentamento constante de vários tipos de autoridade.  

Como mencionado no início desse texto, não pretendo esgotar o tema neste artigo, mas sim informar melhor o leito sobre essas questões tão presentes em nossa atualidade. Não devemos brincar com nosso corpo experimentando essas substâncias e achando que não vamos nos viciar, pois isto seria uma roleta russa com nossa própria vida. Pode até ser fácil não acostumar o corpo com o uso de entorpecentes no começo, mas depois que está instaurado o processo de adicção as drogas é muito complicado lidar com isso uma vez que envolve aspectos psicossociais.  

Como leitura complementar, aí vai um texto de um neurocientista, o Dr. Carl Hart, sobre a questão da dependência. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Alucinações e Loucura


Alguma vez na vida você já deve ter se perguntado, mesmo que por brincadeira, "Estou ficando louco?", frente a alguma situação em que você reagiu de forma totalmente diferente do que você agiria ou em face de alguma experiência quase "sobrenatural" que tenha passado pelos seus sentidos. No artigo de hoje vamos...


O que é alucinação?

Primeiro, não me refiro aquela música do Belchior. Segundo para o dicionário da língua portuguesa, alucinação é: 

s.f. Sensação mórbida produzida por algo inexistente.
Devaneio, delírio, ilusão.
Obscurecimento passageiro das faculdades mentais.

Essa é a definição do dicionário, mas delírio e ilusão são outros sintomas psiquiátricos, então vamos a definição de alucinação para a saúde mental. Alucinação, segundo a definição do Dr. Cleto Ponte é uma percepção sensorial falsa não associada a estímulos sensoriais externos, o qual é aceita pelo paciente como verídica. É a percepção real de algo inexistente sem um estímulo externo. Dizemos que a percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável que a pessoa manifesta em relação ao objeto alucinado, portanto, será real para a pessoa que está alucinando. 

Mas aí a grande questão que a maioria das pessoas imagina é: se estou alucinando, estarei louco? Estou perdendo a razão, a sanidade? A resposta é: depende. Vamos entender porque.

TIPOS DE ALUCINAÇÃO

Existem alucinações para cada um dos sentidos. 
Alucinações visuais: são as mais comuns, onde o indivíduo vê pessoas, seres, objetos, paisagens, qualquer coisa relacionada com a visão por mais absurda. Já tive pacientes que viam demônios saindo das pessoas, por exemplo.

Alucinações auditivas: também são bastante comuns, a pessoa ouve sons, vozes ou barulhos que não estão no ambiente. Geralmente essas vozes dão comandos ou reforçam uma ideia negativa que a pessoa tem de si ("Você é um fracassado", "Você vai morrer", "Ninguém gosta de você", por exemplo). Tive um paciente que disse que a Virgem Maria lhe disse que o mundo iria acabar e só restaria a cidade onde ele mora.

Alucinações gustativas: incomuns, mas curiosas. O sujeito tem a absoluta certeza de gostos e sabores em sua boca que não estão lá. Gosto de sangue, fezes e outras coisas. Já atendi uma paciente que relatava um gosto de pimenta na boca.

Alucinações táteis: a pessoa tem plena convicção de que há algo no seu corpo ou algo errado com o seu corpo. Há relato de pacientes que sentem formigas ou outro tipo de inseto em seu corpo.

Alucinações olfativas: também são incomuns, o paciente sente odores que não estão no ambiente, geralmente esses odores o acompanham o tempo todo, causando um incômodo constante.


Então, se eu tive algum tipo de alucinação desses, estou ficando doido? Vão me internar num Hospital Psiquiátrico? Claro. Que não. Existem alguns estados que podem ocasionar alucinações em uma pessoa mentalmente saudável.


ALUCINOSE ORGÂNICA

Neste tipo, o sujeito é acometido por alguma moléstia orgânica que o faz alucinar, não tendo a ver com transtorno psiquiátrico. Um exemplo clássico disso é a alucinose por abuso de álcool, uma vez que pessoa com histórico de alcoolismo pode alucinar devido a intoxicação pelo álcool ou pela sua abstinência. A utilização de drogas (lícitas ou ilícitas) pode provocar alucinação. Usar algumas categorias de medicamento e ingerir bebidas alcoólicas pode provocar alucinação. Problemas nos rins, quando os rins estão falhando e o nível de impurezas no sangue aumenta pode também provocar estados alucinatórios, revertendo o quadro quando a patologia é sanada. Drogas como LSD, Crack causam alucinação, abuso de cocaína e outras drogas também. Problemas metabólicos (uremias e diabetes) podem causar alucinação. Traumas (pancadas) na cabeça ou tumores cerebrais podem causar alucinação. Como vimos, em todos os casos citados o problema é essencialmente orgânico ligado a um fator externo que pode ser revertido dependendo da gravidade do problema, fazendo com que a pessoa pare de alucinar.


É possível alucinar sem que seja qualquer uma das situações acima e que não seja um transtorno mental? A resposta é sim! Privação de sono, estados intensos de estresse podem provocar alucinações passageiras. Quando se está caindo no sono e quando se está acordando é possível alucinar, e vou logo avisando que é um processo involuntário. Imagine que você está sonhando com um bombardeio, bombas caindo e explodindo tudo. Você acorda assustado, e mesmo acordado você ouve o barulho das explosões dos aviões por alguns minutos e depois tudo silencia. O nome disso é alucinação hipnopômpica, porque ocorre ao acordar. Agora se você está deitado na sua cama e está quase adormecendo, você sabe que está só no seu quarto e sente a cama afundando como se alguém deitasse com você e depois você dorme. Isto é uma alucinação hipnagógica, porque ocorre ao adormecer. Nenhuma é indicativo de algum problema, todo mundo passa por várias dessas durante a vida. 


Mas então como saber se uma pessoa que está alucinando precisa de tratamento? Alucinação é só um sintoma, o que caracteriza qualquer transtorno são uma série de sintomas, desta forma, depende não só da alucinação, mas do tipo de pensamento e comportamento que o sujeito está manifestando. O ideal é procurar um Psicólogo para que ele possa avaliar. 


OBS: Esse é um site para leigos, então procuro ser o mais claro e simples, evitando jargões complexos e excesso de teoria clínica. Se tiverem alguma duvida, podem perguntar nos comentários ou mandem um e-mail. 


Para saber mais: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=103

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Psicologia, Cinema e Pipoca #6: A Ilha do Medo

Que tal um filme de suspense? Mesmo sendo uma ficção, o roteiro é muito bem escrito, envolvendo de mistério uma Ilha utilizada como local para tratamento de doentes mentais. O hospital psiquiátrico é isolado de tudo e todos e lá se desenvolve uma trama psicológica densa que vai deixar o expectador curioso e confuso até o ultimo instante. Um filme de fato muito bom.




A ILHA DO MEDO

Título Original: Shutter Island
Ano: 2010
Atores principais: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley
Direção: Martin Scorsese
Gênero: Drama, Thriller

Sinopse: 1954. Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de um paciente no Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. No local, ele descobre que os médicos realizam experiências radicais com os pacientes, envolvendo métodos ilegais e anti-éticos. Teddy tenta buscar mais informações, mas enfrenta a resistência dos médicos em lhe fornecer os arquivos que possam permitir que o caso seja aberto. Quando um furacão deixa a ilha sem comunicação, diversos prisioneiros conseguem escapar e tornam a situação ainda mais perigosa.


Veja o trailer do filme: