quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Psicologia, Cinema e Pipoca #6: A Ilha do Medo

Que tal um filme de suspense? Mesmo sendo uma ficção, o roteiro é muito bem escrito, envolvendo de mistério uma Ilha utilizada como local para tratamento de doentes mentais. O hospital psiquiátrico é isolado de tudo e todos e lá se desenvolve uma trama psicológica densa que vai deixar o expectador curioso e confuso até o ultimo instante. Um filme de fato muito bom.




A ILHA DO MEDO

Título Original: Shutter Island
Ano: 2010
Atores principais: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley
Direção: Martin Scorsese
Gênero: Drama, Thriller

Sinopse: 1954. Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de um paciente no Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. No local, ele descobre que os médicos realizam experiências radicais com os pacientes, envolvendo métodos ilegais e anti-éticos. Teddy tenta buscar mais informações, mas enfrenta a resistência dos médicos em lhe fornecer os arquivos que possam permitir que o caso seja aberto. Quando um furacão deixa a ilha sem comunicação, diversos prisioneiros conseguem escapar e tornam a situação ainda mais perigosa.


Veja o trailer do filme:

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Comendo Coisas Estranhas


E se você sentisse vontade de comer areia? Que tal cola? Ou ainda um desejo irresistível de comer plástico ou fezes humanas? Sentir desejo algum desses desejos e realizá-los é um transtorno bem incomum, chamado PICA ou alotriofagia, que é o consumo de substâncias inorgânicas (na esmagadora maioria dos casos) ou algumas substâncias orgânicas cruas. 

Você deve estar se perguntando como isso acontece ou o que leva alguém a exercer esse comportamento. Primeiramente, antes de diagnosticar alguém com PICA devemos atentar para a fase do desenvolvimento no qual aquele individuo se encontra. Não é incomum ver crianças pequenas pegando o que veem pela frente e colocando na boca (embora nem sempre haja deglutição). Fatores culturais também entram na identificação de diagnósticos, embora eu não saiba citar aqui que tipo de cultura específica pratica determinada fagia. 

Exemplos de algumas:

Acufagia - ingerir objetos pontiagudos
Amilofagia - comer amido (i.e. de milho ou mandioca)
Auto-canibalismo - comer partes do corpo (raridade)
Cautopireiofagia - ingerir palitos de fósforo apagados
Coniofagia - comer pó
Coprofagia - comer excremento
Emetofagia - comer vômito
Geomelofagia - comer (freqüentemente) batatas cruas
Geofagia - ingerir terra ou solo
Ctonofagia - ingerir terra ou argila (arcaísmo)
Hematofagia - comer sangue
Hialofagia -ingerir vidro
Lithofagia - comer pedras
Mucofagia - ingerir muco
Pagofagia - comer (patologicamente) gelo
Trichofagia - comer cabelo ou lã (fios ou tecido)
Urofagia - ingerir urina
Xilofagia - comer madeira


Geralmente o indivíduo percebe esse ato como estranho, socialmente reprovável, há culpa e sofrimento envolvido. Em alguns casos isso não ocorre, para o indivíduo é normal comer fezes ou cabelo, por exemplo, sem se incomodar com o que os outros vão pensar daquele ato. É certo que é importante investigar um possível retardo mental nos casos de PICA. Sendo descartado o retardo, vamos para outro critério diagnóstico que é o tempo em que a pessoa vem praticando o ato de comer algo inorgânico. Quanto mais tempo, mais certo é o diagnóstico e mais breve essa pessoa deve procurar um Psiquiatra e um Psicólogo para realizar o tratamento, uma vez que dependendo do que ela ingere pode causar diversas complicações. 

A ingestão de cabelos, tricotilofagia, resulta muitas vezes em cirurgia, uma vez que o estômago não digere a queratina presente nos fios de cabelo, ficando uma bola de cabelo no estômago do paciente que só pode ser retirada cirurgicamente (lembrando que tricotilogafia é um transtorno do espectro obcessivo compulsivo). A pessoa que pratica geofagia, ato de ingerir areia, barro, está sujeita a contaminação por vírus, bactérias e parasitas (verminoses, disenterias, cólera, por exemplo e até mesmo tétano). Comer fezes e beber urina fazem parte de alguns fetiches bizarrros, mas estão inclusos aí também, pois como foi relatado o comportamento pode estar trazendo um desconforto imenso para a pessoa que sente culpa em realizar aquele desejo bizarro. 

Então dependendo do que é ingerido a pessoa terá complicações diferentes. Resolvi escrever sobre esse tema, pois recentemente atendi uma gestante que há um mês estava se alimentando das paredes de casa. Ela relatou que almoçava normalmente a comida que havia cozinhado e após terminar ingeria partes da parede de sua casa sem adição de água.

Para finalizar, não expliquei a origem do termo desse transtorno, que leva as pessoas a fazerem piadinhas, principalmente nas aulas de Psicologia. PICA vem do latim pega, que é um pássaro do hemisfério do norte que come tudo que vê pela frente.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

VÍDEO GAMES E VIOLÊNCIA: A FALÁCIA DA MÍDIA


Não é de hoje que casos chocantes de homicídio, suicídio ou assassinato em massa  que chamam a atenção da mídia tem como pano de fundo os vídeo games como vilões, como incentivadores de um comportamento agressivo e caótico nos jovens, dessa forma reacendendo a discussão a respeito da legalidade dos jogos, da classificação etária dos mesmos e de sua influência no comportamento. Meu objetivo nesse artigo é explicar um pouco de como os games influenciam as pessoas e como a violência entra nessa equação.

Primeiramente devemos ter em mente que cada faixa etária tem suas particularidades: enquanto crianças estão formando aspectos centrais da personalidade, adolescentes estão buscando autoafirmar a sua identidade e jovens adultos estão lidando com a passagem da adolescência para a vida adulta. A transição de cada uma dessas fases traz perdas e angústia que são vivenciadas por esses sujeitos em maior e menor grau. Assim, a criança que agora é adolescente tem que dar respostas novas, atendendo a expectativa dos pais, assim como o adolescente que passa para a vida adulta é bombardeado com uma série de responsabilidades novas como faculdade, trabalho, etc. Mas o que isso tem a ver com violência e vídeo games?

Ocorre que nessas fases do desenvolvimento a forma como esse sujeito se relaciona com os pais, com a família e com o mundo vai criar várias possibilidades para ele; é uma série de variáveis que vão afetar seu comportamento, de acordo com sua percepção, de como entende e percebe o mundo. Significa dizer que filhos de pais amorosos tem uma tendência a serem amorosos, serem boas pessoas, mas não é regra, uma vez que o excesso desse amor pode criar permissividades. Assim como filhos de pais negligentes, violentos, ausentes, terão uma tendência a desenvolver esses comportamentos, mas isso não é uma certeza absoluta, vai depender de como esse indivíduo encara essas experiências. Comportamento humano não é determinado, é mutável, são probabilidades, maiores ou menores de que algo se manifeste.

Esse preâmbulo sobre o desenvolvimento humano serve para nos mostrar que, além dos estímulos que nos permeiam, as relações com nossos pais e com nós mesmos também terão um peso em como nos comportaremos no mundo. Serão neuróticos saudáveis.

Vídeo games, filmes, livros, novelas e músicas são formas de expressão, entretenimento e manifestações culturais e artísticas que sempre tem algum tipo de violência, desde a mais explícita a mais velada. Uma música que denigre a imagem da mulher é uma violência simbólica, um livro que fala sobre crimes e mortes é uma violência mais aberta, filmes retratam uma violência muitas vezes crua e jogos eletrônicos simulam diversas situações com ou sem exageros. Todos manifestam alguma violência.

A grande pergunta é: E porque as pessoas não saem todos os dias se matando? Porque pessoas que adoram filmes de terror com desmembramentos e sanguinolência não saem por aí repetindo o que veem (tenho vários amigos que apreciam esse tipo de filme e são tão violentos quanto um bicho preguiça)? Porque não temos milhares de crianças assassinas por aí, já que jogam jogos eletrônicos brutais?

E a resposta é: simplesmente porque entendem que isto é errado, está internalizado em suas psiquês que matar é errado e que sentir desejo por isso é doentio. Essas pessoas sabem diferenciar o que é real do que é fantasia. Filme, jogo de vídeo game, novela, é tudo fantasia. Quando o sujeito passa a ver isso como real ou como possibilidade aí há um problema.  Eu sempre utilizo o exemplo da faca de cozinha, aquela do tipo serrinha de pão. Ela serve pra cortar o pão, passar manteiga ou geléia ou requeijão. Serve pra cortar um bife, uma fruta. Mas pode ser usada para matar. Ela foi criada pela empresa de facas para matar pessoas? Óbvio que não, assim como outros objetos que tem suas funções definidas, mas um ser humano com problemas em sua estrutura da personalidade pode deturpar seu uso/significado e utilizar para matar ou infligir dor ao outro.

Vídeo games, por mais violentos que sejam, são entretenimento, são um passatempo, assim como filmes, novelas, etc. Qualquer ser humano com algum problema psicológico ou algum distúrbio de personalidade latente pode se utilizar dos vídeo games, filmes, músicas para alimentar seus delírios e cometer crimes. O problema é que a mídia sensacionalista sempre procura culpados, sempre quer chamar a atenção culpabilizando alguma forma de entretenimento que aquela pessoa tinha antes de cometer um crime brutal, esquecendo de que antes de jogar o joguinho violento ela pode ter tido relações conflituosas com sua família, algum problema psicológico não diagnosticado. A mídia não tem compromisso com a verdade e sim com chamar a atenção e vender.  A mídia não reflete, apenas joga na sua cara e se você não se limpar e mastigar as idéias vai continuar aceitando muita baboseira que é mostrada como algo real.


Então, senhores pais, tenham mais atenção apenas com o tipo de jogo que seu filho está jogando, ou filme que está assistindo, pois esses produtos vem com classificação etária. Além disso, vamos impor mais limites a essas crianças e adolescentes, pois deixar um jovem jogando games por cinco, seis horas seguidas é um exagero. O problema está nesse exagero e na falta de limites. Pais, não é o jogo violento que vai tornar seu filho um assassino ou uma pessoa cruel, mas sim a forma como você cuida dele, a forma como você se interessa pela vida e pelos problemas pela, a forma como você lida com os erros que ele comete, a forma como você se responsabiliza por ele. É tão mais fácil culpar itens externos, do que se responsabilizar pela maternidade/paternidade. Frisando que mesmo com tudo isso, transtornos psicológicos latentes (que estão lá, mas não se desenvolveram), também podem influenciar esse comportamento violento, sendo os games, filmes e música apenas pano de fundo para justificar um desejo já existente de cometer algo socialmente condenável.

(Violência é causada por vídeo games? Por favor, 
me informe qual jogo as pessoas estão jogando 
por 5000 anos)


ATUALIZAÇÃO!

Recentemente li um artigo interessante que mostra como o vídeo game pode auxiliar no tratamento no déficit de atenção de hiperatividade (TDAH, citado nesse artigo do blog), segue o link do artigo:


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Psicologia, Cinema e Pipoca #5: Bicho de Sete Cabeças

Minha recomendação de hoje é um filme brasileiro icônico que ganhou bastante visibilidade por abordar um tema polêmico na época de seu lançamento: a questão da loucura e dos hospitais mentais. O filme chocou muita gente, por mostrar uma visão muito próxima (senão idêntica) da realidade do que acontecia nos hospitais mentais (hospitais psiquiátricos ou asilos), justamente na época em que ocorriam várias mudanças na saúde mental de nossa país. O filme pode ser chocante sim, mas não só nos mostra a loucura, como a sanidade contida na loucura, além de ser uma espécie de retrato histórico de um passado recente do Brasil.

BICHO DE SETE CABEÇAS

Título Original: Bicho de Sete Cabeças
Ano: 2000
Atores principais: Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Cássia Kiss
Direção: Laís Bodanzky
Gênero: Drama

Sinopse: Seu Wilson (Othon Bastos) e seu filho Neto (Rodrigo Santoro) possuem um relacionamento difícil, com um vazio entre eles aumentando cada vez mais. Seu Wilson despreza o mundo de Neto e este não suporta a presença do pai. A situação entre os dois atinge seu limite e Neto é enviado para um manicômio, onde terá que suportar as agruras de um sistema que lentamente devora suas presas.



Esse filme foi a produção que deu uma alavancada na carreira do ator Rodrigo Santoro, ele está simplesmente sensacional nesse papel. Abaixo segue o trailer do filme.

Trailer do filme Bicho de Sete Cabeças

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Stress e Qualidade de Vida


Quantos compromissos você tinha hoje? Pensou em tudo o que deveria fazer durante o dia, tarefas como ir ao banco, pegar os filhos na escola, ir para a faculdade, trabalhar o dia inteiro, levar o carro para a oficina, resolver um problema jurídico, limpar a casa, escrever a monografia, ajudar os filhos com a tarefa de casa. Esses são alguns exemplos de cotidiano o qual nós vivemos e que acabam desencadeando um ritmo de vida frenético e cansativo. Trabalhar e estudar, por exemplo, não é uma tarefa das mais fáceis; você tem que lidar com os problemas do trabalho, chegar cansado na faculdade, assistir aula, depois enfrentar o trânsito, chegar em casa, estudar, dormir e repetir tudo na manhã seguinte.  O enfrentamento dessas responsabilidades aliado a hábitos pouco saudáveis irá inevitavelmente gerar um nível de stress no sujeito que poderá ocasionar problemas mais sérios. Mas o que é o stress?

Quando o organismo quando é submetido situações ameaçadoras ou com algum componente emocional intenso, secreta os hormônios epinefrina (adrenalina) e norepinefrina noradrenalina) que, através da corrente sanguínea, chegam às terminações nervosas do sistema nervoso simpático provocando a aceleração do batimento cardíaco e da respiração, acompanhado do aumento de fluxo de sangue para os músculos do esqueleto e da liberação de gorduras, ou seja, o organismo prepara-se para lutar ou fugir.

Rodrigues (1997) traz uma definição de estresse como:

 "Uma relação particular entre uma pessoa, seu ambiente e as circunstâncias às quais está submetida, que é avaliada pela pessoa como uma ameaça ou algo que exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo o seu bem-estar" (p.24)

O stress vem quando a pessoa entende aquela situação como perigosa (sendo esse um processo inconsciente), prejudicial ou se sente oprimida pelo ambiente, causando as reações físicas como irritabilidade, ansiedade, medo, dores musculares, fadiga, insônia, perda de apetite, taquicardia, diminuição da concentração e memória. O excesso de stress sendo vivido por esse indivíduo diariamente, por um longo período, pode gerar problemas mais sérios como Transtorno de AnsiedadeGeneralizada, Transtorno de Pânico, Neurastenia, Depressão.  Para evitar isso, é fundamental que as pessoas aprendam a lidar com o stress, uma vez que evitá-lo é bem mais complicado. Mas então como fazer isso?


Hábitos saudáveis sempre ajudam, tais como: uma boa alimentação (reduzir o sal, açúcar e frituras, comer mais frutas, beber muita água); praticar alguma atividade física, até uma caminhada na pracinha já ajuda (escolher os dias da semana para tal se o seu cotidiano for muito puxado); evitar o fumo e o excesso de bebidas alcoólicas. Elabore estratégias para tentar evitar passar horas no trânsito (se puder ir a pé para o trabalho ou de bicicleta), evite a cafeína (além de ser um estimulante, o abuso dessa substância causa malefícios associada ao stress), evitar levar os problemas para a cama ou ficar pensando no que tem de fazer no dia seguinte antes de dormir, organizar melhor o dia para não se sobrecarregar de responsabilidades. Além disso, tentar não se aborrecer por pequenas coisas, ter um horário para o lazer e não acumular sentimentos negativos.



Faço aqui um parêntese sobre a questão do lazer. Atendo muitos pacientes que não entendem o significado do lazer e acabam por fazer coisas que acham que devem fazer, mas que realmente não querem. O lazer é uma atividade relaxante, prazerosa para a pessoa, onde ela irá se desligar das responsabilidades, dos problemas, onde ela poderá desfrutar de algo seu sem nenhuma obrigação. O que é lazer pra mim pode não ser para você. Tem gente que odeia ir a praia e tem gente que detesta cinema. Então o lazer é algo particular de cada um, o importante é não esquecer da regra de ouro, deve ser algo que lhe traga prazer e relaxamento e que não haja obrigações envolvidas.



Todas essas estratégias vão melhorar sua qualidade de vida, pois no nosso modo de vida atual é impossível não ter stress por conta das responsabilidades, mas podemos viver melhor mudando alguns hábitos. Caso seu stress esteja elevado e você não esteja dando conta, causando uma sensação de confusão que te impede de tomar decisões em várias áreas da sua vida, procure um Psicólogo para lhe auxiliar a enfrentar esse momento de crise. No mais, aproveitem bem a vida que dá tudo certo!



Referências:


Rodrigues, A. Stress, trabalho e doenças de adaptação. in: Franco, a.c.l. &Rodrigues, a.l. (1997). Stress e trabalho: guia prático com abordagem psicossomática. São Paulo: Atlas.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Psicologia, Cinema e Pipoca #4: Uma Mente Brilhante

Trago hoje para vocês esse filme que retrata muito bem o desenvolvimento de um transtorno psicológico na visão do paciente. Não quero entrar em detalhes para não dar spoiler sobre o filme, mas recomendo fortemente. 

Uma Mente Brilhante

Título Original: A Beautiful Mind
Ano: 2001 
Atores principais: Russell Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly 
Direção: Ron Howard
Gênero: Drama


Sinopse: John Nash (Russell Crowe) é um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado no meio onde atuava. Mas aos poucos o belo e arrogante Nash se transforma em um sofrido e atormentado homem. Porém, após anos de luta para se recuperar, ele consegue retornar à sociedade e acaba sendo premiado com o Nobel.



Esse filme retrata a vida de John Nash, que atualmente ainda é vivo, no começo de sua carreira quando começou a se aprofundar em várias teorias matemáticas e que trabalhou na Teoria dos Jogos. É um filme biográfico que mostra a relação pessoal e laboral de Nash, quando ele começou a ter problemas relacionados ao seu trabalho e como isso mudou sua vida. Nenhuma pessoa que estuda saúde mental deveria ficar sem ver esse filme. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Distúrbios Psicológicos em Relacionamentos Afetivos: Codependência

Outro fenômeno que ocorre nos relacionamentos afetivos é a codependência, mas antes de defini-la, vamos

falar sobre o conceito de dependência.  Dependência é quando o indivíduo não é capaz de realizar algo ou dar conta de sua vida sozinho, ele precisa de alguém para auxiliá-lo nesse processo. Geralmente somos muito dependentes dos pais na infância, quando estamos desenvolvendo nossa personalidade e compreendendo o mundo através das relações e do brincar. O adolescente já é bem menos dependente, ele já tem consciência de seu papel, de suas necessidades, comumente eles são dependentes financeiramente dos pais. Mas existe outro tipo de dependência que é bem mais complicada: a dependência emocional.

É fácil caracterizar uma pessoa dependente, uma vez que ela assuma uma postura essencialmente passiva; ela deseja que suas necessidades sejam satisfeitas, mas costumam fugir das responsabilidades, criam uma série de desculpas e mecanismos de evitação para não assumir as consequências de seus atos, manipulam os outros para satisfazerem suas necessidades assumindo um comportamento de vitimização. Esse processo pode ganhar uma dimensão muito maior e levar a pessoa a desenvolver uma codependência.

Se faça as seguintes perguntas: Você se preocupa intensamente com outra pessoa? Você precisa estar perto daquela pessoa? Você se sente perdido quando não consegue estar perto? Você precisa do amor exclusivo e absoluto de alguém e só procura sua companhia? Você vê os amigos e familiares desta pessoa como competição? Você é ciumento? Você só consegue se decidir ou agir se a pessoa em questão aprovar?

Dependendo das respostas você pode estar vivenciando uma codependência, que é uma tendência de se comportar passivamente em excesso, que leva a impacto negativo nos relacionamentos e na qualidade de vida de um indivíduo. É geralmente vista como colocando as necessidades do indivíduo abaixo das necessidades dos outros e ficar preocupado em excesso com outros.

O codependente sofre muito com sua condição, pois sua vontade geralmente é subjugada quando se relaciona com pessoas controladoras, autoritárias ou com manifestações de ciúme patológico. Quando o companheiro do codependente é controlador, ciumento, agressivo, ocorre uma sujeição nesse relacionamento que impede o codependente de fazer o que gosta, tendo que se submeter as vontades do outro em detrimento da sua. Já atendi casos onde o marido impedia a mulher (ela sendo a codependente) de estudar, trabalhar e ainda era violento com ela, verbal e fisicamente. Fica claro nesse exemplo que ele queria cortar qualquer possibilidade da mulher de se desligar dele, fortalecendo a relação de dependência.


Muitas mulheres (elas são as mais atingidas pela codependência) vivem situações desse tipo onde se submetem totalmente ao marido, acreditando que isso é amor (ou uma prova do mesmo), entretanto se faz necessário refletir que tipo de amor é esse que domina, massacra e traz um profundo sofrimento. Que amor é esse que aceita a violência porque o marido lhe sustenta ou dá o sustento dos filhos, como se fosse uma justificativa para suportar as agressões? Essas mulheres tem uma autoestima baixa, esquecem de si e se importam demais com o companheiro que as maltrata. É uma condição que requer um acompanhamento psicológico de modo que essa pessoa possa se redescobrir, possa aprender a se valorizar, a compreender como se dá essa dependência afetiva na sua relação e poder criar estratégias para lidar com isso.

O primeiro passo para a mudança da situação é reconhecer a dependência afetiva, mas não é algo que possa ser mudado com facilidade pela pessoa, a orientação profissional é fundamental, pois mesmo com a vontade de mudar não é suficiente para a pessoa codependente, ela simplesmente não consegue superar essa barreira sozinha.



Referências: