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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Distúrbios Psicológicos em Relacionamentos Afetivos: Codependência

Outro fenômeno que ocorre nos relacionamentos afetivos é a codependência, mas antes de defini-la, vamos

falar sobre o conceito de dependência.  Dependência é quando o indivíduo não é capaz de realizar algo ou dar conta de sua vida sozinho, ele precisa de alguém para auxiliá-lo nesse processo. Geralmente somos muito dependentes dos pais na infância, quando estamos desenvolvendo nossa personalidade e compreendendo o mundo através das relações e do brincar. O adolescente já é bem menos dependente, ele já tem consciência de seu papel, de suas necessidades, comumente eles são dependentes financeiramente dos pais. Mas existe outro tipo de dependência que é bem mais complicada: a dependência emocional.

É fácil caracterizar uma pessoa dependente, uma vez que ela assuma uma postura essencialmente passiva; ela deseja que suas necessidades sejam satisfeitas, mas costumam fugir das responsabilidades, criam uma série de desculpas e mecanismos de evitação para não assumir as consequências de seus atos, manipulam os outros para satisfazerem suas necessidades assumindo um comportamento de vitimização. Esse processo pode ganhar uma dimensão muito maior e levar a pessoa a desenvolver uma codependência.

Se faça as seguintes perguntas: Você se preocupa intensamente com outra pessoa? Você precisa estar perto daquela pessoa? Você se sente perdido quando não consegue estar perto? Você precisa do amor exclusivo e absoluto de alguém e só procura sua companhia? Você vê os amigos e familiares desta pessoa como competição? Você é ciumento? Você só consegue se decidir ou agir se a pessoa em questão aprovar?

Dependendo das respostas você pode estar vivenciando uma codependência, que é uma tendência de se comportar passivamente em excesso, que leva a impacto negativo nos relacionamentos e na qualidade de vida de um indivíduo. É geralmente vista como colocando as necessidades do indivíduo abaixo das necessidades dos outros e ficar preocupado em excesso com outros.

O codependente sofre muito com sua condição, pois sua vontade geralmente é subjugada quando se relaciona com pessoas controladoras, autoritárias ou com manifestações de ciúme patológico. Quando o companheiro do codependente é controlador, ciumento, agressivo, ocorre uma sujeição nesse relacionamento que impede o codependente de fazer o que gosta, tendo que se submeter as vontades do outro em detrimento da sua. Já atendi casos onde o marido impedia a mulher (ela sendo a codependente) de estudar, trabalhar e ainda era violento com ela, verbal e fisicamente. Fica claro nesse exemplo que ele queria cortar qualquer possibilidade da mulher de se desligar dele, fortalecendo a relação de dependência.


Muitas mulheres (elas são as mais atingidas pela codependência) vivem situações desse tipo onde se submetem totalmente ao marido, acreditando que isso é amor (ou uma prova do mesmo), entretanto se faz necessário refletir que tipo de amor é esse que domina, massacra e traz um profundo sofrimento. Que amor é esse que aceita a violência porque o marido lhe sustenta ou dá o sustento dos filhos, como se fosse uma justificativa para suportar as agressões? Essas mulheres tem uma autoestima baixa, esquecem de si e se importam demais com o companheiro que as maltrata. É uma condição que requer um acompanhamento psicológico de modo que essa pessoa possa se redescobrir, possa aprender a se valorizar, a compreender como se dá essa dependência afetiva na sua relação e poder criar estratégias para lidar com isso.

O primeiro passo para a mudança da situação é reconhecer a dependência afetiva, mas não é algo que possa ser mudado com facilidade pela pessoa, a orientação profissional é fundamental, pois mesmo com a vontade de mudar não é suficiente para a pessoa codependente, ela simplesmente não consegue superar essa barreira sozinha.



Referências:


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Distúrbios Psicológicos em Relacionamentos Afetivos: Ciúme Patológico

Não é incomum nos dias de hoje nos depararmos com casos de ciúmes exagerados, crimes passionais, violência contra a mulher, casos que chocam como o assassinato de Eloá, do empresário Marcos Matsunaga diretor executivo da empresa Yoki e muitos outros casos que não chegam ao homicídio, mas causam um sofrimento enorme as vítimas porque envolvem violência psicológica e física. Mas o que pode ocorrer num relacionamento, seja namoro ou casamento, para despertar comportamentos tão nocivos?







Ciúme Patológico

O que é ciúme para você? Qual a diferença entre ciúme sadio e patológico? Essa pode ser uma pergunta aparentemente simples de definir, mas é um assunto complexo que necessita de uma avaliação precisa.  O ciúme é uma reação causada pelo medo, real ou fantasioso, de perder algo ou alguém ou que põe em risco a relação com a pessoa amada. Essa é uma definição bem simples que contempla principalmente as relações afetivas. No ciúme sadio existe uma preocupação com o outro, um medo de perder que é controlado. Podem haver brigas, mas elas não fogem ao controle, não extrapolam em situações absurdas.

Já o ciúme patológico é bem mais gritante.  Existem alguns casos na literatura psiquiátrica que ilustram bem esse tipo de ciúme, como o caso de uma mulher que marcava o pênis do marido assinando-o no início do dia com uma caneta e verificava a marca desse sinal no final do dia (Wright, 1994), e o caso de outro paciente, com ciúme obsessivo, que chegava a examinar as fezes da namorada, procurando possíveis restos de bilhetes engolidos (Torres, 1999).


No ciúme patológico existe o desejo de controle total sobre a vida da outra pessoa; cada passo é seguido, ligações para saber onde a pessoa está, com quem está o que está fazendo são um exemplo disso. Outro tipo de comportamento que ocorre é a invasão de privacidade, a pessoa com ciúme patológico exige sua senha de e-mail, verifica constantemente suas ligações e mensagens no celular, vasculha a bolsa da companheira (no caso de homens), e chegam até mesmo a criar problemas no ambiente de trabalho da pessoa, pois se recusam a aceitar que ela mantenha qualquer tipo de interação social com os outros.

A situação piora muito para o companheiro(a) de uma pessoa com ciúme patológico quando ela começa a ter idéias ilógicas e sentimentos desproporcionais nas situações que se apresentam, tais como ataques de fúria, agressão física, depredação do ambiente e ocorre o risco de homicídio, muitas vezes acompanhado do suicídio da pessoa ciumenta.

O ciumento tenta se justificar sempre, muitas vezes usando argumentos vazios, diz que ama a pessoa, se diz arrependido quando percebe que exagerou, mas acaba por repetir o mesmo padrão de comportamento sempre. Isto se agrava quando o ciumento começa a ter delírios (idéias ou crenças baseadas em fundamentos ilógicos ou sem base na realidade), quando imagina que qualquer ato do seu companheiro(a) culminará em traição, quando sua percepção começa a distorcer os fatos e a realidade em torno de suas inseguranças. O ciumento então desenvolve um sentimento de raiva e vingança contra seu companheiro uma vez que tem a certeza absoluta que está sendo traído a todo momento. A mulher tenta sair dessa situação porque percebe que algo está errado, muito embora não saiba que seu companheiro sofre de um problema psicológico grave, mas seu companheiro não aceita o fim da relação, passa a persegui-la e aí é o terreno onde ocorrem as tragédias, os crimes passionais. 


Para prevenir essas tragédias, o importante é você estar atento aos sinais descritos e pedir ao seu parceiro(a) que busca ajuda, que inclui aí um processo de psicoterapia e dependendo do caso pode ser importante o uso de medicação passada pelo Psiquiatra.


Referências:

Torres AR, Ramos-Cerqueira ATA, Dias RS. - O ciúme enquanto sintoma do transtorno obsessivo-compulsivo. Ver. Bras. Psiquiatria 1999;21:3 158-73

Wright S. - Familial obsessive-compulsive disorder presenting as pathological jealousy successfully treated with fluoxetine. Arch Gen Psychiatry 1994;51:430-I