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quarta-feira, 24 de junho de 2015

COMO FUNCIONA A TERAPIA DE CASAL?


Resolvi falar um pouco hoje para vocês sobre a Terapia de Casal, uma vez que é um tema que muitas pessoas gostariam de saber, entender como funciona e quando procurar esse tipo de ajuda. 

A Terapia de Casal é uma modalidade de atendimento em que ambos os parceiros participam, tendo o foco na sua interação e nas dificuldades específicas que eles estão vivenciando. O intuito é auxiliar e fortalecer a relação do casal, sejam namorados, noivos ou casados. Deixo isso claro uma vez que algumas pessoas acreditam que a Terapia de Casal é somente para pessoa casada e isto é um tremendo engano. 



COMO FUNCIONA A TERAPIA DE CASAL?

O psicólogo vai, através da escuta das situações de queixa do casal,  servindo como mediador, interlocutor a respeito dos problemas apresentados pelo casal. Então o casal chega no consultório e cada um relata o que lhe incomoda na relação com o parceiro, O psicólogo ouve um de cada vez, e vai "decodificando" a mensagem, porque muitas vezes os conflitos estão mascarados, encobertos por comportamentos e emoções muitas vezes o próprio casal não percebe. A partir daí, o psicólogo vai identificando cada ponto que está criando conflito e apresentando ao casal, que fica ciente dos comportamentos destrutivos, perniciosos, egoístas, submissos etc que estão prejudicando a relação. A função da terapia de casal é tratar a comunicação entre as partes, identificar o que  contamina este relacionamento, encontrar novas ações e fazer novos contratos. Não será o lugar para cada um tratar de questões que não envolvem o relacionamento. Questões pessoais são tratadas na psicoterapia individual, que pode/ deve ser feita com outro profissional. Questões fora da relação só devem ser tratadas se estão atrapalhando a relação. Exemplo: O marido com ciúmes do chefe da esposa. Neste caso o psicólogo trabalharia o que na relação do casal gera tanto ciúme do chefe, mas sem entrar na questão trabalhista da esposa. 


QUAL A DIFICULDADE DESTE TIPO DE ATENDIMENTO?

A primeira dificuldade que ocorre é convencer o parceiro a buscar ajuda profissional. Em meus anos de experiência o que tenho visto em 90% dos casos é que o homem sempre é mais resistente em aceitar participar desse tipo de terapia. Os homens evitam, por achar que é bobagem ou que podem resolver o problema de sua relação sozinhos, ou ainda pelo ranço da cultura machista no qual foram criados. As mulheres por outro lado estão dispostas a tentar, a buscar uma saída para melhorar o relacionamento que está se tornando insuportável. 

Outra dificuldade é o casal ceder. Durante a terapia o psicólogo dará sugestões, discutirá o comportamento do casal elucidando aquilo que está criando conflito e orientando formas mais saudáveis e autênticas de enfrentar esses problemas, a questão é que nem sempre o casal quer seguir essas orientações. Se o casal não se esforça para agir diferente, para modificar seu comportamento, o conflito persiste e nada muda. Então é importante saber ceder e querer realmente mudar se desejam ter uma relação mais sólida e tranquila.


O QUE LEVA A BUSCAR TERAPIA DE CASAL?

Vou citar alguns dos motivos pelos quais os casais mais buscam a terapia:

  • Ciúmes excessivos (pode ser um caso de ciume patológico, falei sobre isso em outro artigo, para ler clique aqui)
  • Dependência excessiva (falei como isso pode ser prejudicial em outro artigo, basta clicar aqui)
  • Traição
  • Dificuldades na sexualidade
  • Brigas constantes
  • Agressões físicas e/ou verbais
  • Falta de calor na relação
  • Falta de comprometimento na relação
  • Machismo em excesso
  • Indiferença excessiva de um em relação ao outro
  • Distanciamento de uma das partes
  • Insegurança na relação (ilusões criadas pelo medo de perder o outro ou de que o outro está fazendo algo errado)
QUAL O DIFERENCIAL DA TERAPIA DE CASAL? EM QUE ELA PODE AJUDAR A RELAÇÃO?


Existem muitos benefícios na Terapia de Casal que podem ser alcançados. O objetivo mais imediato seria melhorar a comunicação entre o casal, facilitando o processo de fala e escuta de cada um. Além disso a terapia vai proporcionar que você conheça mais seu parceiro e as necessidades dele, assim como você passe a se conhecer melhor e as suas necessidade, que descubram objetivos em comum, para que possam fortalecer o compromisso. Também ajuda a melhorar a vida sexual do casal, superar tabus e dificuldades relacionadas ao sexo. Outro ponto importante é acabar com a competição, visto que muitos casais parecem competir entre si para ver quem é o melhor, quem ganha mais, quem tem mais poder e controle na relação. Facilitar a divisão de responsabilidades dentro da relação é outro benefício d terapia de casal, visto que muitas vezes é como se um dos dois levasse o relacionamento inteiro nas costas. 


Espero que esse artigo tenha sanado algumas dúvidas sobre a Terapia de Casal. Se você estiver procurando esse tipo de atendimento, meu contato está aqui no site. 


Referências:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1994000200006

http://www.psicoterapiacognitiva.com.br/casal.html

BUSTUS, Dalmiro M. Perigo... Amor à vista! Drama e psicodrama de casais. São Paulo, Aleph, 1990.

BENEDITO, Vanda L. Di Yorio. Amor Conjugal e Terapia de Casal: uma leitura arquetípica. São Paulo: Summus, 1996. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Distúrbios Psicológicos em Relacionamentos Afetivos: Codependência

Outro fenômeno que ocorre nos relacionamentos afetivos é a codependência, mas antes de defini-la, vamos

falar sobre o conceito de dependência.  Dependência é quando o indivíduo não é capaz de realizar algo ou dar conta de sua vida sozinho, ele precisa de alguém para auxiliá-lo nesse processo. Geralmente somos muito dependentes dos pais na infância, quando estamos desenvolvendo nossa personalidade e compreendendo o mundo através das relações e do brincar. O adolescente já é bem menos dependente, ele já tem consciência de seu papel, de suas necessidades, comumente eles são dependentes financeiramente dos pais. Mas existe outro tipo de dependência que é bem mais complicada: a dependência emocional.

É fácil caracterizar uma pessoa dependente, uma vez que ela assuma uma postura essencialmente passiva; ela deseja que suas necessidades sejam satisfeitas, mas costumam fugir das responsabilidades, criam uma série de desculpas e mecanismos de evitação para não assumir as consequências de seus atos, manipulam os outros para satisfazerem suas necessidades assumindo um comportamento de vitimização. Esse processo pode ganhar uma dimensão muito maior e levar a pessoa a desenvolver uma codependência.

Se faça as seguintes perguntas: Você se preocupa intensamente com outra pessoa? Você precisa estar perto daquela pessoa? Você se sente perdido quando não consegue estar perto? Você precisa do amor exclusivo e absoluto de alguém e só procura sua companhia? Você vê os amigos e familiares desta pessoa como competição? Você é ciumento? Você só consegue se decidir ou agir se a pessoa em questão aprovar?

Dependendo das respostas você pode estar vivenciando uma codependência, que é uma tendência de se comportar passivamente em excesso, que leva a impacto negativo nos relacionamentos e na qualidade de vida de um indivíduo. É geralmente vista como colocando as necessidades do indivíduo abaixo das necessidades dos outros e ficar preocupado em excesso com outros.

O codependente sofre muito com sua condição, pois sua vontade geralmente é subjugada quando se relaciona com pessoas controladoras, autoritárias ou com manifestações de ciúme patológico. Quando o companheiro do codependente é controlador, ciumento, agressivo, ocorre uma sujeição nesse relacionamento que impede o codependente de fazer o que gosta, tendo que se submeter as vontades do outro em detrimento da sua. Já atendi casos onde o marido impedia a mulher (ela sendo a codependente) de estudar, trabalhar e ainda era violento com ela, verbal e fisicamente. Fica claro nesse exemplo que ele queria cortar qualquer possibilidade da mulher de se desligar dele, fortalecendo a relação de dependência.


Muitas mulheres (elas são as mais atingidas pela codependência) vivem situações desse tipo onde se submetem totalmente ao marido, acreditando que isso é amor (ou uma prova do mesmo), entretanto se faz necessário refletir que tipo de amor é esse que domina, massacra e traz um profundo sofrimento. Que amor é esse que aceita a violência porque o marido lhe sustenta ou dá o sustento dos filhos, como se fosse uma justificativa para suportar as agressões? Essas mulheres tem uma autoestima baixa, esquecem de si e se importam demais com o companheiro que as maltrata. É uma condição que requer um acompanhamento psicológico de modo que essa pessoa possa se redescobrir, possa aprender a se valorizar, a compreender como se dá essa dependência afetiva na sua relação e poder criar estratégias para lidar com isso.

O primeiro passo para a mudança da situação é reconhecer a dependência afetiva, mas não é algo que possa ser mudado com facilidade pela pessoa, a orientação profissional é fundamental, pois mesmo com a vontade de mudar não é suficiente para a pessoa codependente, ela simplesmente não consegue superar essa barreira sozinha.



Referências: