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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

PSICÓLOGO PODE ATENDER NA SUA RESIDÊNCIA?

Recentemente recebi uma pergunta aqui no blog e achei interessante não apenas responder a pessoa mas desenvolver um pouco mais de fazer um post sobre isso. Então vamos lá.

A pergunta em questão foi essa:

"Uma psicóloga que mora em um condomínio pode atender pacientes em seu apartamento? 
Moradores se incomodam com entra e sai de pessoas desconhecidas e ficam nervosas quanto a alguém sofrer uma crise e fazer maus para suas crianças que ali estão nas áreas comuns."


quinta-feira, 10 de março de 2016

MEU FILHO NÃO ME OBEDECE, O QUE EU FAÇO?

O título desse post refere uma pergunta constante que me fazem no consultório, algo que perpassa a grande maioria dos pais na atualidade, que não sabem como reagir ou reagem de formas ineficientes com seus filhos que apresentam comportamentos "inapropriados".

A primeira coisa que os pais tem que entender é que a criança é um ser em desenvolvimento que absorve e reproduz os comportamentos ou situações que vivencia. Um exemplo prático é que se você fala palavrão em casa, o pequeno naturalmente vai falar esse palavrão em algum momento, porque a imitação/reprodução faz parte do aprendizado.. Os pais parecem esquecer que uma criança não tem a mesma maturidade emocional e intelectual que um adulto, e por isso deve ser orientada constantemente sobre o que é certo e o que é errado. Daí chegamos no problema do nosso modo de vida moderno onde as funções de educação e orientação, em geral, são transferidos para terceiros: escola, babá, avós. Os pais tem que trabalhar, afinal criar um filho gera muita despesa, e o ritmo de trabalho diminui o tempo de contato com os filhos. Esse distanciamento gera uma série de sentimentos conflitantes na criança, que geralmente exibe o que os analistas do comportamento chamam de variabilidade comportamental, uma expressão de atitudes diferentes. É o que as pessoas definem como criança inquieta, travessa. Na grande maioria das vezes o mau comportamento de uma criança é reflexo de um ambiente no qual algo está faltando para aquela criança, seja educação, limites ou atenção dos pais.


O QUE FAZER QUANDO MEU FILHO NÃO OBEDECE?

Não existe uma cartilha ou conjunto de regras para lidar com isso, porque as situações são as mais variadas possíveis, embora a queixa seja semelhante, a de que seu filho não te respeita e desobedece você. O que vou falar a seguir são algumas orientações, atitudes simples que podem melhorar muito essa relação.


  • Estabeleça mais contato com seu filho, olhe sempre nos olhos dele quando falar algo importante, fale próximo dele, diminua a distância. 
  • Nunca ponha seu filho de castigo sem motivo e sempre deixe claro quando ele fizer algo indevido.
  • Tenha regras na casa. Crianças precisam se acostumar com regras, portante é interessante que elas tenham horário para tomar banho, dormir, estudar, comer.
  • Evite contradizer suas próprias regras. Ser rígido demais não é bom, mas ser liberal demais é igualmente desaconselhável. Procure sempre equilibrar as coisas. Evite abrir exceções para essas regras o tempo todo. Ex: Dormir mais tarde uma vez porque está vendo um filme/jogando vídeo game, mas que isso não se torne rotina. 
  • No caso de irmãos, evite favorecer um, as regras devem valer para todos de forma mais igualitária possível.
  • Passe ensinamentos morais, deixe claro o certo e o errado. Quando mais nova a criança, mais simples deve ser a explicação, conforme eles crescem você pode dar mais detalhes e exemplos.
  • Brinque com seus filhos, converse com eles, abrace, beije. O carinho é um grande alimento para a formação dos pequenos.




Para finalizar, vou citar um caso que atendi uns anos atrás. Era uma mãe jovem que chegou com a filha de 3 anos, muito desesperada porque sua filha estava com tricotilofagia. Nesse transtorno mental a pessoa desenvolve uma compulsão por arrancar seu cabelo e engolir. O cabelo não é digerido pelo suco gástrico no estômago, depois de um tempo existe uma bola de cabelo alojada no estômago da pessoa que deve ser retirada através de cirurgia. É um transtorno que eu só havia visto em adultos. Naquele dia era uma criança de 3 anos que sofria com isso. Depois de entrevistar a mãe e a criança eu percebi o quão tumultuada era a relação delas. Mãe solteira, tinha que trabalhar e cuidar da filha. Brigava com a menina, agredia ela muitas vezes sem motivo, descontando suas frustrações na criança. Durante a terapia tratei mais a mãe do que a filha, orientando, dando suporte que ela não tinha da família, todos a culpavam pelo fracasso de ser mãe solteira. Depois de um tempo, ela parou de descontar na filha aquela raiva do mundo, de ter sido abandonada pelo companheiro, de não ter um bom emprego e de ser criticada pela família, Passou a brincar mais com a filha, a conversar mais com ela, a passear e a dar afeto. Naturalmente, a menina não mais arrancou os cabelos e cessou o comportamento nocivo. Neste caso específico não foi necessária nenhum tipo de medicação, apenas terapia. A mãe me agradeceu muito ao final do tratamento e não mais retornou para atendimento psicológico comigo.

domingo, 26 de maio de 2013

Hiperatividade: Não confunda com falta de limites!





Olá amigos, gostaria de falar um pouco para vocês sobre o TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, um dos diagnósticos mais erroneamente atribuídos a crianças "problema". Tenho tido a oportunidade de observar que chegam muitas crianças na clínica, a maioria encaminhada pela escola, já com o rótulo de hiperativa, tanto dado pela mãe quanto pelas professoras. Mas se a criança não obedece, tem um comportamento bastante ativo, agressivo e inconsequente, como pode isto não ser hiperatividade?

É o que muitas mães e educadores pensam, mas tenhamos em mente que o diagnóstico de TDAH é muitas vezes complexo, requerendo interconsultas e avaliações com vários profissionais pois nem sempre o Psicólogo sozinho é capaz de dar um diagnóstico preciso, sendo em alguns casos a intervenção médica necessária para fazer exames complementares.

Grande parte dos casos que avaliei se mostrava não TDAH, mas outros problemas relacionados a criança e aos pais. Pude constatar que sempre havia alguma deficiência nas relações familiares; por vezes eram fragmentadas, pais separados que ficavam jogando a criança um para o outro sem assumi-la por completo levando a sentimentos de rejeição e dificuldade em estabelecer um referencial para si; netos criados por avós que não sabiam dar limites a essas crianças, sendo permissivos e passivos; filhos de pais com histórico de brigas excessivas ou agressões, alcoolismo; pais ausentes. Todas essas configurações familiares citadas influenciavam no comportamento da criança de modo que ela passa a agir em resposta ao que vivencia no núcleo familiar, manifestando comportamentos indesejáveis na maioria das vezes.




Mas e o tal do TDAH? 

Comportamento impulsivo, dificuldade em terminar alguma atividade, pular de uma atividade para outra num curto espaço de tempo, dificuldade em atender o que lhe é solicitado, são facilmente distraídas por qualquer estímulo, são alguns dos comportamentos característicos de TDAH, mas como foi dito anteriormente é necessária avaliação de um profissional de modo a confirmar o diagnóstico.  

Tem cura esse negócio?

Quando falamos de desordens psicológicas é complicado falar em cura. Muitas são as causas atribuídas ao TDAH, mas existe um consenso de que o componente orgânico é preponderante, Ximenes (2008) afirma algumas hipóteses: Acredita-se que o desequilíbrio neuroquímico nos sistemas neurotransmissores da noradrenalina e da dopamina levaria ao TDAH por baixa produção dessas substâncias ou por sua subutilização.


Ou a disfunção do lobo frontal, responsável pela atenção, controle do impulso, organização e atividade continua dirigida ao objetivo, ocorreria por uma perturbação dos processos inibitórios do córtex e por  hipoperfusão do córtex frontal.

Existe uma associação do TDAH com hipóxia perinatal e neonatal, traumas obstétricos, rubéola intra-uterina, encefalite, entre outros.

Os fatores que interferem no desenvolvimento e curso do transtorno são o estilo de criação, a personalidade dos pais e fatores sócio-emocionais. Perdas e separações precoces também são apontadas.

O tratamento é feito com psicofármacos e psicoterapia infantil, geralmente se estendendo até a adolescência que é quando o paciente aprende melhor a lidar com sua impulsividade e com a realização de atividades frente a vários estímulos. Devemos ter em mente também que a participação da família é fundamental nesse processo para um aproveitamento melhor do tratamento, para que a família entenda que a criança não é assim porque ela quer, mas porque sofre de TDAH e não consegue controlar seus impulsos.

Mas e se meu filho não tem TDAH? Isso fica para outro artigo, onde discutiremos a ausência de limites na criação dos filhos e a falência da função paterna.

Continuem enviando suas dúvidas para o e-mail: leonardobozzano@hotmail.com





Fontes: 

CID -10 - Classificação dos transtornos mentais e de comportamento da CID 10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas - Organização Mundial de Saúde, trad. Dorgival Caetano, Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

DSM IV- Critérios Diagnósticos do DSM-IV, 4a ed, Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.


ATUALIZADO:
Vídeo game sendo utilizado para trabalhar crianças com TDAH:
http://agencia.fapesp.br/17888