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terça-feira, 19 de maio de 2015

Maconha Sintética que Mata Mais Rápido?


Os pais do jovem Connor Eckhardt estão arrasados. Seu único filho morreu de forma inesperada com 19 anos de idade, depois de fumar uma forma sintética de maconha chamada "Spice", algo como "tempero" ou "especiaria". Os pais acreditavam que tinham uma relação íntima com o filho sobre as drogas, aparentemente se enganaram. Eles estão agora num movimento para mostrar ao mundo os perigos das drogas sintéticas vendidas pela internet em algumas lojas especiais como nomes de "Spice", "K-2" e "Scooby Snax". São ilegais e muitas vezes ditas impróprias para o consumo humano.


Os pais de Connor, através do Facebook e do site Do It 4 Connor estão divulgando que essas drogas sintéticas podem causar ataques cardíacos, dano cerebral, alucinações, dependência e matar. Um jovem que utilizou a maconha sintética disse "Seu corpo quer, mesmo sabendo que não devia". Uma mulher disse que "Da última vez que fumei achei que teria um ataque do coração". Uma entrevista com outro usuário ficou comprometida porque ele estava incapaz de responder questões básicas devido ao seu estado. Outro homem, ciente da morte de Connor, disse que a droga era uma "roleta russa". Educadores dizem que os jovens pensam que estão adquirindo uma alternativa mais segura que a maconha, mas estão enganados. 


Essa nova maconha, o Spice e outras similares são folhas trituradas adicionadas de produtos químicos e embaladas em envelopes chamativos. Não se sabe onde é feita ou o que é colocada nela, de acordo com o Departamento Antidrogas de Los Angeles. Os policiais estão investigando esses fatos e disseram "Spice" é fumado como maconha. Porque usar tudo? Aqueles que fizeram disseram que é nova e te deixa no limite, e não aparece nos testes toxicológicos por ser uma substância nova, fator esse que aumenta sua popularidade. Uma pesquisa realizada na faculdade constatou que 8% dos alunos já experimentaram, enquanto que 30%  já experimentaram maconha.  


COMO SPICE AFETA O CÉREBRO?

Os usuários dessa maconha sintética relataram uma sensação similar a produzida pela maconha - alteração de humor, relaxamento, alteração da percepção - em alguns casos os efeitos são mais potentes que aqueles da maconha comum. Existem relatos de ataques de pânico, paranóia e alucinações. 

Até então não há estudos científicos sobre os efeitos do Spice no cérebro humano, mas é sabido que os componentes canabinóides encontrados no Spice agem nos mesmos receptores como THC, o a substância química básica da maconha. Alguns componentes do Spice, entretanto, se ligam mais fortemente a esses receptores que podem levar a um forte e inesperado efeito. Devido a composição química desconhecida de seus componentes pode causar diversos efeitos desconhecidos em seus usuários.


QUAIS OUTROS EFEITOS NO ORGANISMO QUE O SPICE PODE CAUSAR?

Usuários de Spice que foram levados ao centro de Toxicologia relataram sintomas que incluíam taquicardia, vomito, agitação, confusão e alucinações. Spice também pode aumentar a pressão sanguínea e causar uma redução do suprimento de sangue ao coração causando isquemia do miocárdio. Em alguns casos é associada a ataques cardíacos. Usuários contínuos podem experienciar sintomas de dependência e tolerância. 

Não sabemos ainda todo os efeitos que o Spice pode ter na saúde humana ou o quão tóxica ela pode ser, mas existe um consenso em saúde pública que ela pode ser prejudicial por conter resíduos de metais pesados em sua mistura. Sem uma análise mais precisa é difícil determinar se o alarde acerca dessa droga é justificado. Em todo caso, como qualquer tipo de droga, o melhor que se tem a fazer é evitá-la.


FONTES:

http://www.emcdda.europa.eu/attachements.cfm/att_80086_EN_Spice%20Thematic%20paper%20%E2%80%94%20final%20version.pdf

http://www.myfoxchicago.com/story/27176277/fox-11-investigates-synthetic-marijuana

http://www.jornalciencia.com/saude/mente/4402-maconha-sintetica-rapaz-de-19-anos-morre-apos-experimentar-nova-droga-que-esta-virando-moda-entre-os-jovens

http://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/k2spice-synthetic-marijuana

sábado, 1 de junho de 2013

Entendendo a Síndrome do Pânico e a Ansiedade Generalizada



Hoje gostaria de compartilhar com vocês um pouco sobre a famigerada "Síndrome do Pânico" como é popularmente conhecida ou Transtorno de Ansiedade Generalizada ou ainda Transtorno do Pânico (ansiedade paroxística episódica) um quadro bastante frequente nos dias de hoje e cujo venho me deparando comumente na clínica. Acredito que de dez pacientes que vem ao meu consultório, seis relatam sintomas compatíveis com o quadro. 

O que é Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno do Pânico?

São quadros bem similares associados a diversos sintomas, sendo a principal sensação o ataque de pânico onde a pessoa sente um medo irracional, muitas vezes acreditando que vai morrer ou passar muito mal. Esse ataque de pânico causa várias alterações orgânicas no momento em que é desencadeado, tais como taquicardia, hiperventilação, pressão arterial elevada, asfixia, náusea, desconforto abdominal, tontura, dores no peito e sensações subjetivas de pavor e morte iminente (DSM-IV-TR, 2003).  No Transtorno do Pânico a característica essencial são os ataques de pânico, já na ansiedade generalizada  os sintomas são variáveis, mas compreendem nervosismo persistente, tremores, tensão muscular, transpiração, sensação de vazio na cabeça, palpitações, tonturas e desconforto epigástrico, sempre iniciados por um pico de ansiedade que faz a pessoa passar mal.



Como a pessoa desenvolve esses quadros?

Geralmente são pessoas jovens, que trabalham, estudam, tem diversas responsabilidades, mas também atinge uma parcela considerável de pessoas de meia idade. Algumas características da personalidade dos pacientes que atendo sempre se repetem, um indicativo de que as formas de agir mal adaptadas contribuem para desencadear o quadro clínico. São pessoas controladoras, excessivamente preocupadas com tudo, são pouco flexíveis nas situações cotidianas, sofrem de níveis elevados de estresse, tem expectativas altas em relação ao que fazem, os pensamentos negativos de falha ou incapacidade são predominantes, acumulam problemas, estão sempre cheios de conflitos internos e externos. Tudo isso faz com que a pessoa sinta uma pressão ambiental muito intensa, culpando o mundo externo por suas falhas, levando-a a temer agir e desempenhar seus papéis sociais.

Simplesmente o sujeito começa a passar mal, os níveis de ansiedade se elevam e desencadeiam os processos citados acima, o que leva a pessoa a acreditar em várias distorções: a mais comum é achar que tem um problema cardíaco, acabam indo parar nas emergências dos hospitais acreditando piamente que estão enfartando até os médicos perceberem que não se trata disso e receitarem "calmantes" para essas pessoas; outras passam a evitar sair de casa, ir a escola/faculdade, ir ao trabalho pelo medo de passar mal (como dizem muitos dos meus pacientes, "Tenho medo de passar mal e não ter ninguém pra me ajudar" ou "Eu sei que se eu sair eu vou passar mal" (sic)).
A pessoa simplesmente não entende o que está acontecendo com seu organismo e o medo vira um ciclo que é retroalimentado pelas suas falhas que geram mais ansiedade e insegurança, assim quanto mais medo de passar mal, mais forte é a crise, mais incerteza a pessoa tem sobre suas capacidades e sua tendência é evitar todas as situações que lhe pareçam ameaçadoras. Quanto mais tempo a pessoa demorar para procurar um profissional, mais o quadro irá se agravar levando diversas perdas ao seu universo pessoal.  É importante salientar que esse quadro pode vir associado a outros Transtornos, como Depressão, por exemplo, tudo vai depender da avaliação do Psicólogo/Psiquiatra para determinar o diagnóstico.



Hábitos saudáveis ajudam a prevenir a manifestação da ansiedade excessiva. É importante que a pessoa tenha um lazer, não trabalhe excessivamente ou evite o estresse no trabalho, em casa que aprenda a lidar com os conflitos familiares, com os conflitos internos, faça atividade física e evite álcool e tabagismo. Na dúvida, não tenha medo de recorrer a um profissional afim investigar seus sintomas para determinar se existe um quadro de Ansiedade Generalizada ou Ataque de Pânico estabelecido.  O tratamento não é complicado, mas requer uma mobilização do paciente para mudança de certos hábitos e dependendo da intensidade dos sintomas pode ser necessário uma intervenção farmacológica. 


Referências:

CID -10 - Classificação dos transtornos mentais e de comportamento da CID 10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas - Organização Mundial de Saúde, trad. Dorgival Caetano, Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

DSM IV- Critérios Diagnósticos do DSM-IV, 4a ed, Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=77